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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Descrição do Juízo Final !


          “Quando, pois, vier o Filho do homem na sua majestade, e todos os anjos com ele, então se sentará sobre o trono da sua majestade; e serão todas as gentes congregadas diante dele, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
E porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda. Então o rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possui o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era peregrino e recolhestes-me; nu e me vestistes; enfermo, e me visitastes; estava no cárcere, e fostes visitar-me.
Então lhe responderão os justos: Senhor, quando é que nós te vimos faminto, e te demos de comer; sequioso, e te demos de beber? E quando te vimos peregrino e te recolhemos; nu e te vestimos? Ou quando te viemos enfermo, ou no cárcere, e fomos visitar-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: na verdade vos digo que todas às vezes que vós fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.
Então dirá também aos que estiverem à esquerda: apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e para os seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era peregrino e não me recolhestes; estava nu, e não me vestistes.
Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto, ou sequioso, ou peregrino, ou nu, ou enfermo, ou no cárcere, e não te assistimos? Então lhes responderá, dizendo: Na verdade vos digo: todas as vezes que o não fizestes a um deste mais pequeninos, a mim o não fizestes. E estes irão para o suplício eterno; e os justos para a vida eterna.” (São Mateus, cap. 25, v. 31-45)
Comentários e observações:
A) Depois das parábolas sobre o fim do mundo, Nosso Senhor expõe o modo como o mundo será julgado. Devemos guardar isso bem fundo em nossa alma pois é o próprio Jesus Cristo quem o mostra do modo mais terrível e claro.
Não disse, como nas parábolas anteriores, ‘o reino do céus é semelhante’, mas manifestando-se e revelando sua própria pessoa ao dizer "quando vier o Filho do homem”.
Ele que, dois dias depois, haveria de celebrar a Páscoa e sofrer o escárnio dos homens e a morte de cruz, nessa ocasião promete o triunfo de sua ressurreição para, com a promessa do prêmio, compensar o sofrimento daqueles que iriam presenciar a sua Paixão. E é de se notar que quem há de ser visto com majestade é o Filho do homem!
B) Nosso Senhor será visto em forma humana, pois o verão os ímpios e os justos, porque no juízo aparecerá com a mesma forma que tomou de homem. Mas, depois, será visto na forma divina, aquela que  todos os fiéis (os justos) almejam. Voltará com glória para que seu corpo apareça transfigurado como o foi no monte.
C) Virá como os anjos, que convocou das alturas para celebrar o juízo. E todos concorrerão para dar testemunhos, eles mesmos, do ministério que exerceram por ordem de Deus para a salvação dos homens. Aliás, Nosso Senhor designou também de “anjos” certos homens que julgarão com Ele, pois, como os anjos, eles também pregaram aos homens a salvação.
D) Quando aparecer, será como um relâmpago, porque os maus não se conhecem, nem conhecem a Nosso Senhor Jesus Cristo, e os justos só o veem como num espelho ou por figura. Então não estarão separados os bons dos maus. Mas, quando, por aparição do Filho de Deus tomarem conhecimento de si mesmos, então o Salvador separará os bons dos maus, porquanto os pecadores conhecerão seus pecados, e os justos verão de maneira patente o fim ao qual os conduziram suas obras de justiça.
E) Designam-se ovelhas os que se salvam pela mansidão que aprenderam daquele que disse “aprendei de mim que sou manso” e porquanto estiveram dispostos até sofrer a morte imitando a Nosso Senhor Jesus Cristo que, como ovelha, foi conduzido à morte.
Os maus, pelo contrário, são designados de cabritos, porque eles sobem aos mais ásperos penhascos e caminham por seus precipícios.
A uns (os maus) se chama de cabritos, para demonstrar a inutilidade deles pois de nada aproveitaram. E aos outros (os bons), de ovelhas, porque é muito o fruto que das ovelhas se tira, como a lã, o leite e cordeirinhos que nascem. A Sagrada Escritura costuma designar a simplicidade e a inocência com o nome de ovelha. Belamente, pois, se indica aqui os eleitos com o nome de ‘ovelhas’. Já o cabrito é animal lascivo, que na lei antiga se oferecia para vítima dos pecados.
F) Os justos (aqueles que realizaram obras direitas), receberão como prêmio de suas obras a direita do Rei, na qual está o descanso e a glória. Mas os maus, por suas obras péssimas e sinistras, cairão à esquerda. Ou seja, na tristeza dos tormentos.
G) As palavras “tive fome e me destes de comer…” indicam os méritos pelos quais os justos recebem os bens do reino celestial. É de se notar que Nosso Senhor, aqui, faz menção às sete obras de misericórdia. Mas, num sentido místico, também cumpre as leis do verdadeiro amor aquele que, a que tem fome e sede de justiça, alimenta com o “pão da palavra” ou o refrigera com a “bebida da sabedoria” e também aquele que encaminha para a casa da Santa Igreja quem anda errante nas heresias ou nos pecados ou quem está enfermo na fé.
H) Convém notar que, para os justos, Nosso Senhor disse “benditos de meu Pai”, mas para os ímpios não disse “malditos de meu Pai”.  Isto porque quem dispensa a bendição é o Pai, ao passo que o autor da maldição é, para si mesmo, cada um dos que fizeram coisas próprias da maldição.
I) Os que se apartam de Nosso Senhor caem no fogo eterno. Não disse que o reino está preparado para os anjos, mas disse que o fogo eterno o está para o diabo e seus anjos. Porque Ele não criou o homem para que ele se perca, mas aqueles que pecam se unem, com isso, ao diabo. Então, dessa forma, os que se salvam são comparados aos anjos santos, e da mesma maneira são comparados aos anjos do diabo aqueles que se condenam.
J) Dessa passagem do Evangelho se colige que o fogo eterno é um só destinado ao suplício dos homens como ao suplício dos demônios. Ele causa dano ao tato corporal para que, por ele, sejam atormentados os corpos e serve também de pena para os espíritos malignos, contudo destituídos de corpos.
Porque os espíritos incorpóreos (os anjos) podem ser afligidos com a pena do fogo, assim como as almas dos homens (embora sendo inteiramente incorpóreas) podem ser encerradas nos membros corporais e também então ser sujeitos indissolúveis aos vínculos de seus corpos. Da mesma forma, os demônios (embora incorpóreos) aderem aos fogos corporais para serem atormentados, recebendo os sofrimentos, embora não dando vida aos fogos. Então, aquele fogo é corporal e atormentará os corpos dos homens juntamente com seus espíritos, mas aos demônios atormentará os espíritos sem corpos.
Fonte: Catena Áurea – São Tomás de Aquino – Buenos Aires – Cursos de Cultura Católica – 1946.

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