Vamos conversar da vida, das singularidades, possibilidades, construir conceitos, encontrar caminhos que possam auxiliar nas questões existenciais e realizarmos trocas e reflexões.
domingo, 19 de março de 2017
sábado, 11 de março de 2017
O Corpo Subverte a Ordem !
Segundo Michel Foucault, “meu corpo é o contrário de uma utopia, é o que jamais se encontra sob outro céu, lugar absoluto, pequeno fragmento de espaço com o qual, no sentido estrito, faço corpo”.
O
corpo define o Homem como um ser singular, único em sua jornada existencial.
Existe no espaço tempo, é territorial, tem lugar, habita a matéria, e para
sobreviver, subverte todo tipo de utopia, por estar marcado pela concretude de
seus movimentos. O corpo torna-se uma topia implacável, que não transcende a
sua própria existência.
A
parte do Homem que transcende a matéria cria as utopias, e cria um corpo
incorporal, uma utopia que apaga os corpos, e faz do corpo algo para além de
sua existência material.
Segundo
Michel Foucault, “Essa utopia é o país
dos mortos, são as grandes cidades utópicas que nos foram deixadas pela
civilização egípcia. Afinal, o que são as múmias? Elas são a utopia do corpo
negado e transfigurado. A múmia é o grande corpo utópico que persiste através
do tempo.”
A
utopia do corpo é construída para transformá-la em uma alma, eterna, luminosa,
purificada, virtuosa, ágil, móvel, tépida, viçosa, lisa, castrada. O sentido
máximo da existência, imortal, sem limites e fim. A utopia nasce do corpo, com
a necessidade de sobreviver a tudo e estar para além de uma existência
material.
Para Michel Foucault, “ o corpo humano é o ator principal de todas
as utopias”.
O Homem cria a utopia a partir da
topia, não se tira algo do nada, mas tira-se algo do que já existe e transforma
o material em algo imaterial. O Homem transcende a partir do corpo, que mesmo
mortal, ao fazer parte de uma utopia, eterniza os movimentos humanos, presente
na construção de sua transformação.
Segundo Michel Foucault, “a máscara, a tatuagem, a pintura instalam o
corpo em um outro espaço, fazem-no entrar em um lugar que não tem lugar
diretamente no mundo”.
O Homem cria a utopia para viver em seu
corpo para além da materialidade, transporta o corpo de seu espaço de origem e
o situa no espaço criado pela sua utopia. O mundo deste corpo deslocado já não
é o mundo da topia, mas é o mundo para além do mundo material, torna o que é
mortal em algo imortal.
O corpo se metamorfoseia sem deixar de
ser corpo, trazendo ao Homem sensações, experiências, situações que criam
caminhos para o mesmo destino, que é a morte.
É no ato do amor que o corpo é corpo,
capaz de viver o que está além do corpo. Na sua topia utópica passa a existir com
toda plenitude, ao ponto de se multiplicar e perpetuar no tempo.
Para Michel Foucault, “seria talvez necessário dizer também que fazer
amor é sentir o corpo refluir sobre si, é existir, enfim, fora de toda utopia,
com toda densidade, entre as mãos do outro”.
O meu corpo não é apenas meu, mas
também é seu, é nosso corpo, unido pela mesma topia, à certeza de que temos o
mesmo destino, e por uma questão de sobrevivência criamos utopias para a
continuidade da vida. Já não basta ser único, temos que partilhar o que há de
mais humano e corporal, a morte. Que mostra o limite da topia, enquanto a utopia
é imortal, não tem limites, por estar para além da materialidade do corpo. E
contra o fim, o corpo se revolta, subverte a ordem, cria a sua própria utopia,
mesmo que ela venha a revele-se como uma topia. Mesmo finito o corpo quer ser infinito,
e é assim que perpetua a espécie humana finita.
Fonte:
Michel Foucault – O Corpo Utópico
sexta-feira, 10 de março de 2017
A Globalização e a Antiglobalização !
Segundo
Zygmunt Bauman, “globalização é o destino
irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos
afeta a todos na mesma medida e da mesma maneira.”
Também podemos dizer
que: “A antiglobalização é o destino
irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos
afeta a todos na mesma medida e da mesma maneira.”
Estamos diante do movimento
pendular da história humana, é o processo dialético social presente na história.
A pergunta que devemos fazer é: “Por que
as sociedades maduras estão preferindo adotar uma postura mais fechada,
protecionista e excludente?”.
É a escolha por um
caminho que possibilite a manutenção de um bem estar social, em risco pelo
movimento globalizado do capital, que migra para as regiões do globo que
oferecem maior retorno em curto prazo. O capital não tem nenhum compromisso
social, apenas busca se multiplicar ao longo do tempo.
O
que está em jogo não é a globalização ou a antiglobalização, o que está em jogo
é a vida das pessoas, que dependem de trabalho, de renda para poderem garantir um
bem estar. E qual é o fim último do trabalho? Para que o Homem se movimenta ao
longo de sua vida?
São
questões que reverberam na política, gestores políticos fortes serão aqueles
que defenderem políticas que priorizem a ampliação e a manutenção do bem estar
social. Qual é o papel do Estado? Para que servem os impostos pagos pelos
cidadãos? O que mais quer os eleitores?
O
que o eleitor mais espera do Estado é a ampliação e manutenção de direitos
sociais. Saúde, educação, previdência social, direitos trabalhistas, etc. E
todos estes direitos têm um custo, que é financiada pela atividade econômica
presente no país de sua população.
Quando
uma população prefere o protecionismo em troca do mercado aberto é porque tem a
consciência de que estão em risco suas conquistas de direitos sociais.
Segundo
Zygmunt Bauman, “uma parte integrante dos
processos de globalização é a progressiva segregação espacial, a progressiva
separação e exclusão.”
Ou seja, a globalização
gera a antiglobalização, na medida em que inclui uma parcela da sociedade,
grande parte da sociedade torna-se excluída do processo de desenvolvimento
econômico.
Torna-se
uma falácia os benefícios de curto prazo da globalização, por ser incapaz de
evitar os processos de desindustrialização e perda de empregos de populações em
países menos competitivo, para os países mais competitivos que não têm uma
estrutura de bem estar social voltado para a sua população.
A
antiglobalização é um movimento dos povos que buscam manter e ampliar os
direitos e conquistas sociais. É a luta pela sobrevivência digna em seu país,
fazendo valer os impostos que pagam para a manutenção do Estado e suas
políticas sociais.
O
risco segundo Zygmunt Bauman está em: “Uma
causa específica de preocupação é a progressiva ruptura de comunicação entre as
elites extraterritoriais cada vez mais globais e o restante da população, cada
vez mais localizada.”
Ou seja, as populações
locais não se sentem representadas e nem têm os seus interesses defendidos
pelas elites extraterritoriais cada vez mais globais. E, quem muitas vezes
financia as campanhas políticas nos países, são as elites extraterritoriais,
que não se sentem comprometidas com os problemas das populações locais.
O
movimento presente das populações locais é a busca de uma ruptura com o modelo
da globalização vigente e a defesa de seus próprios interesses via eleição de
seus representantes locais. Não é apenas um movimento populista, mas um
movimento nacionalista, que está em curso, e que cada vez mais ganha força. Na
medida em que houver uma maior precarização da qualidade de vida e bem estar
social, haverá um movimento contrário, pela sobrevivência e manutenção de
direitos.
Fonte:
quarta-feira, 8 de março de 2017
Um Código de Ética para o Político !
A
política é uma função nobre, ela é exercida pelo político, que é responsável
por tratar da vida coletiva de um grupo de cidadãos organizados, que vivem em
uma Cidade, Estado e Federação.
Na
sociedade moderna, a vida do indivíduo e dos grupos tantos econômicos como
culturais são cada vez mais influenciados pela ação política. O Estado Moderno tem
cada vez mais poder, que avassalam toda a vida social e até o pensamento dos
homens.
O
político é um servidor público, que abre mão dos interesses pessoais para
servir ao próximo, ele doar o seu tempo pessoal a favor dos interesses do
coletivo. Para o político bem exercer a sua função social deveria está sujeito
a um Código de Ética. E entidades sociais deveriam se unir para formular um
Código de Ética para o Político fazer um juramento de obediência a esse Código
de Ética na data da posse de seu cargo eletivo.
Quem
pode contribuir muito na formulação do Código de Ética para o Político são as
seguintes entidades de classe: Os Filósofos, OAB – Conselho Federal dos Advogados, CFA –
Conselho Federal de Administração, CFC – Conselho Federal de Contabilidade, COFECON - Conselho Federal de Economia, CFM
– Conselho Federal de Medicina, Código de Ética dos Jornalistas e outras categorias
profissionais a mais que já têm um Código de Ética capaz de formular uma
unidade ética e criar um Código de Ética para o Político.
O
Código de Ética para o Político deve regular a conduta moral e política, indicar
normas que devem inspirar o exercício das atividades políticas, é matéria de
alta relevância para o exercício da política.
De
forma ampla a Ética é definida como a explicitação teórica do fundamento último
do agir humano na busca do bem comum e da realização individual.
O
exercício da política pelo Político implica em compromisso moral com a
sociedade, impondo deveres e responsabilidades indelegáveis.
O
Código de Ética para o Político é o guia orientador e estimulador de novos
comportamentos e está fundamentado em um conceito de ética direcionado para o desenvolvimento,
servindo simultaneamente de estímulo e parâmetro para que o Político amplie sua
capacidade de pensar, visualize seu papel e torne sua ação mais eficaz diante
da sociedade.
O
Político tem o dever exercer a política com zelo, diligência e honestidade,
defendendo os direitos, bens e interesse da sociedade sem abdicar de sua
dignidade, prerrogativas e independência política, atuando como servidor
público.
O
Código de Ética para o Político deve conter Deveres, Proibições, Direitos,
Honorário Profissionais, Infrações Disciplinares, Tribunais de Ética dos
Políticos, da Forma, Tempo e Lugar dos Atos do Processos, dos Prazos, das
Provas, das Exceções, das Nulidades, da Prescrição, do Início do Processo, da
Defesa, do Saneamento do Processo, da Análise e Julgamento das Infrações, da
Fixação e Gradação das Penas, das Sustentações Orais, da Extinção do Processo,
dos Recursos em Geral, do Trânsito em Julgado.
O
Código de Ética para o Político se faz necessário para tornar transparente a
ação política do Servidor Público eleito pelo cidadão. Assim, o eleitor terá em
sua mão um instrumento prático para cobrar o comportamento correto do político.
E todo cidadão que se candidatar a um cargo político terá claro quais são seus
deveres e direitos perante a sociedade a que está sujeito a servir. A
competência do Político é ser Político, sendo assim necessita possuir um Código
de Ética para tornar transparente o exercício do cargo público.
“Platão pensou na introdução de leis que
asseguram a pólis na base de um contrato, este fundamentado no paradigma de
todo agir que é a Ideia do Bem, e na formação científico-ética e uma ordenação
da vida em comum, ou seja, inclui-se a necessidade das leis em virtude da vida
boa como realização homem no melhor Estado. Sem dúvida a questão central do
pensamento político de Platão é a virtude que mais se liga intimamente o
indivíduo ao Estado que é a Justiça. A organização política só poderá ser
considerada justa, segundo nosso filósofo, na medida em que cada um está
realizando o que lhe compete.” (Publicado em 13 de February de 2009 por
Marcelo Rocha Contin - A CONCEPÇÃO POLÍTICA DE PLATÃO)
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