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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Por um Caminho na Vida !




         O Mestre disse: “Aprender algo e depois poder praticá-lo com regularidade, isso não é um contentamento?”
         Em chinês clássico, aprender e estudar correspondem ao mesmo ideograma (xue). Tanto o processo (estudar) como seu resultado (aprender) estão unidos num único termo, o que significa que aquilo que se estuda deve necessariamente ter uma utilidade definida, e isso só pode ser atingido por meio de uma prática regular.
         Talvez esse seja o que venha a dar sentido a uma vida de estudo, fazer da educação um instrumento para a vida, com uma finalidade específica, que torne o homem apto para enfrentar os desafios de um mundo em constante mudança.
         O questionamento que a sociedade brasileira deve fazer sobre o Ensino Básico, que envolve o Ensino Infantil, Ensino Fundamental e o Ensino Médio, momento da vida em que se adquirem bases fundantes que influenciam na formação da personalidade. É se o estudante ao terminar essa etapa da vida é capaz de ter uma atitude prática para com a vida.
         Do contrário, qual seria a finalidade de um período longo de estudo?
         Onde se aprende a ter uma visão de si e uma visão de mundo, para poder fazer uma escolha por uma profissão, que irá acompanhá-lo em toda a sua vida.
         O foco central de uma profissão está na sua utilidade para com a vida, que venha influenciar positivamente a vida das pessoas, ser uma alavanca do desenvolvimento sustentável.
Assim, se faz a seguinte pergunta:
O modelo educacional do início do século XXI presente no Brasil torna as pessoas úteis, capazes do exercício de vossas profissões de forma práticas a responder aos desafios contemporâneos?
Os estudantes e futuros profissionais estão conscientes dos tipos de desafios que existem? E como dar uma resposta prática a partir de suas atitudes e ações?
A vida passa tudo muda e o que fica é o nosso legado, que também pode ser substituído pelo futuro que se apresenta. O que está ao nosso alcance é tornar a nossa existência algo marcante que sirva de inspiração para as gerações futuras.
A pergunta que toda instituição de ensino deveria fazer aos seus alunos é:
Quem quer ter uma vida marcante? Viver e não sentir que o tempo apenas passou, mas que tudo ao seu redor fez sentido e foi útil?
A educação é o instrumento que dá um sentido existencial para o ser humano. Nos torna capaz de fazer escolhas, enriquecer a existência e dinamiza o movimento do Vir a ser. Sem a educação seríamos como andarilhos cegos, movidos pela ação do tempo e nunca saberíamos aonde chegar. Estaríamos perdidos em nossa própria existência. Um desespero existencial. Assim, a educação tem uma utilidade, dar uma visão de mundo e uma visão de si ao estudante. O professor é o mestre que guia o aluno na sua jornada vital, um caminho só de ida, pois o tempo não para e jamais retorna ao passado.
Vamos descobrir se os alunos se sentem úteis para um dia caminhar?



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O Objetivo da Filosofia !




         O objetivo da filosofia, para Adam Smith, é “revelar as conexões ocultas que unem os vários fenômenos naturais”. Na contemporaneidade, o comunismo talvez seja a mais bem-sucedida ideologia política já planejada no papel, mas ao ser colocado em prática demonstra ser uma falácia. Já outras ideologias menos planejadas surgem no seio da sociedade de forma espontânea, como: O conservadorismo, o liberalismo e o republicanismo e são bem sucedidas ao serem colocadas em prática, não resolvem todos os problemas, mas formam uma visão de mundo e constroem no presente o futuro. Existem também ideologias sombrias, como: O nazismo, o fascismo e o racismo que marcaram e mancharam a história da humanidade.
         A tradição filosófica europeia sofre influência de uma série de notas de rodapé a Platão, nascido há quase dois mil e quinhentos anos. De uma forma ou de outra os filósofos que vieram depois desenvolveram e aperfeiçoaram suas ideias através de uma interação criativa ou uma reação às suas ideias.
         Ser platônico é aceitar como verdadeiras as doutrinas de Platão sobre ética, política, estética e mais. Acreditar na existência de um reino das realidades eternas e imutáveis, distinto do mundo mutável das experiências cotidianas. Parecido com a concepção cristã, que crê na existência de um DEUS (Ser) que vive em um lugar para além da vida terrena, o céu, onde as realidades são eternas e imutáveis.
         As entidades platônicas são a causa de tudo quanto à fonte de todo valor e significado; o exame de sua natureza transcendental e a maneira como adquirimos conhecimento a respeito delas é a característica mais distintiva da filosofia de Platão.
         Para Platão o conhecimento do mundo que nos rodeia é imperfeito e mutável. O que julgamos saber do mundo não é conhecimento, mas uma opinião uma conjectura. O que é conhecido deve ser perfeito, eterno e imutável, e como nada na nossa experiência cotidiana (no “reino do vir-a-ser”) se encaixa nessa descrição, deve haver um “reino do Ser” transcendental com paradigmas ou modelos perfeitos e imutáveis. A isso, Platão chama de Formas ou Ideias, e é em virtude da imitação ou cópia que as coisas da nossa vivência em nosso mundo terreno são como são.
         E como adquirimos conhecimento dessas Formas transcendentais? Para Platão devemos ter conhecido as Formas quando estávamos em um estado anterior e que agora estamos envolvidos em um processo não de aprendizagem, mas de recordação. A nossa alma imortal existe antes de ocupar um corpo físico. É o processo de corporificação que sobrecarrega a alma e faz com que esqueça o conhecimento adquirido anteriormente no contato direto com as Formas e o reino do ser.

“Devemos fugir da terra em direção ao céu tão
rapidamente quanto possível; e fugir significa
tornar-se semelhante a Deus, tanto quanto isso
é possível; e tornar-se semelhante a Ele quer
dizer tornar-se divino, justo e sábio.”
(Platão, Teeteto, c. 369 a.C.)

         Talvez, esse seja o objetivo da Filosofia na vida do Homem, torná-lo divino, imagem e semelhança do Ser, tão justo e sábio quanto o Ser. Mostrar que o mundo, o reino da matéria não é o fim último, mas o céu, o “reino do Ser” transcendental com paradigmas ou modelos perfeitos e imutáveis. No mais tudo é mutável, é passageiro, é efêmero, não é capaz de dar significado e sentido a vida humana.



domingo, 29 de janeiro de 2017

A Emoção Filosófica !




         O Homem é um ser capaz de lidar filosoficamente com a sua própria emoção? O final da modernidade e o início da contemporaneidade foram capazes de tornar a razão mais inteligente emocionalmente? Por onde passa o equilíbrio das decisões sábias? Faz-se necessária mais filosofia para a orientação da vida humana?
         “Qualquer um pode zangar-se – isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa – não é fácil”. (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco)
         Por quantas vezes somos surpreendidos pelo domínio da emoção em detrimento da razão? Adotamos atitudes coléricas sanguíneas em momentos de tensão emocional, incapazes de apaziguar e acalmar, mas gerar violência sem medida, sendo um dos fatores que justificam os mais de 60.000 assassinatos anuais e todos os tipos de violências sem mortes, presentes no Brasil.
         Qual pode ser o real motivo que torna a sociedade brasileira tão violenta? Capaz de cometer tal crime pelos diversos motivos, sem temer as consequências dos próprios atos. Não seria a falta de uma Inteligência Emocional para lidar com as contradições e conflitos existentes na vida?
         Neste contexto social, a Emoção Filosófica tem uma importância fundamental, não é capaz de dar resposta única, mas é capaz de abrir um diálogo, levantar questões e apontar caminhos, fazer o sujeito carente de respostas, buscar o seu próprio caminho.
         Mas como saber se guiar para e pelo próprio caminho? Ter a habilidade da reflexão, do discernimento, da ação edificante? Mesmo que seja contrária aos próprios interesses?
         A formação do ser humano é a resposta, que começa na infância em casa, passa pela escola até a fase adulta e mais importante, continua por toda sua vida. De forma continuada o Homem está em formação, ele é um Ser-aí, nasce, é jogado no mundo com a missão de viver, de se autodeterminar, tornar a sua existência algo útil para sociedade.
Assim, façamos a seguinte reflexão, em um país como o Brasil, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, onde cada pessoa tem o potencial de ser útil para a sociedade, como seria o Brasil, se esse potencial se materializar?
Essa é a pergunta que devemos tentar responder, que tem como base a educação e permeia toda a vida. Pois, com a enorme violência presente na sociedade brasileira, vivemos o risco de desintegração da civilidade e da segurança, fruto de um desfreio de emoções em nossas próprias vidas e nas das pessoas que nos cercam.
Há na sociedade brasileira uma inépcia emocional, uma banalização da vida, a violência noticiada pelas TV’s e meios de comunicação já não nos afeta, tornamos irracionais para com a vida, como se houvesse uma calamidade da vida emocional partilhada pelos indivíduos.
O cidadão brasileiro deve ser educado para ser dono de si, ter autocontrole, zelo, persistência e a capacidade de automotivação, enfrentar as crises sucessivas e querer viver bem. É a forma de evitar o esgarçamento do tecido social, onde há o egoísmo, a violência e a mesquinhez de espírito que podem banir a bondade das relações humanas.
As posturas éticas fundamentais na vida passam pela emoção. O que está à mercê dos impulsos, o que não tem autocontrole, sofre de uma deficiência moral. A capacidade de controlar os impulsos, a base da força de vontade e do caráter, que produz o autocontrole e a piedade.
Uma Emoção Filosófica pode trazer luz às dúvidas, pode criar uma realidade mais humana, uma racionalidade emocional. Que liberta o Homem dos impulsos emocionais e possibilite o autocontrole. E onde está o primeiro passo? Está na educação, que começa na família e passa pela sociedade. Faz o Homem ter uma visão de si (conhece-te a ti mesmo) e uma visão de mundo (reflexo do próprio Homem), filosofado por Arthur Schopenhauer. “O mundo é a minha representação”.




sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O Ceticismo na Política por parte de Povos das Nações Democráticas !




         O ceticismo nega a possibilidade do conhecimento completo ou genuíno de um mundo objetivo, ou seja, a relação do Estado para com os cidadãos, o mundo da política é um mundo separado do povo e de suas experiências. Na maioria dos casos, os líderes políticos adotam políticas públicas ilegítimas para com os desejos democráticos do povo.
         Existe um ceticismo racional por parte do povo na política dos países democráticos, as conclusões do processo político democrático são contraditórias e paradoxais. E também um ceticismo metodológico por parte do povo, uma dúvida sistemática, mas temporária no resultado das eleições em países democráticos. As minorias e a parte que perde nas eleições a sua preferência são politicamente obrigadas a conviver temporariamente com a contrariedade.
         As lideranças políticas não conseguem representar em sua maioria os desejos do povo que os elegeram para governar. É um fenômeno presente nos países democráticos do ocidente. Os líderes políticos são eleitos com baixo nível de popularidade, e a política nos países democráticos passa a ter um perfil fragmentário.
         Nos países republicanos e parlamentaristas fica difícil obter uma maioria parlamentar para governar o país e apoiar o primeiro ministro ou presidente. A política fragmentária surge a partir das dissidências dos políticos de direita e de esquerda que são incapazes de unir esforços, para formar uma força coesa em prol de um bem comum.
         Os discursos dos políticos são cada vez mais paradoxais, não apresentam um realismo representativo. As ideias representam muito pouco ou correspondem muito pouco aos objetivos e desejos do mundo de seus eleitores. Os políticos adotam uma postura conservadora e pragmática em tempos de crise, retém como verdadeiras as ideias que funcionam e descartam como falsas as ideias que falham. Têm certa aversão para com as ideias novas e transformadoras. Os políticos adotam as mesmas políticas econômicas para enfrentarem as crises, são incapazes de usar da criatividade para criar um novo caminho, ou seja, o pobre perde, fica mais pobre, e o rico ganha, acumula mais. Não há nada diferente, que proponha uma divisão mais justa da renda e fortalecimento do mercado interno constituído por pobres trabalhadores.
         A força e certeza das decisões políticas são alcançadas a partir de um encontro bem-sucedido com a experiência, capazes de uma confirmação pública. O mundo é de todo complexo, com sensações e ideias contraditórias, causa uma divisão nas sociedades democráticas que têm a liberdade para se mobilizar e manifestar, não há uma unanimidade política.
         Assim, o mundo caminha em direção ao novo de forma dialética, a sociedade aspira por transformação, ela está disposta a enfrentar as contradições dando três passos à frente e dois passos atrás, mas sempre indo para frente em direção ao novo.
E é partir das contradições que se fomenta o ceticismo, esgaçando o tecido político da sociedade. Tornando impossível a atividade de uma política construtiva que procura oferecer um entendimento sistemático da natureza das sociedades democráticas.
         O fomento do homem ideal e da sociedade ideal passa pela formulação de uma ideia, onde o pessoal é mais importante do que o factual, o autoconhecimento é mais importante do que o conhecimento do mundo. O mundo que o homem transforma e constrói é o espelho do que o homem realmente é. Assim, a seguinte máxima é importante:

“Conhece a ti mesmo”
(Sócrates)