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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Entre a Servidão e a Liberdade no Estado Democrático de Direito do Brasil !



O Estado democrático de direito no Brasil não torna o cidadão livre quando este é subjugado e obrigado a servir um modelo econômico opressor. O maior exemplo está na liberdade política que o cidadão tem para exercer a sua cidadania, escolher os seus líderes políticos para a construção do futuro. Só que estes políticos, muitas vezes, traem a confiança do povo que o elege ao defenderem os interesses externos em detrimento dos interesses nacionais. Assim podemos fazer as seguintes perguntas:
A obrigatoriedade do voto nas eleições brasileiras torna o cidadão um sujeito livre?
Quais são os limites entre as dimensões da servidão e liberdade presentes na vida do eleitor?
Na busca pela felicidade, o eleitor é enganado pela oratória política dos candidatos a cargos eletivos e, muitas das vezes, obrigatoriamente elegemos quem nos traz infelicidade.
Como escolher a verdade e rejeitar a mentira?
Devemos rever o conceito de Estado democrático de direito, torná-lo capaz de reorientar as suas forças econômicas vigentes na sociedade e assim produzir a felicidade, o bem-estar social e a justiça social para todos os cidadãos.
Tradicionalmente o Estado é formado por quatro elementos: soberania, território, povo e finalidade. Só que ao longo do processo histórico, o Estado sofre transformações na sua forma de agir em função das forças econômicas vigentes na sociedade. Quem direciona a ação do Estado é o capital, que circula de acordo com o modelo econômico vigente. Assim, podemos a analisar duas definições básicas de Estado:
I - Estado é “a corporação de um povo, assentada num determinado território e detentora de um poder originário de mando” – Georg Jellinek.[1]
II – Estado é “ordem jurídica soberana que tem determinado território” – Dalmo Dallari.[2]
Como fazer que os cargos eletivos que formam o Estado correspondam aos interesses de seus eleitores? E permitir que o capital, que circula no modelo econômico vigente, esteja a serviço do povo e não o povo a serviço do capital?
Para atender aos asseios do povo, surge o Estado democrático de direito com o conceito de Estado que garante os direitos humanos e preserva as garantias fundamentais.
Os direitos humanos, segundo a ONU – Organização das Nações Unidas no Brasil, estabelecem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre estes e muitos outros direitos. Os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição.
Direitos e Garantias Fundamentais são dispositivos que regulam a vida social, política e jurídica de todo o cidadão brasileiro. Os Direitos e Garantias Fundamentais encontram-se regulados entre os artigos 5ª ao 17ª da Constituição brasileira de 1988, estão destinados a estabelecer direitos, garantias e deveres aos cidadãos.
CARACTERIZAÇÃO DOS DIREITOS NA CONSTITUIÇÃO DE 1988
A estrutura constitucional de 1988 tratou dos direitos fundamentais no título II de forma a separar o objeto de cada grupo. Assim, temos:
A - Direitos individuais e Direitos coletivos: representam os direitos do homem integrante de uma coletividade: (art. 5ª).
B - Direitos sociais: subdivididos em direitos sociais propriamente ditos (art. 6º) e direitos trabalhistas (art. 7º ao 11º).
C - Direitos à nacionalidade: vínculo jurídico-político entre a pessoa e o Estado (art. 12º e 13º);
D - Direitos políticos; direito de participação na vida política do Estado; direito de votar e de ser votado, ao cargo eletivo e suas condições (art. 14º ao 16º).
E - Concluindo a deliberação sobre os Direitos e Garantias Fundamentais, o art. 17º, dedicado exclusivamente aos partidos políticos.
Os artigos importantes são:
·         O artigo 5º,  traz em seu conteúdo os direitos e garantias individuais e coletivas. Enfatiza a igualdade perante a lei e as cinco dimensões:
·         vida
·         liberdade
·         igualdade
·         segurança
·         propriedade
·         Os artigos 6º ao 11º dedicam-se ao tratamento dos direitos sociais: 
·         educação
·         saúde
·         alimentação
·         trabalho
·         moradia
·         lazer
·         segurança
·         previdência social
·         proteção à maternidade e à infância
·         assistência aos desamparados
·         transporte
A contradição existente no Brasil é aquela que preserva os direitos políticos, mas vem eliminando direitos sociais do povo, para atrair o capital estrangeiro. Ou seja, os políticos através das leis vêm tornando o cidadão, que vota neles, escravos do capital estrangeiro, ao subjugá-los aos interesses que não garantem a felicidade, o bem-estar social e a justiça social para todos os cidadãos. Não há uma política de preservação do povo frente às demandas do modelo econômico vigente, apenas um ato de submissão voluntária.
A mudança parte da ação da cidadania, que é a retomada de consciência do cidadão, onde ser livre é ter um Estado livre, na medida em que cumpre o seu próprio dever. É a retomada de valores do cidadão para a construção de uma sociedade sadia. É possível rever a situação de servidão e liberdade presentes no Estado democrático de direito do Brasil. A liberdade tem que ser plena, através do voto e da participação popular, cabe ao cidadão ter uma atitude e buscar mudar a sua própria realidade frente o desafio de uma existência autônoma e feliz. Devemos eleger líderes políticos que sejam capazes de lutar pela liberdade plena do cidadão que o elege.
Devemos rever os princípios éticos fundantes de uma moral, que priorize valores capazes de construir uma sociedade próspera e feliz. Por mais desafiadora que seja a política, é pelo exercício político que o Homem realiza as mudanças necessárias e constrói o seu futuro. Devemos ter clareza sobre as seguintes questões: O Homem está a serviço do capital ou o capital está a serviço do Homem? O que vale mais? O Homem ou o capital? Até que ponto um Estado democrático de direito deve se subjugar ao capital e subverter a sua finalidade? Estas talvez sejam as maiores questões: Para que fim o Homem vive? Qual é o sentido da vida? Oprimir o Homem, ou disponibilizar todos os recursos possíveis para libertar o Homem de suas mazelas e limitações? Quem pode ser o protagonista no processo de libertação do Homem, senão um Estado democrático de direito livre e justo? Que torne o cidadão um sujeito mais próspero, feliz e livre.

[1] Allgemeine Staatslehre, Berlim: O. Häring, 1914, p. 183. Primeira edição: 1900.
[2] Elementos de Teoria Geral do Estado. 24. Ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 118

Referências bibliográficas:
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL de 1988.
Teoria geral do Estado/Camilo Onoda Caldas. São Paulo: Ideias & Letras, 2018.

quarta-feira, 28 de março de 2018

A Família e a Educação !



A educação é uma preocupação mundial e a família também deve ser uma preocupação mundial, pois ela é a base fundante do estudante, o futuro cidadão. A Resolução SE Nº 52/2013 descreve os perfis profissionais relacionados ao professor, dentre os quais destacamos: o perfil de educador e o perfil de docente.

O exercício profissional do educador pressupõe o desenvolvimento de competências para interpretar e correlacionar vivências de caráter ambiental, econômico, político, social, cultural e educacional e a realização de ações que promovam a qualidade da escola, sobretudo que promovam ensino e aprendizagem relevantes para uma formação integral que prepare o aluno para a atuação ética, sustentável e transformadora na vida pessoal, social, política e no mundo do trabalho.

Educar requer “uma formação geral humanista/crítica, comprometida com a construção e ampliação de uma sociedade mais justa, posicionada contra as desigualdades sociais e a qualquer forma de opressão, que garanta a todos as mesmas oportunidades de desenvolvimento de suas potencialidades” (Resolução SE-52, 2013, pág. 2).

O perfil docente tem como premissa que a prática docente deve estar alicerçada no diálogo centrado nas relações entre conhecimento e cultura, currículo e poder, promovendo a aprendizagem por meio da "pesquisa, da experimentação, da cooperação, da criatividade, que instaure processos de concepção e de realização de projetos significativos aos alunos e à comunidade em que vivem" (Resolução SE-52, 2013, pág. 6).

A Resolução também explicita que promover aprendizagem dessa natureza requer compreender a complexa relação entre a teoria e a prática e estar atento à dinâmica entre ambas, para atuar como protagonista de ações e tomar, com autonomia e responsabilidade, as decisões pedagógicas inerentes à realização do trabalho docente e à concretização dos objetivos traçados, de modo a articular duas dimensões formativas complementares e interdependentes:

A - A dimensão técnica, que se caracteriza pelo conhecimento dos conteúdos a serem ensinados e os recursos metodológicos para desenvolvê-los;

B - A dimensão política, que se caracteriza pelo compromisso público com a educação escolar, decorrente da compreensão dos aspectos históricos, filosóficos, sociológicos, psicológicos e econômicos que envolvem a educação e o ensino.

LDB - Lei de diretrizes e bases da educação nacional.

Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:

I. participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;

II. elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;

III. zelar pela aprendizagem dos alunos;

IV. estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;

V. ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;

VI. colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.

O inciso sexto do art. 13 da LDB se relaciona com a gestão democrática; a lei prevê que o professor deve ser um agente facilitador da participação da família na escola, elemento fundamental para que a gestão democrática se concretize. A família tem um papel fundamental na formação e desenvolvimento escolar do aluno, o acompanhamento dos pais, o diálogo, a presença, o estímulo faz toda a diferença no desempenho escolar do aluno. O primeiro passo a ser dado para melhorar a educação no Brasil passa pela melhora das condições de vida da família brasileira. A família é o início, a base, a referência para o modo de ser do aluno.

Zelar pela aprendizagem dos alunos implica uma relação entre o professor, seu saber, e seu modo de ensinar totalmente voltada para a garantia do direito de aprendizagem, tal como previsto na LDB (Lei n.º 9.394/1996). Ações cotidianas e rotineiras do professor podem ser entendidas como expressão dessa relação, como:

A - Considerar os conhecimentos construídos pelos alunos dentro e fora da escola;

B - Identificar e explicitar as competências a serem construídas ou mobilizadas pelos alunos;

C - Considerar, explicitar e explorar as relações interdisciplinares;

D - Contextualizar os conhecimentos, os problemas e as atividades, aproximando a produção escolar da prática social;

E - Criar e utilizar vários meios de ensino;

F - Desenvolver uma avaliação formativa e permanente durante a atividade docente, no processo de ensino e aprendizagem.

As ações cotidianas e rotineiras do professor só farão sentido para o aluno, caso o professor tenha o apoio da família do aluno, e esta família viva uma condição de estabilidade religiosa, política, social, econômica, emocional, afetiva, moral e ética. É um conjunto de valores que formam a bases fundantes de uma família direcionada para a prosperidade, capaz de conduzir o Brasil à ordem e progresso idealizados.

Fica uma pergunta:

Como esta a vida de 70 % dos brasileiros menos favorecidos?

A partir desta resposta podemos projetar o futuro do Brasil nas próximas gerações.





domingo, 25 de março de 2018

O Professor é o Mediador !


O professor é o mediador, é o tutor do aluno, deve inspirar e motivar o sentido da aprendizagem. Fazer o aluno, da rede pública, ir além dos limites impostos pela sua condição socioeconômica. Conscientizá-lo de que terá que lutar muito para superar a sua condição de vida, e mostrar que é possível vencer os desafios a partir de muito empenho e dedicação. O desafio da vida está em existir de forma digna e libertadora, inserido na sociedade, executando um trabalho que faça sentido para vida e traga a felicidade para o seu próximo. A escola não só educa como forma o cidadão do amanhã, o mesmo que irá formar a sociedade de um Estado Democrático de Direito. Para sabermos como será o Brasil nas próximas gerações, é só perguntar como está a educação pública do país, se o aluno é formado para ser um cidadão, se a escola tem uma infraestrutura ágil e atualizada para os desafios do século XXI e se o professor é valorizado como profissional, sejam nas atitudes, seja na remuneração mensal. Um país sem educação pública de qualidade é um país sem futuro, ainda mais quando 70% da população dependem do ensino público para se desenvolver com pessoa e profissionalmente. Uma revolução no ensino público para melhor é possível, muitos países desenvolvidos atualmente fizeram a sua revolução educacional e abriram uma nova perspectiva de vida para a sua população, algo que ocorreu em duas gerações. O Estado brasileiro tem que olhar para frente e seguir o seu próprio destino, para o bem de seus cidadãos.

A constituição da educação como uma política que atende a determinadas demandas sociais, o papel fundamental do professor nesse contexto e, como consequência, um perfil de habilidades e competências necessárias a esse professor. O modo como a escola está cuidando do desenvolvimento cognitivo dos alunos é uma variável estratégica para a sociedade. A forma de estudar, aprender, escutar, ler, escrever, interpretar, expressar e tomar decisões. O desenvolvimento depende cada vez mais de conhecimento, a inteligência é mais importante que a parte física, são as competências sociais e cognitivas superiores.

Se o Estado brasileiro não implementar políticas públicas que valorize a origem social, o respeito a cultura, a melhoria da qualidade de vida, as condições de higiene e moradia das famílias. Não será possível para os filhos destas famílias, terem uma qualidade sociocultural, que os façam terem um desempenho escolar ao nível dos países de primeiro mundo, tendo como exemplo os países nórdicos. O problema da educação no Brasil começa na família, que está desestruturada, por ser tratada como uma coisa na economia capitalista neoliberal, e não como uma instituição da sociedade, que deve ser preservada, protegida e valorizada.

Uma escola, que possa fornecer uma educação de qualidade, para um aluno da classe social menos favorecida, faz enorme diferença no seu futuro. É o diferencial entre o fracasso e o sucesso deste aluno. A qualidade do trabalho do professor é fundamental, para isso este profissional tem que ser valorizado, ser bem remunerado, ser respeitado como profissional que tem um curso superior, quando não é pós-graduado. Uma política de Estado que tenha como fundamento a valorização da educação e do profissional da educação é estratégico para o desenvolvimento da sociedade. O desenvolvimento sustentável do Brasil passa pela educação e a valorização do professor.




sábado, 24 de março de 2018

O Trabalho no Século XXI !



O trabalho é a capacidade que o ser humano tem de inventar e usar instrumentos, bem como de criar um mundo com elementos que encontra na natureza, que remete a um conceito filosófico importante: o trabalho, algo que só pode ser realizado a muito custo.

         Na religião, o trabalho muitas vezes assume um sentido depreciativo. Na narrativa bíblica, o castigo de Adão por seu pecado foi trabalhar para garantir o próprio sustento.

         Na mitologia, o poeta grego Hesíodo (750 a.C. à 650 a.C.), em seu poema épico “Os trabalhos e os dias”, descreve, em certa parte, uma época em que a Terra era habitada por homens de ouro, que não precisavam trabalhar.

         Para muitos pensadores, o trabalho é o que nos define como seres humanos, mais até que a racionalidade.

         Além de Homo sapiens, o ser humano pode ser considerado Homo faber, um ser capaz de fabricar ou criar com uso de ferramentas e da inteligência.

         O labor, segundo Hannah Arendt, corresponde à classe de atividades diretamente relacionadas à manutenção da sobrevivência e que se esgotam na própria atividade. O cultivo de um alimento, por exemplo, é uma atividade que se esgota no consumo desse alimento. Nesse sentido, o ser humano seria um “Animal laborans”.

         Os resultados do trabalho são sempre meios para a realização de um fim: a cadeira, por exemplo, serve para sentarmos nela e, sem essa finalidade, ela perde sua razão de ser. O trabalho é uma ação consciente e ordenada para um fim útil. E qual é o fim útil para Homem do século XXI?

         A quem entenda que o trabalho do século XXI é uma rotina alienante do assalariado, definida pelo exercício do esforço físico ou mental em troca de remuneração monetária, o qual, afinal, acaba resultando no esfacelamento do trabalhador como ser social total.

         O Homo faber está sujeito a um tempo útil, o ritmo de trabalho que visa a otimização da produção se de bens ou serviços, que em geral desconsidera a felicidade e o bem-estar do trabalhador. O Homem é visto como coisa, o trabalho livre, que deve caracterizar a existência humana em oposição a mera animalidade, acaba se tronando um fator de desumanização na sociedade capitalista neoliberal do século XXI.

         A relação do capital e trabalho divide a sociedade em classes sociais – capitalistas e trabalhadores assalariados – e a relação entre trabalho e capital forma a base da economia.

         Existe justiça social no trabalho? Para que uma sociedade seja de fato justa, é necessário que exista um equilíbrio entre a distribuição de riquezas e que os interesses e as oportunidades sejam partilhados. Como estão nossas sociedades? As sociedades do século XXI são justas?

Com a predominância do capitalismo neoliberal, se faz predominar a ideia de que a livre iniciativa e a concorrência é que devem ser a força reguladora dos meios econômicos, ou seja, da relação capital versus trabalho.

Uma alternativa a esta forma de pensar é o socialismo e suas vertentes: Que defende o fim do sistema capitalista e a reorganização da sociedade e da economia sobre novas bases.

Qual será o próximo passo evolutivo das sociedades do século XXI? O Homem é um ser em constante evolução, ou seja, em constante transformação. Para onde que o Homem irá se transformar?








domingo, 11 de março de 2018

O Limite do Agir !



         Imagina se pudéssemos pensar junto com outra pessoa, sobre ideias e questões diversas. Às vezes o que poderia ser um absurdo, na visão do senso comum, poderia ser uma grande descoberta, algo que revolucionaria o mundo. Sendo assim, não temos o direito de destruir, sufocar ideias e comportamentos, só porque fogem a um padrão.

         O homem pode ser a medida de todas as coisas no que se refere a sua própria vida, quando seu comportamento foge totalmente aos padrões por opção, onde se conhece as relações entre mente e cérebro. Cada pessoa é singular, deve-se preservar a sua integridade.

         Muitas vezes nada sabemos sobre a pessoa que está diante de nós, o significado mais profundo das coisas que a pessoa faz ou diz a importância e pertinência dessas coisas no todo de sua vida, por quais vias passou e como significou tais vivências, como foi se tornando o que é como sobreviveu às adversidades, nada sabemos. Como nada sabemos e nada podemos afirmar sem sabê-lo, o primeiro passo é conhecer.

         Só podemos conhecer uma pessoa, se ela contar a sua história, desde suas lembranças mais antigas, até o momento presente. A história da pessoa contada por ela mesma, sem direcionamentos. Só assim, pode-se ter dados significativos a serem compreendidos e contextualizados. O objetivo é compreender a circunstância existencial da pessoa, sua visão de mundo e a razão par ser no mundo.

         Não há verdades pré-estabelecidas quando se trata da forma de vida de uma pessoa, o que há é uma razão para ser no mundo, o que leva a pensar e agir de forma singular, onde os padrões não são reconhecidos e nem identificados. Só assim evolui a humanidade, através de pessoas originais, que estão libertas do senso comum e passam a trilhar o próprio caminho. Somos chamados à vida para ser, existir no mundo é ser.

         A humanidade precisa de pessoas originais para poder liderar e até superar os desafios do terceiro milênio, não será pela repetição de antigos modelos existências que a humanidade irá encontrar a sustentabilidade, o equilíbrio, a longevidade, a justiça social. O que se faz necessário é o estabelecimento de um novo a paradigma existencial, onde se redefina o sentido da vida, da sociedade, de um Estado. A humanidade tem que decidir se é um valor o bem comum, que  deve ser cultivado e até almejado.

         O limite do agir está diretamente conectado com o modelo ético que se quer para a humanidade. A busca da felicidade com alteridade. A felicidade do sujeito singular vai além de si e alcança o próximo, existe uma conexão íntima entre o Eu e o Outro, tudo vive uma interseção existencial.

         O imperativo categórico de Kant faz sentido, onde o dever de toda pessoa é agir conforme princípios os quais considera que seriam benéficos caso fossem seguidos por todos os seres humanos. Aí talvez esteja o limite de todo agir, mesmo que os fins justifique uma ação.





sábado, 10 de março de 2018

A Função do Estado Brasileiro !




        O Estado, tal como entendemos hoje, é uma invenção da Idade Moderna. O Estado possui duas prerrogativas básicas: O monopólio da cobrança de impostos e o monopólio da segurança pública. Para se ter um Estado que promova a justiça social é necessário incluir mais duas prerrogativas básicas: Uma educação de qualidade para toda população e a promoção do bem estar social com a políticas que garantam a proteção social e programas de assistência social. É a manutenção de sistemas públicos de educação, saúde e previdenciário.

         O Estado brasileiro tem uma função central na promoção da justiça social, incentivar a iniciativa privada, viabilizar o surgimento de vagas de emprego para a população e promover políticas de distribuição de renda para as camadas de baixa renda e os que estão abaixo da linha da miséria.

         Para que o projeto de promoção de justiça social seja sustentável, o foco principal tem que ser a educação. O investimento em educação, a aposta em um currículo único nacional, os cursos profissionalizantes que preparam o jovem para o mercado de trabalho, com a valorização do profissional da educação, o professor, tem que ser a principal bandeira defendida pelo próximo presidente brasileiro.

         O mercado ao oferecer oportunidades de trabalho tem que encontrar uma mão de obra preparada para absorver os empregos, do contrário a população de baixa renda será marginalizada do mercado de trabalho e o país perderá a oportunidade de se ter um crescimento sustentável.

         A função principal do Estado brasileiro passa pela promoção do bem comum, uma política educacional que seja considerada uma política de Estado, com um planejamento de curto, médio e longo prazo, passando por várias gerações futuras, é o caminho para se construir uma sociedade justa, capaz de oferecer oportunidades, e ter cidadãos preparados para as oportunidades. A base para o crescimento econômico sustentável passa pela educação, pela pesquisa, ciência e tecnologia, a valorização do professor, a preparação do jovem estudante para o mercado de trabalho e só assim políticas econômicas serão capazes de promover o crescimento com bases sólidas.

         A Constituição de 1988 é conhecida como a “Constituição Cidadã” por causa dos avanços sociais garantidos nessa carta. Os direitos dos cidadãos brasileiros estão transformados em lei, que buscam garantir o bem social através da proteção social. Carta Magna defendida pelo poder judiciário, o STF – Supremo Tribunal Federal, que garante o cumprimento da lei.

         É um marco para a ampliação do sistema de proteção social, com a institucionalização de princípios de universalização, ancorada na noção de direito social, ao ampliar o atendimento nas três dimensões da seguridade social. O direito social é visto como um fundamento da política brasileira.

         O papel da iniciativa privada é a de um ator coadjuvante, o Estado é o ator protagonista, que formula leis e políticas para garantir a justiça social e o bem estar de seus cidadãos. O Estado deve regulamentar uma série de atividades, como a abertura e o funcionamento de empresas, a contratação de trabalhadores, transportes, distribuição de água e energia elétrica, meios de comunicação, importação e exportação de produtos, etc. Deve ampliar e melhorar os serviços públicos, investir em ações de combate à miséria e criar ainda mais mecanismos de regulamentação da vida social.

         O Estado é a mais alta forma de poder em uma sociedade, com autoridade legal para definir o interesse público e fazer com que suas determinações sejam cumpridas.

         As eleições de 2018 no Brasil será um marco, que redefinirá o papel do Estado brasileiro, se será mais social ou neoliberal. Cada cidadão brasileiro irá escolher o Estado que quer para o Brasil, o voto para eleição de novos representantes será o instrumento legal, cabe a cada um decidir o que quer para o futuro do Brasil.




sábado, 24 de fevereiro de 2018

Sapiens !



        O que somos afinal? Por que nascemos? Qual o sentido da existência do Homem no mundo terreno? Moramos em um planeta localizado em uma pequena galáxia, periférica na Via Láctea, de irrelevante importância, mas onde se desenvolve uma espécie inteligente que cria o seu próprio destino.

         “Os Homo sapiens. Como conquistamos o planeta? Por que nossos ancestrais se reuniram para criar cidades, reinos e impérios? Como passamos a acreditar em deuses, nações e direitos humanos; a confiar no dinheiro, em livros e leis; e a ser escravizados pela burocracia, pelo consumismo e pela incessante busca da felicidade? Que papel teve nisso tudo nossa capacidade imaginativa?” (Yuval Noah Harari – L&PM)

Anos atrás
Fatos
13,5 bilhões
Surgem a matéria e energia.
4,5 bilhões
Formação do planeta Terra.
3,8 bilhões
Surgimento do organismo.
6 milhões
Último ancestral em comum de humanos e chimpanzés.
2,5 milhões
Evolução do gênero Homo na África.
200 mil 
Surge o Homo sapiens na Africa Ocidental.
13  mil
O Homo sapiens é a única espécie humana sobrevivente.
12 mil
Revolução agrícola, domesticação de plantas e animais.
5 mil
Primeiros reinos, sistemas de escrita, dinheiro e religião.
2 mil 
Império romano, cristianismo.
500 anos
Revolução científica, ascensão do capitalismo, descobertas.
200 anos
Revolução industrial, Estado e mercado. Extinção em massa de plantas e animais.
O presente
Os humanos transcendem os limites do planeta terra.
Futuro
O Homo sapiens é substituído por super-humanos?

         Estamos diante de perguntas que nos circundam, questões de difíceis respostas, que direcionam a vida humana. Capazes de criarem a realidade existencial, e fica a pergunta: Onde está à verdade sobre a nossa existência?

         O terceiro milênio é a janela para o novo, o inimaginável, a possibilidade de viver em um mundo tecnológico jamais pensado. Onde podemos corrigir os erros e nos reinventar, criar um mundo mais inclusivo, mais justo, com maior sentido e significado para a nossa existência. O que podemos ser, senão homo sapiens?

         Referência bibliográfica:

HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade / Yuval Noah Harari; tradução Janaína Marcoantonio. – 29. Ed. – Porto Alegre, RS: L&PM, 2017.