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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Conhecer a Deus pelo Pensamento e Contemplação !

 
         Segundo Aristóteles, “a inteligência pensa a si mesma capitando-se como inteligível: com efeito se torna inteligível intuindo e pensando a si, de modo que inteligência e inteligível coincidem. A inteligência tem capacidade e posse daquilo que tem de divino, e a atitude de contemplação é aquilo que existe de mais agradável e de mais excelente.”
         A inteligência humana é um fragmento do divino, mas para aceitarmos tal possibilidade é necessário acreditar na existência de Deus, para que aceitemos que o homem tem a capacidade de ter um pensamento e uma atitude contemplativa para com Deus.
         A Metafísica de Aristóteles articula o problema do divino. Aristóteles sugere uma das primeiras demonstrações racionais da existência de Deus e da sua natureza. Para Aristóteles, “existe algo que sempre se move como movimento contínuo. Portanto, há também algo que move. E, uma vez que isso que é movido e move é um termo intermédio, deve existir, como consequência, algo que mova sem ser movido e que seja substância eterna e ato”.
         Para explicar a existência de Deus, Aristóteles parte do movimento, que “toda forma de movimento explica-se com um princípio motor, que é justamente sua causa. A forma de movimento mais perfeita é a dos céus, que é um movimento contínuo e eterno. Mas, como todo outro movimento, ele deve ter um princípio que por sua vez não é movido, o qual, pra produzir movimento eterno, deve ser eterno, e, para produzir movimento sempre contínuo, deve estar sempre em ato. E este é justamente Deus, que é vida pura, vida de inteligência que pensa a si mesmo, Deus é suma beleza, sumo bem.”
         Para o mundo antigo, a possibilidade de acreditar na existência de um único Deus ainda não revelado aos gregos, mas uma concepção racional do esforço intelectual do Homem representa um avanço para a época, que veio influenciar profundamente o cristianismo na Suma Teológica de São Tomaz de Aquino, quando Aristóteles é cristianizado.
         Perceba que a concepção de Deus pelos gregos, ainda não é a concepção de um Deus que se revela, se relaciona, é ciumento e cobra uma correspondência por parte do Homem, conforme o Deus de Abraão, de Moisés, da Bíblia Sagrada. Mas um Deus percebido pela contemplação racional do intelecto humano.

“Se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo.”
(Voltaire)
 
 
 
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