Páginas

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O que é o Filosofar, faz sentido ?





         Filosofar é constantemente querer saber. O filósofo persiste, insiste e não desiste. Jamais acomoda e aceita a verdade de forma passiva. Questiona ao ponto de levantar todas as hipóteses e todas as suspeitas. As respostas não são evidentes, devem estar fundamentadas, argumentadas, logicamente construídas. O filósofo combate a precipitação, o imediato, as evidências do senso comum.
         O filósofo tem que ser um intérprete da realidade. Pois a realidade é ambígua, apresenta vários significados possíveis. Nada é o que parece, e a realidade raramente é transparente e linear. O filósofo tem que espiar, interpelar, levantar questões.
         Para interpretar, o filósofo procura a universalidade, ou seja, a totalidade dos objetos e do sujeito. Tudo o preocupa, toda a vida, toda a ação. Compreender o todo implica distanciamento, abstração e descentralização.
         O filósofo trabalha com todo o seu ser todo o seu pensamento, sente e expressa sua inquietação. As questões da filosofia não são hipóteses científicas, nem exercícios de abstração. Resultam de uma inquietação e de uma procura. Interrogamos, estremecemos e inquietamos perante a verdade, a vida, a morte, a dor, o reconhecimento, a história, o amor. Pensar, querer e julgar não são exteriores a nós. A filosofia e a vida estão ligadas, e, por vezes, demasiado ligadas.
         Por mais concreto que seja um problema, só o tratamos filosoficamente se o abordarmos metodicamente com a maior generalidade possível. Na interpretação filosófica, estão em evidência o observador e o observado. A filosofia forma uma rede de conclusões interdependentes. A necessidade de sistematização surge tanto no âmbito prático como no teórico. A consciência e a coerência da filosofia brotam do pensamento sistemático.
         No plano teórico, devemos correlacionar as ideias se queremos que elas tenham impacto. Como forma de conhecer e reconhecer, a filosofia torna-se vital, levando-nos a responder a questões fundamentais. Para ser esclarecedora, a filosofia deve usar uma linguagem já reconhecida e ligar-se a interpretações anteriores.
         Orientamo-nos por ideias que nos foram comunicadas pela cultura. Interpretamos o mundo conforme a ciência e o senso comum, com raízes profundas no passado. Julgamos e decidimos segundo princípios morais que a sociedade nos transmitiu. Nossas ações e decisões terão efeitos nos corredores do futuro. Por isso sabemos que a historicidade está presente na compreensão filosófica.
         A filosofia não é uma falácia, no presente ela conecta o Homem com o passado e o projeta para o futuro, na medida em que cria utopias e desconstrói distopias. Uma sociedade só caminha, a partir da esperança que tem para com o futuro. E que futuro é esse ? É o futuro que pode ser construído com ações práticas no presente, e que estejam sendo iluminadas por uma crítica filosófica.
         Fonte:
         HENRIQUES, Mendes / Nazaré Barros. Olá, Consciência ! Uma viagem pela filosofia – É Realizações Editora – São Paulo – SP, 2013.




domingo, 16 de abril de 2017

As Democracias da América Latina !




         A América Latina está dividida, parte da população não se sente representada pelos governos vigentes que estão no poder. A causa está na incapacidade de atendimento das demandas sociais. Há uma desilusão com a política, e poucas alternativas para mudar a realidade.
         O que o eleitor pode esperar para as futuras eleições ? Caso a democracia continue sendo o modelo político de cada país. O futuro líder político dos países democráticos terão que defender maiores direitos para os cidadãos, através de governos mais transparentes, sem corrupção, que forneça boa educação, saúde, desenvolvimento econômico que gere emprego e renda. Uma sociedade que funcione com justiça social, distribuição de renda, diminuição da miséria e pobreza.
         Estas demandas sociais não fazem parte de uma ideologia, seja de esquerda ou de direita, são as necessidades básicas, os direitos dos cidadãos que vivem em um regime democrático.
         Qual é o fim do Estado em um regime político democrático ? Promover o bem comum e atender as demandas da população. Ou seja, se colocar serviço do povo na solução de problemas. E o que falta para o Estado cumprir a sua missão ?
         Falta boa gestão, eficiência, transparência para ser eficaz. Os impostos não são fonte de renda inesgotável para a manutenção de Estados perdulários, da mesma forma que cada cidadão vive de acordo com a capacidade de sua renda, o Estado deve viver de acordo com a sua receita tributária. A manutenção de déficits fiscais sucessivos por parte do Estado é a fonte de instabilidade política e social. Pois, a falta de recursos financeiros provoca o recuo das políticas sociais que atendem as demandas da sociedade.
         A terceira via para a construção de um Estado sustentável, desejado e querido pelo povo, está no equilíbrio fiscal e a consolidação de políticas sociais que tenham fontes de financiamento perene.
         Fazer política custa dinheiro, e a origem do recurso está no imposto que cada cidadão paga, que é limitado. Assim, o eleitor tem que fiscalizar e determinar ao Estado onde aplicar o recurso financeiro proveniente do imposto. Eliminar o déficit público, e parar de pagar juros exorbitantes para o sistema financeiro.
         A nova consciência política que cada cidadão, eleitor deve ter é a consciência de uma gestão eficiente dos recursos públicos destinados ao Estado, para a manutenção de uma democracia sustentável e equilibrada. A transformação passa pela ação popular, seja no voto, seja na manifestação e na pressão sobre os políticos por organismos não governamentais.
         A esperança está na ação, sem ação não há esperança.



Revolução Política no Brasil !





         Está na hora da sociedade brasileira substituir a classe política, por novas lideranças e novos representantes. Grande parte dos políticos do presente no Brasil está envolvida com corrupção na defesa de interesses pessoais, não representam o povo que os elegeu.
         A saída é uma reforma política, a ser feita por políticos sérios, que não estejam envolvidos com escândalos e propinas. A formação de uma Assembleia Constituinte, com a função específica de se fazer a reforma política, eleita diretamente pelo povo.
         O Estado brasileiro tem a capacidade de fazer uma eleição rápida, utilizar as urnas eletrônicas e criar um momento para a materialização de um novo projeto político para o Brasil, com uma revolução política.
         O caminho é a mudança, a velha política está morrendo e se tem a possibilidade do surgimento do NOVO, mais transparente, mais eficiente, mais eficaz, mais representativo, comprometido com os interesses do povo brasileiro.
         Vivemos um momento dialético, a tese dos anos noventa, final do século XX, foi contraposta com a antítese do início do século vinte um, e neste momento, com todas as denúncias da investigação da Lava Jato, estamos na eminência do surgimento de uma síntese.
         A síntese é o NOVO, que está em conformidade com os interesses do CIDADÃO BRASILEIRO, o eleitor. Este é o fruto do processo político democrático. A nova relação dos representantes do povo com eleitor deve nascer na política, mais fiscalizada, mais cobrada, mais competente.
         A esperança de se ter uma política melhor no país está nas mãos do povo, este deve se manifestar e propor a Assembleia Constituinte, lutar pelo direito de construir o próprio futuro, porque um político corrupto não me representa, e acredito que não representa a maioria do povo brasileiro. Devemos buscar a mudança política para o país, a partir de novos representantes do povo.
         A melhor forma de ter um futuro melhor é construir o futuro com as próprias mãos. O futuro do Brasil deve nascer pelas mãos do povo brasileiro.

“Fazemos nossos caminhos
e lhes chamamos destino.”
(Benjamin Disraeli)




sexta-feira, 14 de abril de 2017

Angela Davis e a Justiça Social, um olhar para todos !




Angela Davis, filósofa, professora emérita do departamento de estudos feministas da Universidade da Califórnia, ícone da luta pelos direitos civis e ativista do Partido Comunista dos Estados Unidos.
Sua militância política busca promover a justiça social como um caminho para a construção de uma sociedade melhor. Questiona a visão ortodoxa da esquerda sobre a classe, onde na verdade podem existir subclasses conforme a raça e o gênero. Podemos analisar a classe trabalhadora composta por homens e mulheres, brancos, negros e imigrantes, onde forma-se uma pirâmide social que vai do maior até o menor acesso aos direitos civis. Inicialmente segue esta ordem: 1ª Homem Branco, 2ª Mulher Branca, 3ª Homem Negro, 4ª Mulher Negra, 5ª Homem Imigrante, 6ª Mulher Imigrante.
“...As organizações de esquerda têm argumentado dentro de uma visão marxista e ortodoxa que a classe é a coisa mais importante. Claro que classe é importante. É preciso compreender que classe informa a raça. Mas raça, também, informa a classe. E gênero informa a classe. Raça é a maneira como a classe é vivida. Da mesma forma que gênero é a maneira como a raça é vivida. A gente precisa refletir bastante para perceber as intersecções entre raça, classe e gênero, de forma a perceber que entre essas categorias existem relações que são mútuas e outras que são cruzadas. Ninguém pode assumir a primazia de uma categoria sobre a outra...”
A realidade social presente nos Estados Unidos da América não é diferente do Brasil, na América Latina. Podemos fazer as seguintes perguntas: Qual é a população que mais sofre com a violência urbana? Como está definida a posição da mulher na sociedade brasileira, especialmente da mulher negra? E o estrangeiro, como vive no Brasil?
Os movimentos progressistas no Brasil, que trabalham para promover a justiça social no país, devem rever o conceito de classe e perceber as subdivisões existentes conforme a raça e o gênero, e o acesso aos direitos civis. Segundo os grupos étnicos no Brasil (Censo de 2010) existem: Brancos (47.51%). Pardos (43.42%). Pretos (7.52%). Amarelos (1.1%). Indígenas (0.42%). Onde a mulher é subjugada pelo homem e os direitos civis não se materializam de forma igualitária.
O movimento feminista negro nos Estados Unidos pode contribuir para a revisão de conceitos, e ampliar a visão de mundo sobre a posição da classe trabalhadora na sociedade, quanto ao gênero e a raça. Iniciamos o século XXI, e já não é eticamente e moralmente aceita a presença de uma injustiça social velada, pouco divulgada e combatida, que privam os sujeitos de seus direitos civis, conforme a sua raça e gênero. Um mundo melhor só pode existir com uma sociedade mais justa e igualitária, onde os direitos civis são iguais para todos. O equilíbrio e a sustentabilidade buscados pelas sociedades do presente passam por uma sociedade justa, que garanta os direitos civis de todos os cidadãos. Seremos a medida de todas as coisas, na medida em que soubermos o que queremos ser. A realidade factível será uma representação nossa, que parte de uma visão de mundo.