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sábado, 4 de novembro de 2017

O Sentido do Prazer na Vida Humana !




         Uma vida prazerosa não é o prazer pelo prazer, à busca incontida de prazeres fugazes. Mas um sentido mais elevado de prazer, que leva a virtude. Possuir e não ser possuído, dominar os prazeres e não deixar-se dominar por eles, como também não abster-se deles. Conforme Stobeu, “dominar o prazer, não quem se abstém, mas quem, sem deixar-se arrastar por ele, saber usar dele”.
         O mundo contemporâneo é um mundo refratário à dor, e todo tipo de perturbação da alma humana. O desiquilíbrio é evitado a todo o momento, para que não se instale uma crise. O prazer vivido no seu sentido humano, onde edifica e não subjuga, faz do homem um sábio capaz de bastar-se a si mesmo, dominar seus desejos e subjugar os prazeres, para atingir o bem e a liberdade.
         O homem deve buscar prazer no trabalho, na fadiga, e quando o encontrar, sentirá desagradáveis os prazeres comuns. Ter um ideal de autarquia, a possibilidade de poder estar em companhia de si mesmo. A civilização gera a preguiça e todos os vícios, o Homem do século XXI é o Homo Naturalis que retorna a natureza, conquista a sua liberdade interior, uma vida ausente de riquezas, que por maiores que sejam não são capazes de comprar a natureza humana, a própria essência.
         O prazer tem que ser uma finalidade da virtude, o prazer decorre do gozo repousado do corpo, mas, especialmente, do prazer do espírito. O prazer é um movimento suave, enquanto a dor é movimento áspero. Só a sabedoria e a prudência podem atingir à tranquilidade e ao repouso, bases do prazer. É preciso evitar os prazeres que são causa de dor.
         Embora o prazer seja individual, a satisfação que nos dá a aproximação dos homens, é à base da sociedade, porque a fundamenta por solidarizar os homens nas relações entre si.
         O homem não sabe viver sem prazer, é pelos sentidos que direciona a sua própria atuação no mundo sensível. A ética do Homo Naturalis deve fundar uma moral do prazer, onde tudo é permitido, mas nem tudo convém.
Pelos sentidos e pela razão deve mensurar o que deve ser experimentado e vivido, para assim alcançar a felicidade plena.
         Segundo Heráclito, nós não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio. Ou seja, a vida é uma só, o tempo passa é não é o mesmo no futuro, tudo passa, tudo muda, é a possibilidade da transformação. A Persona Humanus é livre, sempre tem a oportunidade de construir o seu próprio futuro, o destino. Por ser tão rápida e contínua a mudança, não repetimos os momentos da vida. Apenas tornamos semelhante o que queremos repetir, mas jamais o mesmo.
         O homem não tem a capacidade de obter um conhecimento estável e válido quando os fenômenos são mutáveis, tanto como as sensações. Mas podemos conhecer conceitos capazes de formular uma ciência firme e segura das essências universais, as Ideias. A antítese entre o mundo dos fenômenos, formados pelos dados da sensibilidade e o mundo das substâncias, das essências, ao qual atingimos por intermédio da indução e da definição. As coisas sensíveis são sombras das ideias.
         O Ser, criador e ordenador do cosmos, segundo um arquétipo eterno, incriado com harmonia e proporção, dotado de uma alma universal que penetra em todas as coisas, princípio da vida, da razão e da harmonia, criada segundo as regras dos números, e que, em si, continha todas as relações harmônicas.
         A matéria é o contrário das ideias. É o não-ser, negatividade, indeterminação, informe, por isso plástica para receber todas as formas, receptáculo, como vazio e o espaço.
         A alma humana é a essência do corpo, tem a natureza das ideias, simples, invisível, imutável. E a alma é o princípio do movimento e da vida, é imortal. O bem divino, idêntico ao belo e ao verdadeiro, é a espiritualidade. A alma, prisioneira do corpo, deseja libertar-se para contemplar o bem divino. A libertação se faz pela purificação e a elevação contínua a uma espiritualidade divina, o amor é a aspiração à espiritualidade pura.
         O mundo sensível é o reflexo do esplendor das ideias e o caminho para a contemplação dos estágios mais altos da beleza espiritual pura; e é com o esforço constante da vontade que permite a conquista dessa purificação das paixões, que é a virtude.
         O sentido do prazer na vida humana é a purificação das paixões, e a conquista das virtudes e a maior delas é a justiça. Só assim o homem terá uma harmonia espiritual e será feliz. Fazer o bem é estar próximo do bem, quando não está imerso no Sumo Bem.



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