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quarta-feira, 24 de julho de 2019

O Modo Híbrido de Ser do Brasil !


         O Brasil é um país com maioria pobre, que precisa crescer e distribuir a renda para ser socialmente justo para com o seu povo. Como cumprir este dever cívico, em uma economia liberal ? A realidade se impõe, para que uma economia liberal de viés capitalista funcione, o consumo é a mola propulsora de todo o desenvolvimento. Ou seja, esta situação compromete o papel do Estado, o define como agente responsável por criar e implementar políticas públicas que viabilizem o consumo por todos, aumentando o crescimento da economia.
         Estamos diante de um paradoxo, os princípios básicos e gerais que orientam a ideologia liberal são questionados, não há como eliminar um Estado forte, que não quer dizer um Estado grande, mas um Estado democrático, com instituições fortes, que atua para o bem comum. A realidade do Brasil é esta, a maior parte da população depende de políticas públicas criadas pelo Estado, para ter a garantida de uma vida digna e viável. Esta realidade cria um modelo híbrido de ser do Estado, onde a economia é de base liberal, mas o Estado é forte e tem um importante papel a cumprir na sociedade. Embora, exista uma aparente contradição entre uma economia capitalista liberal e a presença de um Estado forte, a necessidade de atuação se faz presente.
         Não existe uma sociedade sem Estado, a ausência do Estado se converte em uma anarquia, o que se deve ter claro é o papel do Estado em uma sociedade econômica. O Estado é o mediador de interesses, através de seus poderes busca a justiça e o bem comum, via políticas públicas. A saída de uma profunda crise econômica não é rápida, os passos a serem dados têm que trazer esperança para todos. Só assim, adquire-se estabilidade social, a união da população e a compreensão da forma de ver o mundo por parte dos nossos líderes políticos.
         Se me perguntarem, com qual país o Brasil terá semelhança ? A partir da realidade que está sendo imposta, estaremos mais próximos do modelo Inglês. Um país democrático, com instituições fortes, forte atuação do parlamento, uma economia liberal, mas um Estado que se preocupa com a sua população, e faz das suas atribuições um meio para se ter justiça social. A distribuição de renda presente no Brasil não permite que tenhamos um modelo econômico 100% liberal, existem inúmeros problemas que só terão com a criação e implementação de políticas públicas de curto, médio e longo prazo. Não é a questão da defesa de uma ideologia, visão de mundo, etc. Mas é o que pode ser feito para o bem da nação. O Brasil pode ter um Estado forte e dimensionado conforme as necessidades de mercado, sem esquecer as responsabilidades para com a maior parte da população, que não é rica e tem uma renda baixa.



domingo, 21 de julho de 2019

O Enigma da Economia Brasileira !



        O Brasil foi a 9º economia no mundo em 2018, com um PIB aproximado de 2,09 trilhões de dólares. Como uma economia deste tamanho é incapaz de gerar bem estar para a sua população, e apresentar uma inércia sistêmica desde 2014? O problema é a distribuição de renda desigual, onde quase 30% da renda do Brasil estão nas mãos de apenas 1% dos habitantes do país, segunda a Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada pelo economista francês Thomas Piketty, publicada no jornal EL PAÍS, Internacional, Desigualdade Econômica.
         A pergunta que se faz é: Um país com tamanha desigualdade econômica pode apresentar um crescimento econômico sustentável de longo prazo ou está condenado a ter apenas voos de galinha? Como uma expectativa como esta pode dar segurança a um investidor de longo prazo? Façamos o seguinte exercício abstrato: Se você representasse um fundo de investimento estrangeiro com 50 bilhões de dólares disponíveis para ser aplicado em projetos qual pergunta fundamental você vai querer ter a resposta? Tenho uma sugestão: O país no qual eu vou investir o capital tem um mercado interno capaz de proporcionar uma taxa de retorno satisfatória?
         Após a implementação das reformas no Brasil, acredito que o passo mais importante será a criação de um mercado consumidor forte através de políticas públicas. Quais políticas públicas? Política salarial, maior e melhor distribuição da renda nacional, aumento do poder de compra dos salários, para assim poder existir um elevado nível de consumo, maior nível de vendas, aumento das receitas das empresas, aumento da arrecadação de impostos e melhor gestão do déficit e até superávit fiscal.
         O modelo econômico brasileiro terá uma forma híbrida de ser, liberal na base, mas ao mesmo tempo com uma importante ação do Estado, através de políticas públicas voltadas para o bem comum. Os Direitos Civis são garantidos como: As liberdades individuais, o direito de ir e vir, de dispor do próprio corpo, o direito à vida, à liberdade de expressão, à propriedade, à igualdade perante a lei, a não ser julgado fora de um processo regular, a não ter o lar violado. Mas ao mesmo tempo cada um tem compromisso com todos, e todos têm compromisso com cada um. A adoção de uma ética, que tenha princípios que fundamentam um modo de ser, que tenha como finalidade o bem comum, o bem da coletividade.
         A vida para o homem passa rápido, o que podemos deixar neste mundo é um legado para as futuras gerações, tudo o que fazemos pode estar comprometido com um fim, depende de nossas escolhas. Para se ter um país melhor para as futuras gerações, temos que ter a coragem de fazer aquilo que acreditamos, como aquilo que é necessário para bem dela, mesmo, que tenhamos restrições em acreditar em formas de pensar contrárias a nossa. Este é o jogo democrático que as sociedades livres possibilitam existir.


sábado, 20 de julho de 2019

O Caminho para Começar a Aquecer a Economia Brasileira !


 
        A economia do Brasil só atrairá os investidores para empreender, se for capaz de demonstrar o retorno sobre o capital a curto, médio e longo prazo, de forma previsível, realista e factual. E qual é a base da possibilidade de retomada do crescimento do PIB? É o aumento do consumo por parte da população, é por onde a roda da fortuna gira, onde se materializa o aumento da produção para atender a demanda em grande escala. Aumentado o consumo, aumenta a venda, aumenta a produção, aumenta o recolhimento de impostos e aumenta a geração de empregos. Porque até o momento a economia continua travada, ou seja, não sai da inércia?
         Está no momento do governo buscar ativar a economia via a renda do trabalhador. Como? Com a criação de uma política salarial para o trabalhador brasileiro, é a implantação de uma política pública que vise apresentar um programa de aumento da renda a partir da base, de forma programada e previsível, para os empresários poderem se programar e planejar. Não é apenas a defesa dos trabalhadores, mas a defesa da economia brasileira. Se não houver um aumento na capacidade de consumo pelas famílias, não haverá um aumento das vendas. Por mais investidores que existirem, disponibilidade de capital, não haverá mercado consumidor capaz de dar retorno sobre o investimento.
         A política salarial não é uma política social, mais um investimento por parte dos detentores do capital, para a formação de um mercado capaz de consumir. A população brasileira tem que ter uma sobra de capital para poder comprar bens e serviços que atendam necessidades que vão além da simples sobrevivência básica.
         Pode-se pensar que uma política salarial é a base das reformas para o Brasil, juntamente com a reforma trabalhista, reforma da previdência, reforma tributária, reforma política, reforma administrativa, dentre outras. Se o Brasil quer ser um país com uma economia liberal e próspera, um dos pilares é o elevado consumo e a elevada produção que se tornam possíveis com uma renda justa para o trabalhador brasileiro.
         Para entendermos o quanto o salário do trabalhador está defasado, tenhamos como parâmetro a seguinte informação: O salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deve ser de R$ 3.928,73. O valor é 3,94 vezes o salário mínimo em vigor no ano de 2019, de R$ 998,00. A estimativa é do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos).
         Recuperar o poder de compra do salário mínimo do trabalhador é a construção de uma sociedade mais justa, mais inclusiva, mais próspera para todos, traz segurança de retorno sobre o investimento do dono do capital. Eu, como brasileiro, sonho com este Brasil. Acredito que este é o caminho para crescer e tornar o Brasil grande para todos.


sábado, 6 de julho de 2019

O espectro ideológico do Governo Bolsonaro !



O Governo Bolsonaro e seu espectro ideológico no cenário político brasileiro: O governo Bolsonaro sobrevive com baixa popularidade, imerso a inúmeras atrapalhadas, em virtude de seu posicionamento político mais à direita e conservador, que atende aproximadamente 45% da população brasileira. Adepto a ideologia neoliberal, possibilita a materialização de três aspectos marcantes do governo, que são: a tradição, a família e a propriedade. O que demanda uma agenda de governo conservadora e até um retrocesso frente aos avanços progressistas dos governos de esquerda. O bem comum, as políticas sociais, a luta contra a injusta distribuição de renda no Brasil, a educação como um direito de todos, os direitos trabalhistas, os direitos sociais como o previdenciário, a conservação do meio ambiente, a saúde como um direito de todos são vistos como valores e ideias defendidos pela esquerda. Ou seja, o que o Governo Bolsonaro tem para entregar para a grande maioria da população? Somente a perda de direitos e o incremento de deveres que beneficiam a elite econômica vigente. Para a grande maioria da população, e até grande parte dos que o apoiam sairão perdendo nos próximos anos. As reformas planejadas e em curso só beneficiarão uma pequena elite econômica, que não tem nenhum compromisso social com a população brasileira. Mas o que faz um governo assim sobreviver? É o seu núcleo duro, com três pilares: O jurídico, o econômico e o ambiental. O jurídico tem o dever de manter o maior líder popular preso, Lula. O econômico tem como meta atender os interesses do mercado, dito bolsa de valores e grandes bancos privados. O ambiental atende os interesses da bancada do agronegócio, ao ponto de rever demarcações de terras dos índios, quilombolas, ação das ongs e destinação dos recursos financeiros do fundo da Amazônia. O cenário não é promissor, pois o núcleo duro do Governo Bolsonaro age nos bastidores, promove mudanças em diversas leis, defende uma agenda de governo liberal, sem qualquer preocupação social. Os danos e as rupturas serão profundos, na prática será o empobrecimento generalizado da população brasileira, seremos mais servis e explorados, não teremos um Estado de bem-estar, os valores de liberdade, igualdade e fraternidade durante o Governo Brasileiro não estarão presentes na sociedade brasileira. Para a maior parte da sociedade brasileira é o final do mundo, e de forma democrática só poderemos vislumbrar a mudança deste terrível cenário, com novas eleições. Só espero que até lá, o povo tenha aprendido a votar. Pois estamos diante de um governo impiedoso e sem escrúpulo para com a camada da sociedade menos favorecida.



O que significa a Reforma da Previdência proposta ?



         O que realmente representa a Reforma da Previdência? A Reforma da Previdência na maneira com que está proposta, representa, a reforma na forma do Estado financiar o sistema financeiro brasileiro, onde as empresas se valorizam em um curto espaço de tempo na bolsa de valores, e tenham ao longo de 10 anos recursos suficientes para pagar taxas de juros baixos. Pois, o mercado brasileiro estará inundado de recursos financeiros, o que provocará a baixa ainda maior dos juros. E se vier a segunda Reforma da Previdência, que é o sistema de capitalização, os bancos privados terão recursos financeiros em abundância para aplicar, a um custo baixíssimo. Ou seja, aumentaremos a concentração de renda nas mãos dos investidores financeiros, que não representam a maior parcela da população brasileira. Será mais dinheiro para endividar ainda mais o trabalhador e o aposentado, que mal conseguem sobreviver dignamente com os baixos rendimentos que têm. Na verdade, o financiamento do aumento de investimento por parte das empresas privadas virá da Reforma da Previdência, são os futuros aposentados que pagarão a conta do enriquecimento dos bancos e empresas privadas. Como no passado, que o fundo de previdência financiou o desenvolvimento do Brasil no governo da era militar. O Brasil cresce, expande o PIB, mas não divide a prosperidade com sua população, pois não existirá mais um mecanismo de distribuição de renda, que possa minimizar a injustiça social presente no país. A previdência como existe hoje, representa um sistema de transferência de renda para a classe menos favorecida. É este dinheiro, que os bancos e empresas privadas estão ambicionando se apropriar, sem se preocuparem com as consequências sociais. O futuro para a maior parte da população brasileira é sombrio, pois o rendimento para sobreviver será menor ainda e a aposentadoria digna representará um luxo para poucos. O que está sendo construído é a pauperização sistêmica da população brasileira, é o aumento da exploração e espoliação. A injustiça social crescerá ao longo de dez anos. A questão a saber é: Será que no futuro o Brasil terá um mercado consumidor capaz de dar retorno ao capital investido ?


domingo, 30 de junho de 2019

Por que a economia no Brasil não decola ?


       Qual é o pilar do capitalismo? É o consumidor, sem o consumo, a economia não gira, não há relação de troca de dinheiro por bens e serviços. O que presenciamos nestes últimos anos no Brasil, foi à baixa do ponto de equilíbrio de mercado, o encontro da oferta e da demanda de bens e serviços, a um nível que impossibilita o crescimento do PIB acima de 1%. Ou seja, a economia está estagnada, e qual é o motivo básico? Se o pilar do capitalismo é o consumidor, a razão está no consumidor, que não está consumindo em sua plenitude, prioriza apenas gêneros de extrema necessidade. Como podemos aumentar a demanda por bens e serviços para fazer a economia brasileira crescer acima de 1% a.a., superior a 4% a.a., gerando emprego e renda para a maioria dos brasileiros?
         Se a demanda é definida pelo desejo do consumidor de adquirir um determinado bem ou serviço, como este desejo pode se realizar na prática? Depende dos preços dos bens e serviços e basicamente da renda do consumidor, e o que está tornando o consumo de bens e serviços que vão além das necessidades básicas, qual é o fator limitador do consumo, que é a base do capitalismo? É a renda do trabalhador, que nos últimos anos demonstra está a um nível muito baixo, inviabilizando o crescimento da economia. Simplesmente o nível de consumo está baixo, porque a renda do trabalhador está baixa.
         É um paradoxo do capitalismo, o empresário luta para diminuir os custos de produção de bens e serviços, para poder ser competitivo, mas se o trabalhador tem uma renda baixa, aquém das necessidades reais para a manutenção digna de sua sobrevivência, não se torna viável o consumo de bens e serviços que não atendam as necessidades básicas do trabalhador. O que condena a economia brasileira a ter um desempenho abaixo de seu real potencial, ou seja, um desempenho medíocre. Esta é a realidade da economia brasileira, está condenada a estagnação, as reformas virão: trabalhista, previdenciária, tributária, pacto federativo (federação, estados e municípios), política, econômica e até em alguns níveis, sociais. E não terão sucesso, não serão capazes de surtir os efeitos desejados, se em conjunto a tudo isso, não existir uma política salarial, que recupere o poder de compra real do trabalhador, que é o consumidor, a base do capitalismo.
         Sem uma política salarial, que crie um mercado consumidor, capaz de tornar viável e sustentável o retorno sobre o investimento dos empresários, o Brasil continuará a ser um país de um elevado nível de risco para qualquer tipo de empreendimento. A primeira reivindicação que um investidor externo deve fazer é a implementação de uma política salarial, para a geração de um mercado consumidor, capaz de dar retorno e sustentabilidade ao capital investido.
         Para quem tem um bilhão de dólares para investir no Brasil, o país oferece a certeza, de que o capital investido terá o seu retorno esperado? Está na hora de valorizar o salário do trabalhador, para poder criar um mercado consumidor forte, e assim o capitalismo se desenvolver em toda sua plenitude no Brasil, do contrário o PIB continuará a crescer anualmente abaixo de 1%, ou seja, a economia ficará estagnada, e o Brasil jamais poderá se desenvolver em todo seu potencial.




sexta-feira, 17 de maio de 2019

A Destinação dos Bens Terrenos !



        Segundo a Doutrina Social da Igreja em 1931 por Pio XI na Encíclica Quadragesimo Anno (n. 88), “a caridade social é a virtude que de dirige às pessoas, não mais tomadas isoladamente, mas em seu conjunto, pois seu objeto é o conjunto de toda sociedade, ordenando tudo ao bem comum e ao bem último, que é Deus”.
         Ou seja, os bens terrenos foram criados e transformados para um fim último, que é o bem comum, não há como defender a propriedade privada que não esteja a serviço do bem comum. A desigualdade entre ricos e pobres no mundo é um pecado social, porque o homem não é o senhor dos bens terrenos, mas apenas um administrador.
         Os bens terrenos são destinados a todas as pessoas, segundo o Papa Francisco, a função social da propriedade e a destinação universal dos bens são realidades anteriores à propriedade privada. Na Doutrina Social da Igreja a propriedade privada não é um direito absoluto, mas relativo.
         A destinação universal dos bens tem como princípio que todos devem ter acesso ao que é necessário para uma vida decente e digna e que sobre toda propriedade privada pesa uma hipoteca social.
         O Concílio reafirma o ensinamento tradicional da Igreja que remonta a Santo Tomás de Aquino, de que aquele que se encontra em caso de extrema necessidade tem o direito de tomar dos outros os bens de que necessita, resguardada as condições para a liceidade moral deste ato. No campo do Direito o nome se dá de “furto famélico”, quando, para garantir a sua vida ou a de outro, que é um bem valioso, a pessoa transgride um menos valioso, que é a propriedade privada, respeitados alguns requisitos para sua não criminalização.
         No Compêndio de Doutrina Social da Igreja 177, o direito “à propriedade privada está subordinado ao direito ao uso comum”. Ela não é um fim em si mesmo, mas um meio para se chegar a um fim, que é o bem comum.
         A discussão que não é nova, mas se faz presente no século XXI é: Qual é o fim de tamanha desigualdade socioeconômica no mundo? Onde 5% da população detêm 50% da renda mundial. Não está na hora de revermos o modelo ético, ou seja, os princípios que fundamentam o modo de ser do modelo econômico vigente? O que está estabelecido gera mais problemas, do que soluções.
         A humanidade já alcançou um padrão científico e tecnológico capaz de provocar uma revolução social, e viver em caridade social. As organizações que se diferenciarão, prosperarão e terão longevidade no século XXI, serão as organizações comprometidas com valores humanistas da justiça social, ou seja, o fim último, que é o bem comum. É uma nova ética, para um novo padrão socioeconômico.
         Fonte:
         ALVES, Antonio Aparecido. Doutrina Social da Igreja : um guia prático para estudo / Antonio Aparecido Alves. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2014.