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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Início da Derrocada do Brasil !




         A partir de 1945 até o golpe de 1964. Nessas décadas apresentavam-se basicamente três estratégias para o desenvolvimento nacional: o liberalismo ortodoxo, o desenvolvimentismo nacionalista e o nacionalismo radical. A primeira afirmava que: o livre mercado deveria ser o principal regulador da economia; os orçamentos governamentais teriam de ser equilibrados; a participação do capital internacional na economia do país deveria ser ampliada, reduzindo-se ao mínimo as limitações impostas ao seu movimento. A segunda afirmava que o livre funcionamento do mercado causaria empecilhos à industrialização do Brasil e que a estratégia correta seria a implantação de uma economia mista, com ampla participação do Estado, rompendo os pontos de estrangulamento da economia – em especial no campo dos transportes, siderurgia e energia – e que o capital estrangeiro, atuante no país, deveria sofrer um controle pelas autoridades. A terceira, identificando no imperialismo o principal responsável pela espoliação da riqueza nacional e considerando o capital estrangeiro como um entrave ao desenvolvimento industrial do Brasil, propunha o controle total do Estado sobre a atividade econômica.
         A política econômica de Vargas, que em 1951 retornara democraticamente ao poder, ora pendia para a linha ortodoxa-liberal, ora para o desenvolvimentismo-nacionalista, conforme o jogo de forças políticas que o apoiavam. Com o seu suicídio (1954) abre-se uma crise em que o liberalismo ortodoxo sai fortalecido no governo de Café Filho (1954-1956). Por sua vez, o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), embora apresentasse uma plataforma nacional-desenvolvimentista, abriu a economia ao capital estrangeiro, favoreceu a importação de bens de capital e a movimentação de capitais externos associados ao nacional. Em 1961 inicia-se o governo de Jânio Quadros que renuncia após sete meses. João Goulart assume a presidência e divulga, no ano seguinte, um plano de desenvolvimento de caráter mais nacionalista – elaborado por Celso Furtado. As Reformas de Base que começavam a ser implantadas, afetando as remessas de lucro de multinacionais, a revisão das concessões governamentais na área de mineração, a nacionalização das refinarias particulares de petróleo e a implementação da Reforma Agrária – mesmo reclamadas com grande mobilização popular e inscrevendo-se no quadro do nacional desenvolvimentismo - geram forte instabilidade política. Para o PCB seria uma das etapas no avanço da luta pelo socialismo e imaginavam que a defesa tática dos interesses do capital nacional levaria os empresários a apoiar as reformas. Entretanto, o empresariado preferiu não se opor ao movimento golpista, organizado por forças em que despontavam o capital internacional e os latifundiários – com apoio dos Estados Unidos.
         Existem no Brasil duas visões de mundo, uma visão social que busca o desenvolvimento do Brasil com justiça social, inclusão das minorias e dos excluídos e uma visão neoliberal que privilegia o capital estrangeiro, os bancos, os empresários em detrimento da sociedade brasileira, dos trabalhadores de todas as classes e do Estado de Direito.
         As reformas propostas pelo atual presidente do Brasil, Michel Temer, é a antítese da tese de um governo popular, se a esquerda quiser ser compreendida pelo povo brasileiro deve formular uma síntese, mostrar o movimento dialético da história brasileira, e a partir de um ponto propor uma nova agenda política econômica para o Brasil.
         As questões do séc. XXI que estão em aberto são: Justiça Social, Economia Sustentável, Meio Ambiente, Saneamento Básico, Trabalho, Renda, Educação, Moradia, Saúde, Direitos Sociais, etc. Muitas das conquistas sociais sofrerão um retrocesso por parte do governo atual, o que permitirá uma reflexão da sociedade brasileira sobre a legitimidade do atual governo. Criando a possibilidade democrática de uma reversão política no país. Será nas urnas que o povo irá definir o rumo do país, e não apenas a opinião de uma minoria descomprometida com o bem estar social da nação. O Brasil caminha dialeticamente por duas visões de mundo, uma progressista ávida por mudanças e uma conservadora que não quer abrir mão dos privilégios pagos pelo contribuinte.
         O futuro do Brasil está na ação presente que os movimentos progressistas fizerem em prol de um Brasil mais justo e livre para se autodeterminar em todas as dimensões da vida, seja na religião, política, economia, sociedade, cultura, educação. 
         O ISEB, Instituto Superior de Estudos Brasileiro, criado em 1955, era um núcleo de assessoria ao Governo Federal, subordinado ao Ministério da Educação e Cultura. Tinha como finalidade ser um centro permanente de estudos políticos e sociais de nível pós-universitário que tem por finalidade o estudo, o ensino e a divulgação das ciências sociais, notadamente da sociologia, da história, da economia e da política, especialmente para o fim de aplicar as categorias e os dados dessas ciências à análise e compreensão crítica da realidade brasileira visando à elaboração de instrumentos teóricos que permitam o incentivo e a promoção do desenvolvimento nacional. O ISEB foi o principal responsável pela elaboração da estratégia econômica nacional-desenvolvimentista. Com o golpe de 1964 o ISEB é extinto.

         Nesta perspectiva, afirma Roland Corbisier: "se é verdade (...) que não há movimento revolucionário sem uma teoria de revolução, não haverá desenvolvimento sem a formulação prévia de uma ideologia do desenvolvimento nacional" (Corbisier, 1958, p.87).

Não há modelo a ser seguido, e sim um modelo a ser criado !
(Keller Reis Figueiredo)

Referências:
MANCE, Euclides André - O PENSAMENTO FILOSÓFICO BRASILEIRO E SUA CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA NO SÉCULO XX, 2009.



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