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domingo, 8 de outubro de 2017

Capitalismo Social !




         O terceiro milênio, para ser sustentável, cobra uma manifestação mais ampla do capitalismo vigente, não basta gerar lucro e emprego sem um compromisso social, deve eliminar a injustiça social. A criação de riqueza e a manutenção dela se manifestam pelo fruto do trabalho.
“O trabalho deve ser honrado porque fonte de riqueza ou pelo menos condições de vida decorosas e, em geral, é instrumento eficaz contra a pobreza, mas não se deve ceder à tentação de idolatrá-lo, pois que nele não se pode encontrar o sentido último e definitivo da vida. Vivemos o problema da exploração dos trabalhadores, consequência da nova organização do trabalho, de matriz capitalista, e o problema, não menos grave, da instrumentalização ideológica, socialista e comunista, das justas reivindicações do mundo do trabalho.” (RERUM NOVARUM, de Leão XIII)
         Por qual caminho devemos seguir?
         A sociedade deve buscar um modelo econômico que respeite a liberdade humana, a livre iniciativa, que esteja comprometida com a eliminação da injustiça social, ou seja, o surgimento de um capitalismo social. Onde o fim do trabalho, da geração de riqueza seja a busca da justiça social. A sustentabilidade do futuro passa pela por uma ética social justa.
“A Rerum Novarum é antes de tudo uma vívida defesa da inalienável dignidade dos trabalhadores, à qual anexa a importância do direito de propriedade, do princípio de colaboração entre as classes, dos direitos dos fracos e dos pobres, das obrigações dos trabalhadores e dos empregadores, do direito de associação. As orientações ideais expressas na encíclica reforçam o empenho de animação cristã da vida social, que se manifestou no nascimento e na consolidação de numerosas iniciativas de alto caráter civil: uniões e centros de estudos sociais, associações, sociedades operárias, sindicatos, cooperativas, bancos rurais, seguros, obras de assistência. Tudo isto deu um notável impulso à legislação do trabalho para a proteção dos operários, sobretudo das crianças e das mulheres; à instrução e à melhora dos salários e da higiene.” (RERUM NOVARUM, de Leão XIII)
         O trabalho é a atividade do homem capaz de mudar das condições técnicas, culturais, sociais e políticas. Pode ser um importante instrumento na manifestação da justiça social. O homem não pode ser reduzido a apenas um objeto, tratado como uma coisa, mas sim como um ser humano, imagem e semelhança de Deus.
“A subjetividade confere ao trabalho a sua peculiar dignidade, que impede de considerá-lo como uma simples mercadoria ou um elemento impessoal da organização produtiva. O trabalho, independentemente do seu menor ou maior valor objetivo, é expressão essencial da pessoa. Qualquer forma de materialismo e de economicismo que tentasse reduzir o trabalhador a mero instrumento de produção, a simples força de trabalho, a valor exclusivamente material, acabaria por desnaturar irremediavelmente a essência do trabalho, privando-o da sua finalidade mais nobre e profundamente humana. A pessoa é o parâmetro da dignidade do trabalho: Não há dúvida nenhuma, realmente, de que o trabalho humano tem um seu valor ético, o qual, sem meios termos, permanece diretamente ligado ao fato de aquele que o realiza ser uma pessoa. A dimensão subjetiva do trabalho deve ter a preeminência sobre a objetiva, porque é aquela do homem mesmo que realiza o trabalho, determinando-lhe a qualidade e o valor mais alto. Se faltar esta consciência ou se não se quiser reconhecer esta verdade, o trabalho perde o seu significado mais verdadeiro e profundo: neste caso, lamentavelmente frequente e difundido, a atividade trabalhista e as mesmas técnicas utilizadas se tornam mais importantes do que o próprio homem e, de aliadas, se transformam em inimigas da sua dignidade. O trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho” (RERUM NOVARUM, de Leão XIII)
         O trabalho humano possui uma dimensão social. Trabalhar é um trabalhar com os outros e um trabalhar para os outros. O trabalho, portanto, não se pode ser avaliado equitativamente se não se leva em conta a sua natureza social. O capital e o trabalho, a atividade humana não pode produzir os seus frutos se não pode ela ser com justiça, nem ser avaliada nem remunerada equitativamente, se não se tem em conta a sua natureza social e individual.
“O trabalho se perfila como obrigação moral em relação ao próximo, que é em primeiro lugar a própria família, mas também à sociedade, à qual se pertence; à nação, da qual se é filho ou filha; a toda a família humana, da qual se é membro: somos herdeiros do trabalho de gerações e ao mesmo tempo artífices do futuro de todos os homens que viverão depois de nós.” (RERUM NOVARUM, de Leão XIII)
         O capital social indicar a capacidade de colaboração de uma coletividade, assim deve ser a nova ética do Capitalismo Social. O trabalho tem uma prioridade intrínseca em relação ao capital: Este princípio diz respeito diretamente ao próprio processo de produção, relativamente ao qual o trabalho é sempre uma causa eficiente primária, enquanto que o “capital”, sendo o conjunto dos meios de produção, permanece apenas um instrumento, ou causa instrumental. Quem está em primeiro lugar? O Ser Humano ou o Capital?
“Entre capital e trabalho deve haver complementaridade: é a mesma lógica intrínseca ao processo produtivo a mostrar a necessidade da sua recíproca compenetração e a urgência de dar vida a sistemas econômicos nos quais a antinomia entre trabalho e capital seja superada. De nada vale o capital sem o trabalho, nem o trabalho sem o capital.” (RERUM NOVARUM, de Leão XIII)
         Com a robotização, o avanço da informática e a internet, o trabalhador está sendo tratado como um objeto, uma coisa, a ser eliminada como um custo desnecessário. Estamos criando uma sociedade alienada do mundo do trabalho, que será marginalizada e sofrerá a injustiça social. O capitalismo social tem que está comprometido com o Ser Humano, o trabalho tem que promover a dignidade humana, ser capaz de suprir a necessidades do Homem e construir uma sociedade justa em todos os aspectos, religioso, político e econômico. O futuro existe a partir do presente que construímos, cabe a nós escolhermos o que queremos ser.




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