Páginas

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A Transvaloração dos Valores no Século XXI !




         O primeiro valor a ser transvalorado é o valor econômico vigente, que produz o estilo de vida do Homem contemporâneo. Para manter o seu padrão de consumo, o Homem contemporâneo mais depreda do que conserva o meio ambiente em que vi. Para construirmos uma visão de mundo que vai além dos limites vigentes, precisamos realizar a Transvaloração do Valor econômico vigente, o capitalismo, e todas as suas formas de expressão.
         Entende-se que: “Transvaloração é rompimento com o homem ideal pela tradição para que se tenha o homem real, este que não segue e sofre as consequências de não aderir aos valores impostos. Transvaloração é o questionamento dos valores transmitidos como absolutos. É fazer uma releitura mais aprofundada, tirar a visão sagrada do ser humano”. (Alessandro Ferreira de Andrade Blanck)
         A sociedade do século XXI está no limiar da ruptura com o modelo econômico vigente, o capitalismo. Ela quer encontrar o equilíbrio, a sustentabilidade, a longevidade para a humanidade. É a busca da descoberta do Homem real, que supera os valores impostos através do questionamento e da releitura mais profunda da realidade, onde retira a visão sagrada do ser humano e o coloca em seu lugar no espaço e tempo. O Homem não é o centro da atenção, que tudo quer e poder, existem limites, e o desafio está em aprender a conviver com os limites, na medida em que se coloca a vida de todos os seres, como o maior dos valores. O atual estilo de vida do Homem propaga a morte.
         Segundo Machado (1999), Nietzsche testifica que a sociedade, enquanto poderosos e instituições, é a principal responsável por criar os valores para toda a humanidade, mas sempre julgando se são ou não nocivos a si mesma. (MACHADO, Roberto. Nietzsche e a verdade. p. 63)
         A sociedade do século XXI tem que ser uma sociedade que crie novos valores, aqueles que não advêm somente dos poderosos e suas instituições, mas que surjam de forma democrática do seio da sociedade. E avaliar o que é nocivo ou não é nocivo para a humanidade.
         Os valores não advêm só de leis ou instituições. Mas de um movimento social que questiona o que fora recebido até então pela imposição do poder econômico vigente, faz uma releitura no que fora passado de geração para geração como indubitável, pois isso engendra a revisão do que tem realmente valor, proporciona ao ser humano viver de forma mais autêntica, intensa, espontânea. E o valor econômico é o primeiro valor a ser transvalorado, por representar a base de subsistência da vida humana.



terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Problema do Ensino da Filosofia !


         O desafio maior está em manter uma atitude filosófica ante os problemas colocados pela filosofia do ensino da Filosofia. O homem como animal racional de buscar atender a dois pressupostos da Filosofia: um pressuposto teleológico (como fim a ser alcançado) ou como um pressuposto metodológico (como meio de se filosofar).
         O ser humano tem uma boa vontade natural para o pensar, e desenvolve uma boa natureza do pensamento. O filósofo é aquele que pensa, é guiado pelo exercício de pensar. A busca do verdadeiro.
         Segundo Deleuze:
 “O homem pensa, de que pensar se constitui como exercício natural de uma faculdade e de que, de fato, existe no homem uma boa vontade para o pensamento. Segundo ele, pressupor que o pensar faz parte da natureza humana parece dar ao homem não só a possibilidade de encontrar o verdadeiro, mas também uma afinidade natural com a verdade.”
         O pensar é a busca de soluções para os problemas dados. O professor deve estimular o aluno na prática do pensamento, fazer perceber que muitos dos problemas que vivemos poderiam ser resolvidos se tivesse uma prática filosófica para com o problema. É tão importante que Deleuze completa:
“Fazem-nos acreditar, ao mesmo tempo, que os problemas são dados já prontos e que eles desaparecem nas respostas ou na solução; sob este duplo aspecto, eles seriam, de início, nada mais que fantasmas. Fazem-nos acreditar que a atividade de pensar, e também o verdadeiro e o falso em relação a esta atividade, só começam com a procura de soluções, só concernem às soluções.”
         Os problemas já dados têm uma origem, em um momento do tempo foram pensados e materializados pela ação humana. Um questionamento metodológico e lógico pode minimizar os efeitos dos problemas. A filosofia é devedora de uma atitude comum que normalmente é utilizada para responder às perguntas difíceis de serem respondidas. Para Deleuze:
“Muitas vezes, quando nos é colocada uma pergunta para a qual não se tem resposta, utilizamos o subterfúgio de invalidar a pergunta, considerando que o modo correto de colocá-la deveria ser outro.”
         Os problemas são apresentados em função das respostas, das suas possíveis respostas, prováveis ou esperáveis. Kohan (2003, p.222), comentando Deleuze, observa que:
“A imagem dogmática apenas consegue construir as interrogações que as possíveis respostas permitem suscitar. Sob esta imagem, só se pergunta o que se pode responder. Considera-se que pensar tem a ver com encontrar soluções – já prefiguradas – aos problemas colocados em função de tais soluções e que os problemas desaparecem com suas soluções. Assim, se situa o problema como obstáculo e não como produtor de sentido e de verdade no pensamento.”
         O conflito surge na percepção de que os problemas e as soluções têm a mesma natureza. A diferença entre eles consiste apenas no modo de enunciação: o modo interrogativo (no caso dos problemas) e o modo explicativo ou proposicional (no caso das soluções). Partindo dessa análise, Deleuze afirma que os problemas e as soluções não podem ter a mesma natureza apesar de estarem intrinsecamente ligados. Os problemas não são dados, são inventados e reinventados no movimento de problematização.
         O ensino de filosofia tem que ser capaz de motivar o aluno a aprender. “Aprender é o nome que convém aos atos subjetivos operados face à objetividade do problema” (Deleuze, 1968, p.213-14). Não basta saber, tem que aprender a fazer. O saber pode ser adquirido com a leitura e assimilação das informações. O aprender a fazer é a busca pela unidade da representação, pela universalidade dos conceitos, pelo uso correto da razão, pela boa vontade do pensamento e do pensador, é a prática da filosofia maior. A filosofia menor não combate as relações de força aglutinadoras da repetição do mesmo problema, das mesmas soluções. A filosofia menor é, assim, uma política de resistência aos padrões instituídos do filosofar, do aprender e do ensinar. O ensino da filosofia vinculam-se a esse modo de filosofar.