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sábado, 24 de outubro de 2015

Um diálogo entre Hobbes e Rousseau para o Brasil contemporâneo !



HOBBES 

1)    O homem natural de Hobbes não é um selvagem. É o mesmo homem que vive em sociedade. O homem brasileiro está preparado para viver em sociedade ? 

2)    Hobbes não afirma que os homens são absolutamente iguais, mas que são "tão iguais que...": iguais o bastante para que nenhum possa triunfar de maneira total sobre outro. Geralmente o mais razoável para cada homem é atacar o outro homem, ou para vencê-lo, ou simplesmente para evitar um ataque possível: assim a guerra se generaliza entre os homens. Por isso, se não há um Estado controlando e reprimindo, fazer a guerra contra os outros é a atitude mais racional. Com mais de 50.000 mortes por causas criminais no Brasil, podemos afirmar que vivemos uma permanente guerra civil ? 

3)    Segundo Hobbes encontramos na natureza do homem três causas principais de discórdia. Primeiro, a competição; segundo, a desconfiança; e terceiro, a glória. A primeira leva os homens a atacar os outros tendo em vista o lucro; a segunda, a segurança; e a terceira, a reputação. Os primeiros usam a violência para se tornarem senhores das pessoas, mulheres, filhos e rebanhos dos outros homens; os segundos, para defendê-los; e os terceiros por ninharias, como uma palavra, um sorriso, uma diferença de opinião, e qualquer outro sinal de desprezo, quer seja diretamente dirigido a suas pessoas, quer indiretamente a seus parentes, seus amigos, sua nação, sua profissão ou seu nome. Com isto se torna manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. Hobbes pede um exame de consciência: “conhece-te a ti mesmo”. Segundo Hobbes, estamos carregados de preconceitos, que vêm basicamente de Aristóteles e da filosofia escolástica medieval. Mas o mito de que o homem é sociável por natureza nos impede de identificar onde está o conflito, e de contê-lo. A política só será uma ciência se soubermos como o homem é de fato, e não na ilusão; e só com a ciência política será possível construirmos Estados que se sustentem, em vez de tornarem permanente a guerra civil. O Estado brasileiro conhece profundamente o seu cidadão, ao ponto de ser capaz de desenvolver políticas segurança pública, que evite uma permanente guerra civil ? 

ROUSSEAU 

1)    A verdadeira filosofia é a virtude, esta ciência sublime das almas simples, cujos princípios estão gravados em todos os corações. Para se conhecer suas leis basta voltar-se para si mesmo e ouvir a voz da consciência no silêncio das paixões. Uma vez porém que já quase não mais se encontram homens virtuosos, mas apenas alguns menos corrompidos do que outros, as ciências e as artes, embora tenham contribuído para a corrupção dos costumes, poderão, no entanto, desempenhar um papel importante na sociedade, o de impedir que a corrupção seja maior ainda. As ciências e as artes podem muito bem distrair a maldade dos homens e impedi-los de cometer crimes hediondos. Não se trata mais de levar as pessoas a agirem bem, basta distraí-las de praticarem o mal. Impõe-se ocupá-las com bagatelas para desviá-las das más ações; em lugar de pregar-lhes, deve-se distraí-las. Para o homem que nasce bom e é corrompido pela sociedade, o Estado brasileiro tem promovido espetáculos para distrair o seu povo para manter a ordem social ? Como podemos perceber tal ação política ? 

2)    A partir do contrato social e do discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, estudarmos temas da filosofia política clássica, como a passagem do estado de natureza ao estado civil. O contrato social, a liberdade civil, o exercício da soberania, a distinção entre o governo e o governante, o surgimento da propriedade privada foram trabalhados na sociedade brasileira ao ponto de criar de um pacto social capaz de proporcionar ordem, progresso, justiça, paz, desenvolvimento e tornar a sociedade mais feliz ? 

3)    O Contrato Social, unamo-nos para defender os fracos da opressão, conter os ambiciosos e assegurar a cada um a posse daquilo que lhe pertence, instituamos regulamentos de justiça e de paz, aos quais todos sejam obrigados a conformar-se, que não abram exceção para ninguém e que, submetendo igualmente a deveres mútuos o poderoso e o fraco, reparem de certo modo os caprichos da fortuna. Numa palavra, em lugar de voltar nossas forças contra nós mesmos, reunamo-nos num poder supremo que nos governe segundo sábias leis, que protejam e defendam todos os membros da associação, expulsem os inimigos comuns e nos mantenham em concórdia eterna. Tal foi ou deveu ser a origem da sociedade e das leis, que deram novos entraves ao fraco e novas forças ao rico, destruíram irremediavelmente a liberdade natural, fixaram para sempre a lei da propriedade e da desigualdade, fizeram de uma usurpação sagaz um direito irrevogável e, para proveito de alguns ambiciosos, sujeitaram doravante todo o gênero humano ao trabalho, à servidão e à miséria. Em que medida o homem, ao estabelecer o Contrato Social, perdeu sua liberdade natural, e ganhou em troca a liberdade civil ? Não estamos todos acorrentados a um Contrato Social, que privilegia uma minoria ? Haja vista, a concentração injusta de renda e riqueza existentes no mundo contemporâneo ! A sociedade brasileira é justa ?
 
 
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