Páginas

sexta-feira, 31 de março de 2017

Serviço de Assistência Social no Brasil !





A criação e implementação de políticas de Serviço de Assistência Social é um dever do Estado e um direito de todos, principalmente nos países que apresentam enormes desigualdades socioeconômicas. Esta é uma visão de mundo, que esteve presente no Brasil nos últimos 14 anos, até 2015. É uma visão Social Democrata, onde o Estado promove políticas que geram o bem estar social da população. Com o impeachment da presidente Dilma, o novo governo do presidente Michel Temer assume uma postura Neoliberal e corta recursos financeiros da área de Assistência Social, pois acredita que o Estado não é responsável por promover políticas que geram o bem estar social da população, é outra visão de mundo, oposta, que teve início em 2016 e está presente em 2017.
A área de Serviço de Assistência Social no Brasil vive um processo de desmonte, ou seja, um retrocesso nas suas políticas públicas. E tudo tem início, na falta de definição política do Estado brasileiro. O que é o Brasil? Um Estado Social Democrata ou um Estado Neoliberal? Estas são as duas visões de mundos que se chocam no Brasil e influenciam a vida cotidiana de todos os cidadãos, pois são responsáveis pela definição das políticas públicas do Estado.
A formação de uma visão de mundo no ocidente tem origem na filosofia, em Sócrates, criador da filosofia ocidental, edificação da vida humana sobre a base da reflexão e do saber (visão de si do espírito). Em Platão, a consciência filosófica estende-se à totalidade do conteúdo da consciência humana, dirige-se não apenas aos objetos práticos, aos valores e virtudes, mas também ao conhecimento científico (visão de si do espírito). Em Aristóteles, concentrado no conhecimento científico e em seu objeto o SER. A essência das coisas, a contingência e os princípios últimos da realidade (visão de mundo). Com os Estoicos e Epicuristas, pós-aristotélica, a filosofia torna-se novamente autorreflexão do espírito. Um estreitamento da concepção socrático-platônica, apenas as questões práticas entram no campo visual da consciência filosófica. Segundo Cícero, a filosofia aparece como mestra da vida, inventora das leis, instrutora de toda virtude, ou seja, filosofia da vida.
Na Idade Moderna, com Descartes, Espinosa e Leibniz a filosofia tem uma concepção aristotélica, busca um conhecimento objetivo do mundo tal como é (visão de mundo). Em Kant a filosofia tem uma concepção platônica, um caráter de autorreflexão de visão de si do espírito. Uma autorreflexão universal do espírito, como reflexão da pessoa culta a respeito de todo o seu comportamento valorativo (visão de si do espírito).
No século XIX os sistemas do idealismo alemão, em Schelling e Hegel, revive o tipo aristotélico de filosofia (visão de mundo). Está presente no materialismo e positivismo, a filosofia assume um caráter puramente formal, metodológico. Existe uma busca de uma metafísica indutiva, empreendida por Hartmann, Wundt e Driesch, uma filosofia da intuição encontrada em Bergson e a moderna fenomenologia em Husserl e Scheler. E estamos ainda em meio a estes movimentos.
Em Essência Há Dois Elementos da Filosofia: 1 – A filosofia como visão de mundo – o macrocosmo. 2 – A filosofia como visão de si do espírito – o microcosmo. E a totalidade dos objetos pode referir-se tanto ao mundo exterior quanto ao mundo interior. Assim chega-se a definição da Essência da Filosofia: Segundo Johannes Hessen, “a filosofia é a tentativa do espírito humano de atingir uma visão de mundo, mediante a autorreflexão sobre suas funções valorativas teóricas e práticas.”
E é a partir da filosofia grega, que se constrói uma visão de mundo ocidental, fortemente influenciada posteriormente pelo liberalismo protestante, que teve as suas origens não somente no pensamento religioso, mas também na filosofia moral de Kant. Com o surgimento do capitalismo, após o feudalismo, que se tornou hegemônico no mundo ocidental, estabeleceu-se uma conduta liberal, que é a ética predominante. Geradora de uma concentração de renda brutal na mão de 1% da população a nível global. O sentido e significado de tudo isso é apenas a manutenção do poder nas mãos de poucos, que não se sentem comprometidos com a sociedade. É uma distopia social por ser a causa da geração e manutenção de problemas sociais, e esta é uma das visões de mundo que combate o capitalismo.
Para se ter um equilíbrio social faz-se necessário a construção de um modelo econômico sustentável, o que não é permitido pelo capitalismo em face de suas contradições internas existentes na sua maneira de ser. Representa a maior causa da crescente desigualdade socioeconômica presente no mundo. Inviabilizando políticas sociais do Estado.
O Estado das nações tem um papel relevante e fundamental na criação e implementação de políticas públicas com vistas a tornar a sociedade mais justa. A iniciativa privada tem a responsabilidade de promover soluções para os problemas sociais, em parceria com as políticas públicas do Estado. Esta é uma visão de mundo oposta ao capitalismo. Que tem origem com a dialética de Hegel, onde Marx sugere uma antítese à tese do liberalismo, através de uma interpretação social, que destaca o conflito de classes no capitalismo, e sugere a criação do comunismo, que veio influenciar na formação do Estado Social Democrata. Forma altamente sofisticada que tem como premissas o bem estar e a justiça social, através de políticas públicas implementadas por um Estado forte.
O mundo, que ainda não existe, pode ser criado, a realidade vigente pode ser transformada, na medida em que os valores presentes na sociedade sejam revistos e trabalhados para atenderem as necessidades da população mais carente e marginalizada.
Fechar os olhos para os problemas sociais e priorizar o lucro sem responsabilidade social é fechar os olhos para um futuro sustentável. Com a manutenção do atual status quo, será inviável do ponto de vista político governar as sociedades, as demandas sociais terão tamanha dimensão, que fomentarão as revoltas e os distúrbios sociais, chegará a um ponto que haverá desobediência civil e a sociedade rumará para a barbárie. Será a instauração do caos social, a decadência da sociedade contemporânea. Para evitarmos tal destino, a Política de Serviço de Assistência Social passa a ser um dever de todos, para a materialização de um modelo econômico sustentável, aquele que seja comprometido com as questões sociais.
A solução dos problemas sociais em um país passa pela participação política da população, pelo voto nas eleições de seus representantes, pela vigilância, acompanhamento e cobrança das autoridades presentes nos três poderes do Estado, o executivo, o judiciário, legislativo e a escolha democrática de uma visão de mundo político-econômica que defina o papel do Estado na sociedade. Todo processo se materializa dialeticamente ao longo da história, criando utopias e permitindo a realização do novo. Assim, surge a esperança nos escombros do passado.




Postar um comentário