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sexta-feira, 10 de março de 2017

A Globalização e a Antiglobalização !




         Segundo Zygmunt Bauman, “globalização é o destino irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos afeta a todos na mesma medida e da mesma maneira.”
         Também podemos dizer que: “A antiglobalização é o destino irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos afeta a todos na mesma medida e da mesma maneira.”
         Estamos diante do movimento pendular da história humana, é o processo dialético social presente na história. A pergunta que devemos fazer é: “Por que as sociedades maduras estão preferindo adotar uma postura mais fechada, protecionista e excludente?”.
         É a escolha por um caminho que possibilite a manutenção de um bem estar social, em risco pelo movimento globalizado do capital, que migra para as regiões do globo que oferecem maior retorno em curto prazo. O capital não tem nenhum compromisso social, apenas busca se multiplicar ao longo do tempo.
         O que está em jogo não é a globalização ou a antiglobalização, o que está em jogo é a vida das pessoas, que dependem de trabalho, de renda para poderem garantir um bem estar. E qual é o fim último do trabalho? Para que o Homem se movimenta ao longo de sua vida?
         São questões que reverberam na política, gestores políticos fortes serão aqueles que defenderem políticas que priorizem a ampliação e a manutenção do bem estar social. Qual é o papel do Estado? Para que servem os impostos pagos pelos cidadãos? O que mais quer os eleitores?
         O que o eleitor mais espera do Estado é a ampliação e manutenção de direitos sociais. Saúde, educação, previdência social, direitos trabalhistas, etc. E todos estes direitos têm um custo, que é financiada pela atividade econômica presente no país de sua população.
         Quando uma população prefere o protecionismo em troca do mercado aberto é porque tem a consciência de que estão em risco suas conquistas de direitos sociais.
         Segundo Zygmunt Bauman, “uma parte integrante dos processos de globalização é a progressiva segregação espacial, a progressiva separação e exclusão.”
         Ou seja, a globalização gera a antiglobalização, na medida em que inclui uma parcela da sociedade, grande parte da sociedade torna-se excluída do processo de desenvolvimento econômico.
         Torna-se uma falácia os benefícios de curto prazo da globalização, por ser incapaz de evitar os processos de desindustrialização e perda de empregos de populações em países menos competitivo, para os países mais competitivos que não têm uma estrutura de bem estar social voltado para a sua população.
         A antiglobalização é um movimento dos povos que buscam manter e ampliar os direitos e conquistas sociais. É a luta pela sobrevivência digna em seu país, fazendo valer os impostos que pagam para a manutenção do Estado e suas políticas sociais.
         O risco segundo Zygmunt Bauman está em: “Uma causa específica de preocupação é a progressiva ruptura de comunicação entre as elites extraterritoriais cada vez mais globais e o restante da população, cada vez mais localizada.”
         Ou seja, as populações locais não se sentem representadas e nem têm os seus interesses defendidos pelas elites extraterritoriais cada vez mais globais. E, quem muitas vezes financia as campanhas políticas nos países, são as elites extraterritoriais, que não se sentem comprometidas com os problemas das populações locais.
         O movimento presente das populações locais é a busca de uma ruptura com o modelo da globalização vigente e a defesa de seus próprios interesses via eleição de seus representantes locais. Não é apenas um movimento populista, mas um movimento nacionalista, que está em curso, e que cada vez mais ganha força. Na medida em que houver uma maior precarização da qualidade de vida e bem estar social, haverá um movimento contrário, pela sobrevivência e manutenção de direitos.
         Fonte:
         Zygmunt Bauman – Globalização – As Consequências Humanas.





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