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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Precarização do Mundo do Trabalho !



        

        O Homem foi criado para submeter à terra e dominar todo ser vivente. A ação humana que possibilita este domínio humano é o trabalho, que existe com vistas a sua própria sobrevivência.
O domínio do homem sobre os demais seres viventes não deve todavia ser despótico e destituído de bom senso; pelo contrario ele deve cultivar e guardar. O trabalho deve ser honrado porque fonte de riqueza ou pelo menos condições de vida decorosas e, em geral, é instrumento eficaz contra a pobreza (cf. Pr 10, 4), mas não se deve ceder à tentação de idolatrá-lo, pois que nele não se pode encontrar o sentido último e definitivo da vida. (COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, 2004, p. 91-92)

         Devemos refletir como o trabalho é compreendido no mundo capitalista, fonte de riqueza, mas também injustiça, incapaz de viabilizar condições de vida decorosa, pois a justiça que precede o lucro não é priorizada. O mundo vive uma onda perigosa do capitalismo, o neoliberalismo que minimiza a importância do papel do Estado, que tem a função de promover a justiça social ao regular às relações do capital e do trabalho. O Homem trabalha para servir ao capital, ou trabalha para ser servido pelo capital ? “O curso da história está marcado por profundas transformações e por exaltantes conquistas do trabalho, mas também pela exploração de tantos trabalhadores e pelas ofensas à sua dignidade.” (COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, 2004, p. 94)
         No mundo contemporâneo a humanidade vive o problema da exploração dos trabalhadores, que mal são remunerados o suficiente para manterem uma qualidade de vida digna. A causa é a nova organização do trabalho, de matriz capitalista, e quando não a instrumentalização ideológica, socialista e comunista, das justas reivindicações do mundo do trabalho. Os danos e as injustiças prejudicam a vida social no interior de cada uma das nações e no plano internacional. “O trabalho, com efeito, chave essencial de toda a questão social, condiciona o desenvolvimento não só econômico, mas também cultural e moral, das pessoas, da família, da sociedade e de todo o gênero humano.” (COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, 2004, p. 95)
         O trabalho não deve ser tratado como uma simples mercadoria ou um elemento impessoal da organização produtiva, mas um meio para a afirmação da expressão essencial da pessoa.
Qualquer forma de materialismo e de economicismo que tentasse reduzir o trabalhador a mero instrumento de produção, a simples força de trabalho, a valor exclusivamente material, acabaria por desnaturar irremediavelmente a essência do trabalho, privando-o da sua finalidade mais nobre e profundamente humana. A pessoa é o parâmetro da dignidade do trabalho: Não há dúvida nenhuma, realmente, de que o trabalho humano tem um seu valor ético, o qual, sem meios termos, permanece diretamente ligado ao fato de aquele que o realiza ser uma pessoa. (COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, 2004, p. 96)

            Qual seria então o caminho mais justo? Entender que a pessoa humana é mais importante que o trabalho, criar condições para que o trabalho esteja a serviço do Homem, rever a ética fundante da relação capital e trabalho. O trabalho ético possui uma função social, promove a justiça e minimiza os conflitos sociais. “O trabalho, pelo seu caráter subjetivo ou pessoal, é superior a todo e qualquer outro fator de produção: este princípio vale, em particular, no que tange ao capital.” (COMPÊNDIO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA, 2004, p. 97)
         O que humaniza o Homem é a finalidade que este mesmo Homem dá a sua própria vida. O capital pode tratar o Homem como mercadoria e submeter o Homem ou o Homem pode se colocar como prioridade e submeter o capital. Assim podemos refletir, o Homem é uma coisa ou uma derivação do SER, que pode transcender a sua própria existência? Somos racionais com capacidade sensível de transformar e construir a sua própria realidade através do trabalho. Assim, podemos construir uma nova relação do capital e trabalho, onde há direitos e deveres do Homem.





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