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domingo, 19 de março de 2017

Política Social é um Dever de Todos !



A política Social é um Dever de todos, principalmente nos países que apresentam enormes desigualdades socioeconômicas. A humanidade já atingiu um nível de consciência que não é aceitável manter os olhos fechados para as necessidades básicas do outro. No século XXI, início do terceiro milênio faz-se necessário adotarmos uma Ética voltada para o outro. O individualismo, o egoísmo, são vícios que devem ser eliminados da sociedade. As organizações do futuro serão aquelas que estejam comprometidas com as questões sociais, elas não terão um fim em si mesmo, mas estarão resolvendo problemas de relevante importância social.
A conduta ética predominante é liberal, através da hegemonia do capitalismo expandido pelo neoliberalismo. O resultado é uma concentração de renda brutal na mão de 1% da população a nível global. O sentido e significado de tudo isso é apenas a manutenção do poder nas mãos de poucos, que não se sentem comprometidos com a sociedade. É uma distopia social.
“O liberalismo passou a ser uma maneira de viver e governar condutas e não apenas uma gestão estatal da vida na biopolítica e dos corpos para a utilidade e a docilidade com a disciplina. A força de uma nação tem sido medida pela saúde de seus membros, pela educação, pelo modo de cuidar da infância, de gerir a família, de higienizar a cidade, de fazer os bens e o trabalho circular de maneira segura e com rapidez”. (LEMOS apud FOUCAULT, 2015, p.118)
“Biopolítica é o termo utilizado por Foucault para designar a forma na qual o poder tende a se modificar no final do século XIX e início do século XX. As praticas disciplinares utilizadas antes visavam governar o indivíduo. A biopolítica tem como alvo o conjunto dos indivíduos, a população. A biopolítica é a prática de biopoderes locais. No biopoder, a população é tanto alvo como instrumento em uma relação de poder. “Os instrumentos que o governo se dará para obter esses fins [atendimento as necessidades e desejos da população] que são, de algum modo, imanentes ao campo da população, serão essencialmente a população sobre o qual ele age". Biopoder é uma tecnologia de poder, um modo de exercer várias técnicas em uma única tecnologia. Ele permite o controle de populações inteiras. Em uma era onde o poder deve ser justificado racionalmente, o biopoder é utilizado pela ênfase na proteção de vida, na regulação do corpo, na proteção de outras tecnologias. Os biopoderes se ocuparão então da gestão da saúde, da higiene, da alimentação, da sexualidade, da natalidade, dos costumes, etc, na medida em que essas se tornaram preocupações políticas”. (Foucault, 1978, p. 277-293)
O equilíbrio social faz-se necessário para a construção de um modelo econômico sustentável, o que não é permitido pelo capitalismo em face de suas contradições internas existentes na sua maneira de ser. Representa a maior causa da crescente desigualdade socioeconômica presente no mundo. Inviabilizando biopolíticas, e a manutenção de um biopoder.
O Estado das nações tem um papel relevante e fundamental na criação e implementação de políticas públicas com vistas a tornar a sociedade mais justa. A iniciativa privada tem a responsabilidade de promover soluções para os problemas sociais, em parceria com as políticas públicas do Estado.
O mundo, que ainda não existe, pode ser criado, a realidade vigente pode ser transformada, na medida em que os valores presentes na sociedade sejam revistos e trabalhados para atenderem as necessidades da população mais carente e marginalizada.
Fechar o olho para os problemas sociais, e priorizar o lucro sem responsabilidade social, é fechar o olho para um futuro sustentável. Será inviável do ponto de vista político governar as sociedades, as demandas sociais terão tamanha dimensão, que fomentarão as revoltas e os distúrbios sociais, chegará a um ponto que haverá desobediência civil e a sociedade rumará para a barbárie. Será a instauração do caos social, a decadência da sociedade moderna. Para evitarmos tal destino, a Política Social passa a ser um Dever de Todos, e o modelo econômico vigente de um futuro sustentável é aquele que seja comprometido com as questões sociais.
Referência:
FOUCAULT, M. A governamentalidade. Em Michael Foucault, Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1978.
FOUCAULT, M. O governo da infância / Haroldo de Resende (Organizador). Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015. (Coleção Estudos Foucaultianos)

sábado, 11 de março de 2017

O Corpo Subverte a Ordem !



         
            Segundo Michel Foucault, “meu corpo é o contrário de uma utopia, é o que jamais se encontra sob outro céu, lugar absoluto, pequeno fragmento de espaço com o qual, no sentido estrito, faço corpo”.
         O corpo define o Homem como um ser singular, único em sua jornada existencial. Existe no espaço tempo, é territorial, tem lugar, habita a matéria, e para sobreviver, subverte todo tipo de utopia, por estar marcado pela concretude de seus movimentos. O corpo torna-se uma topia implacável, que não transcende a sua própria existência.
         A parte do Homem que transcende a matéria cria as utopias, e cria um corpo incorporal, uma utopia que apaga os corpos, e faz do corpo algo para além de sua existência material.
         Segundo Michel Foucault, “Essa utopia é o país dos mortos, são as grandes cidades utópicas que nos foram deixadas pela civilização egípcia. Afinal, o que são as múmias? Elas são a utopia do corpo negado e transfigurado. A múmia é o grande corpo utópico que persiste através do tempo.”
         A utopia do corpo é construída para transformá-la em uma alma, eterna, luminosa, purificada, virtuosa, ágil, móvel, tépida, viçosa, lisa, castrada. O sentido máximo da existência, imortal, sem limites e fim. A utopia nasce do corpo, com a necessidade de sobreviver a tudo e estar para além de uma existência material.
         Para Michel Foucault, “ o corpo humano é o ator principal de todas as utopias”.
         O Homem cria a utopia a partir da topia, não se tira algo do nada, mas tira-se algo do que já existe e transforma o material em algo imaterial. O Homem transcende a partir do corpo, que mesmo mortal, ao fazer parte de uma utopia, eterniza os movimentos humanos, presente na construção de sua transformação.
         Segundo Michel Foucault, “a máscara, a tatuagem, a pintura instalam o corpo em um outro espaço, fazem-no entrar em um lugar que não tem lugar diretamente no mundo”.
         O Homem cria a utopia para viver em seu corpo para além da materialidade, transporta o corpo de seu espaço de origem e o situa no espaço criado pela sua utopia. O mundo deste corpo deslocado já não é o mundo da topia, mas é o mundo para além do mundo material, torna o que é mortal em algo imortal.
         O corpo se metamorfoseia sem deixar de ser corpo, trazendo ao Homem sensações, experiências, situações que criam caminhos para o mesmo destino, que é a morte.
         É no ato do amor que o corpo é corpo, capaz de viver o que está além do corpo. Na sua topia utópica passa a existir com toda plenitude, ao ponto de se multiplicar e perpetuar no tempo.
         Para Michel Foucault, “seria talvez necessário dizer também que fazer amor é sentir o corpo refluir sobre si, é existir, enfim, fora de toda utopia, com toda densidade, entre as mãos do outro”.
         O meu corpo não é apenas meu, mas também é seu, é nosso corpo, unido pela mesma topia, à certeza de que temos o mesmo destino, e por uma questão de sobrevivência criamos utopias para a continuidade da vida. Já não basta ser único, temos que partilhar o que há de mais humano e corporal, a morte. Que mostra o limite da topia, enquanto a utopia é imortal, não tem limites, por estar para além da materialidade do corpo. E contra o fim, o corpo se revolta, subverte a ordem, cria a sua própria utopia, mesmo que ela venha a revele-se como uma topia. Mesmo finito o corpo quer ser infinito, e é assim que perpetua a espécie humana finita.
         Fonte:
         Michel Foucault – O Corpo Utópico


sexta-feira, 10 de março de 2017

A Globalização e a Antiglobalização !




         Segundo Zygmunt Bauman, “globalização é o destino irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos afeta a todos na mesma medida e da mesma maneira.”
         Também podemos dizer que: “A antiglobalização é o destino irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos afeta a todos na mesma medida e da mesma maneira.”
         Estamos diante do movimento pendular da história humana, é o processo dialético social presente na história. A pergunta que devemos fazer é: “Por que as sociedades maduras estão preferindo adotar uma postura mais fechada, protecionista e excludente?”.
         É a escolha por um caminho que possibilite a manutenção de um bem estar social, em risco pelo movimento globalizado do capital, que migra para as regiões do globo que oferecem maior retorno em curto prazo. O capital não tem nenhum compromisso social, apenas busca se multiplicar ao longo do tempo.
         O que está em jogo não é a globalização ou a antiglobalização, o que está em jogo é a vida das pessoas, que dependem de trabalho, de renda para poderem garantir um bem estar. E qual é o fim último do trabalho? Para que o Homem se movimenta ao longo de sua vida?
         São questões que reverberam na política, gestores políticos fortes serão aqueles que defenderem políticas que priorizem a ampliação e a manutenção do bem estar social. Qual é o papel do Estado? Para que servem os impostos pagos pelos cidadãos? O que mais quer os eleitores?
         O que o eleitor mais espera do Estado é a ampliação e manutenção de direitos sociais. Saúde, educação, previdência social, direitos trabalhistas, etc. E todos estes direitos têm um custo, que é financiada pela atividade econômica presente no país de sua população.
         Quando uma população prefere o protecionismo em troca do mercado aberto é porque tem a consciência de que estão em risco suas conquistas de direitos sociais.
         Segundo Zygmunt Bauman, “uma parte integrante dos processos de globalização é a progressiva segregação espacial, a progressiva separação e exclusão.”
         Ou seja, a globalização gera a antiglobalização, na medida em que inclui uma parcela da sociedade, grande parte da sociedade torna-se excluída do processo de desenvolvimento econômico.
         Torna-se uma falácia os benefícios de curto prazo da globalização, por ser incapaz de evitar os processos de desindustrialização e perda de empregos de populações em países menos competitivo, para os países mais competitivos que não têm uma estrutura de bem estar social voltado para a sua população.
         A antiglobalização é um movimento dos povos que buscam manter e ampliar os direitos e conquistas sociais. É a luta pela sobrevivência digna em seu país, fazendo valer os impostos que pagam para a manutenção do Estado e suas políticas sociais.
         O risco segundo Zygmunt Bauman está em: “Uma causa específica de preocupação é a progressiva ruptura de comunicação entre as elites extraterritoriais cada vez mais globais e o restante da população, cada vez mais localizada.”
         Ou seja, as populações locais não se sentem representadas e nem têm os seus interesses defendidos pelas elites extraterritoriais cada vez mais globais. E, quem muitas vezes financia as campanhas políticas nos países, são as elites extraterritoriais, que não se sentem comprometidas com os problemas das populações locais.
         O movimento presente das populações locais é a busca de uma ruptura com o modelo da globalização vigente e a defesa de seus próprios interesses via eleição de seus representantes locais. Não é apenas um movimento populista, mas um movimento nacionalista, que está em curso, e que cada vez mais ganha força. Na medida em que houver uma maior precarização da qualidade de vida e bem estar social, haverá um movimento contrário, pela sobrevivência e manutenção de direitos.
         Fonte:
         Zygmunt Bauman – Globalização – As Consequências Humanas.





quarta-feira, 8 de março de 2017

Um Código de Ética para o Político !





         A política é uma função nobre, ela é exercida pelo político, que é responsável por tratar da vida coletiva de um grupo de cidadãos organizados, que vivem em uma Cidade, Estado e Federação.
         Na sociedade moderna, a vida do indivíduo e dos grupos tantos econômicos como culturais são cada vez mais influenciados pela ação política. O Estado Moderno tem cada vez mais poder, que avassalam toda a vida social e até o pensamento dos homens.
         O político é um servidor público, que abre mão dos interesses pessoais para servir ao próximo, ele doar o seu tempo pessoal a favor dos interesses do coletivo. Para o político bem exercer a sua função social deveria está sujeito a um Código de Ética. E entidades sociais deveriam se unir para formular um Código de Ética para o Político fazer um juramento de obediência a esse Código de Ética na data da posse de seu cargo eletivo.
         Quem pode contribuir muito na formulação do Código de Ética para o Político são as seguintes entidades de classe: Os Filósofos, OAB – Conselho Federal dos Advogados, CFA – Conselho Federal de Administração, CFC – Conselho Federal de Contabilidade, COFECON - Conselho Federal de Economia, CFM – Conselho Federal de Medicina, Código de Ética dos Jornalistas e outras categorias profissionais a mais que já têm um Código de Ética capaz de formular uma unidade ética e criar um Código de Ética para o Político.
         O Código de Ética para o Político deve regular a conduta moral e política, indicar normas que devem inspirar o exercício das atividades políticas, é matéria de alta relevância para o exercício da política.
         De forma ampla a Ética é definida como a explicitação teórica do fundamento último do agir humano na busca do bem comum e da realização individual.
         O exercício da política pelo Político implica em compromisso moral com a sociedade, impondo deveres e responsabilidades indelegáveis.
         O Código de Ética para o Político é o guia orientador e estimulador de novos comportamentos e está fundamentado em um conceito de ética direcionado para o desenvolvimento, servindo simultaneamente de estímulo e parâmetro para que o Político amplie sua capacidade de pensar, visualize seu papel e torne sua ação mais eficaz diante da sociedade.
         O Político tem o dever exercer a política com zelo, diligência e honestidade, defendendo os direitos, bens e interesse da sociedade sem abdicar de sua dignidade, prerrogativas e independência política, atuando como servidor público.
         O Código de Ética para o Político deve conter Deveres, Proibições, Direitos, Honorário Profissionais, Infrações Disciplinares, Tribunais de Ética dos Políticos, da Forma, Tempo e Lugar dos Atos do Processos, dos Prazos, das Provas, das Exceções, das Nulidades, da Prescrição, do Início do Processo, da Defesa, do Saneamento do Processo, da Análise e Julgamento das Infrações, da Fixação e Gradação das Penas, das Sustentações Orais, da Extinção do Processo, dos Recursos em Geral, do Trânsito em Julgado.
         O Código de Ética para o Político se faz necessário para tornar transparente a ação política do Servidor Público eleito pelo cidadão. Assim, o eleitor terá em sua mão um instrumento prático para cobrar o comportamento correto do político. E todo cidadão que se candidatar a um cargo político terá claro quais são seus deveres e direitos perante a sociedade a que está sujeito a servir. A competência do Político é ser Político, sendo assim necessita possuir um Código de Ética para tornar transparente o exercício do cargo público.
         “Platão pensou na introdução de leis que asseguram a pólis na base de um contrato, este fundamentado no paradigma de todo agir que é a Ideia do Bem, e na formação científico-ética e uma ordenação da vida em comum, ou seja, inclui-se a necessidade das leis em virtude da vida boa como realização homem no melhor Estado. Sem dúvida a questão central do pensamento político de Platão é a virtude que mais se liga intimamente o indivíduo ao Estado que é a Justiça. A organização política só poderá ser considerada justa, segundo nosso filósofo, na medida em que cada um está realizando o que lhe compete.” (Publicado em 13 de February de 2009 por Marcelo Rocha Contin - A CONCEPÇÃO POLÍTICA DE PLATÃO)