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sábado, 24 de outubro de 2015

Um diálogo entre Hobbes e Rousseau para o Brasil contemporâneo !



HOBBES 

1)    O homem natural de Hobbes não é um selvagem. É o mesmo homem que vive em sociedade. O homem brasileiro está preparado para viver em sociedade ? 

2)    Hobbes não afirma que os homens são absolutamente iguais, mas que são "tão iguais que...": iguais o bastante para que nenhum possa triunfar de maneira total sobre outro. Geralmente o mais razoável para cada homem é atacar o outro homem, ou para vencê-lo, ou simplesmente para evitar um ataque possível: assim a guerra se generaliza entre os homens. Por isso, se não há um Estado controlando e reprimindo, fazer a guerra contra os outros é a atitude mais racional. Com mais de 50.000 mortes por causas criminais no Brasil, podemos afirmar que vivemos uma permanente guerra civil ? 

3)    Segundo Hobbes encontramos na natureza do homem três causas principais de discórdia. Primeiro, a competição; segundo, a desconfiança; e terceiro, a glória. A primeira leva os homens a atacar os outros tendo em vista o lucro; a segunda, a segurança; e a terceira, a reputação. Os primeiros usam a violência para se tornarem senhores das pessoas, mulheres, filhos e rebanhos dos outros homens; os segundos, para defendê-los; e os terceiros por ninharias, como uma palavra, um sorriso, uma diferença de opinião, e qualquer outro sinal de desprezo, quer seja diretamente dirigido a suas pessoas, quer indiretamente a seus parentes, seus amigos, sua nação, sua profissão ou seu nome. Com isto se torna manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. Hobbes pede um exame de consciência: “conhece-te a ti mesmo”. Segundo Hobbes, estamos carregados de preconceitos, que vêm basicamente de Aristóteles e da filosofia escolástica medieval. Mas o mito de que o homem é sociável por natureza nos impede de identificar onde está o conflito, e de contê-lo. A política só será uma ciência se soubermos como o homem é de fato, e não na ilusão; e só com a ciência política será possível construirmos Estados que se sustentem, em vez de tornarem permanente a guerra civil. O Estado brasileiro conhece profundamente o seu cidadão, ao ponto de ser capaz de desenvolver políticas segurança pública, que evite uma permanente guerra civil ? 

ROUSSEAU 

1)    A verdadeira filosofia é a virtude, esta ciência sublime das almas simples, cujos princípios estão gravados em todos os corações. Para se conhecer suas leis basta voltar-se para si mesmo e ouvir a voz da consciência no silêncio das paixões. Uma vez porém que já quase não mais se encontram homens virtuosos, mas apenas alguns menos corrompidos do que outros, as ciências e as artes, embora tenham contribuído para a corrupção dos costumes, poderão, no entanto, desempenhar um papel importante na sociedade, o de impedir que a corrupção seja maior ainda. As ciências e as artes podem muito bem distrair a maldade dos homens e impedi-los de cometer crimes hediondos. Não se trata mais de levar as pessoas a agirem bem, basta distraí-las de praticarem o mal. Impõe-se ocupá-las com bagatelas para desviá-las das más ações; em lugar de pregar-lhes, deve-se distraí-las. Para o homem que nasce bom e é corrompido pela sociedade, o Estado brasileiro tem promovido espetáculos para distrair o seu povo para manter a ordem social ? Como podemos perceber tal ação política ? 

2)    A partir do contrato social e do discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, estudarmos temas da filosofia política clássica, como a passagem do estado de natureza ao estado civil. O contrato social, a liberdade civil, o exercício da soberania, a distinção entre o governo e o governante, o surgimento da propriedade privada foram trabalhados na sociedade brasileira ao ponto de criar de um pacto social capaz de proporcionar ordem, progresso, justiça, paz, desenvolvimento e tornar a sociedade mais feliz ? 

3)    O Contrato Social, unamo-nos para defender os fracos da opressão, conter os ambiciosos e assegurar a cada um a posse daquilo que lhe pertence, instituamos regulamentos de justiça e de paz, aos quais todos sejam obrigados a conformar-se, que não abram exceção para ninguém e que, submetendo igualmente a deveres mútuos o poderoso e o fraco, reparem de certo modo os caprichos da fortuna. Numa palavra, em lugar de voltar nossas forças contra nós mesmos, reunamo-nos num poder supremo que nos governe segundo sábias leis, que protejam e defendam todos os membros da associação, expulsem os inimigos comuns e nos mantenham em concórdia eterna. Tal foi ou deveu ser a origem da sociedade e das leis, que deram novos entraves ao fraco e novas forças ao rico, destruíram irremediavelmente a liberdade natural, fixaram para sempre a lei da propriedade e da desigualdade, fizeram de uma usurpação sagaz um direito irrevogável e, para proveito de alguns ambiciosos, sujeitaram doravante todo o gênero humano ao trabalho, à servidão e à miséria. Em que medida o homem, ao estabelecer o Contrato Social, perdeu sua liberdade natural, e ganhou em troca a liberdade civil ? Não estamos todos acorrentados a um Contrato Social, que privilegia uma minoria ? Haja vista, a concentração injusta de renda e riqueza existentes no mundo contemporâneo ! A sociedade brasileira é justa ?
 
 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Agir em vista do fim é próprio da natureza racional ?

 
Não ! Todo agente age em vista do fim.
A primeira causa é a final. O agente não move senão pela intensão do fim. A natureza racional age em vista em vista do fim por vontade deliberada, a petição racional. A natureza irracional age em vista do fim por inclinação natural. Uma coisa tende para o fim por sua ação ou por movimento. Os dotados de razão movem-se para o fim, porque têm o domínio de seus atos pelo livre-arbítrio, que é a faculdade da vontade e da razão. As coisas, porém, carentes de razão, tendem para o fim por inclinação natural, movidas que são por outras, não por si mesmas, porque não conhecem a razão de fim. A determinação a algo certo para um fim, na natureza racional faz-se pelo apetite racional, que se chama vontade, nas outras naturezas faz-se pela inclinação natural que se chama apetite natural.
 
 
 


domingo, 30 de agosto de 2015

Convém ao Homem agir em vista do fim ?


        Saber se ao Homem convém agir em vista do fim é uma questão a ser analisada. Não há como iniciar um processo de execução sem antes ter um fim na ordem de intensão. E na ordem de intensão o fim vem antes é a causa. Enquanto na ordem de execução o fim é o último, é o efeito. O Homem para agir em primeiro momento tem a intenção e em um segundo momento realiza a execução. O que levanta um questionamento, pois na realidade o Homem age em primeiro lugar tendo em vista um fim, pois assim convém ao Homem.
         O objeto da vontade do Homem é o fim e o bem. Assim é necessário que todas as ações humanas tenham em vista um fim. Pois as ações humanas realizadas pelo Homem pertencem ao Homem. É o que o diferencia das criaturas irracionais, e está no fato do Homem ter o domínio de seus atos. São ações humanas aquelas em que o Homem tem o domínio, e o domínio de suas ações ocorre pela razão e pela vontade, no uso de seu livre-arbítrio, que é a faculdade da vontade e da razão. E são ações humanas, as que procedem da vontade deliberada. O ato de vontade de raciocínio prático, que busca os meios para um fim. Assim é necessário que todas as ações humanas tenham em vista o fim.


sábado, 8 de agosto de 2015

Educação Sem Privilégio !

A escola brasileira é uma instituição que corporifica ideias e aspirações sociais do povo, a situação educacional brasileira reflete a forma como a nossa elite politicamente e economicamente dominante se preocupa com o desenvolvimento da grande maioria do povo brasileiro. Demonstra as razões que indicam os baixos índices de aproveitamento escolar, ou seja, as baixas notas que os alunos do ensino público obtêm nas avalições do MEC – Ministério da Educação. Tendo como causa fundamental a desvalorização do professor, profissional da educação, e as políticas públicas voltadas para a educação do ensino fundamental e médio.
Para analisarmos mais profundamente a situação educacional brasileira, o ponto de partida comum é o exame da educação escolar antes de se estabelecerem as aspirações modernas da escola universal para todos, proclamada na Convenção Revolucionária Francesa, que determina um novo estágio da humanidade, é uma nova concepção de sociedade em que privilégios de classe, de dinheiro e de herança não existem, onde o indivíduo pudesse buscar pela escola, a sua posição na vida social.
“Desde o começo, a escola universal era algo de novo e, na realidade, uma instituição que, a despeito da família, da classe e da religião, viria a dar a cada indivíduo a oportunidade de ser na sociedade aquilo que seus dotes inatos, devidamente desenvolvidos, determinassem. Assim a educação escolar passou a visar, a formação comum do homem, e sua posterior especialização para os diferentes quadros de ocupações, em uma sociedade moderna e democrática. Com a criação da nova escola comum para todos, em que a criança de todas as posições sociais iria formar a sua inteligência, vontade e caráter, hábitos de pensar, de agir e de conviver socialmente. Esta escola formava a inteligência, mas não formava o intelectual. O intelectual seria uma das especialidades de que a educação posterior iria cuidar, mas que não constitui objeto dessa escola de formação comum a ser, então, inaugurada.”
TEIXEIRA, Anísio, 2007, pág.44
Vejamos que, a busca de uma escola universal para todos começa na França no séc. XVIII e no Brasil esta busca de uma escola universal para todos começa no séc. XX. E devemos questionar, até que ponto as políticas públicas da educação brasileira são capazes de possibilitar ao indivíduo a oportunidade de ser na sociedade aquilo que seus dotes inatos, devidamente desenvolvidos, determinem. Parece-me que o Brasil está atrasado e as políticas públicas da educação não têm o foco necessário para promover a existência de uma sociedade mais justa e igualitária em oportunidades. Estes novos conceitos e aspirações do séc. XVIII na França ainda não se concretizaram imediatamente no Brasil, e já estamos no séc. XXI.
Mas antes houve uma revolução no ensino no final do séc. XVI, a escola (tradicional) era a oficina do conhecimento racional, a oficina era a escola (tradicional) do conhecimento prático. Uma não conhecia a outra. Com a aproximação entre estes dois mundos, com a transformação completa de um e de outro, dá-se o aparecimento da ciência experimental. Com o encontro entre o intelecto e a oficina é que partiu todo sistema de conhecimento científico moderno. É a ligação do conhecimento racional com a realidade concreta do mundo e da existência. A separação entre o prático e o racional ou o prático e o teórico desapareceram. Todo o conhecimento, em todas as suas fases, passou a ser prático, tanto em seus objetivos quanto em seus métodos. Assim desaparecem as diferenças entre os homens que estejam pesquisando, ensinando ou aprendendo, ou aplicando o conhecimento, no que diz respeito às suas atividades, todas elas materiais e práticas.
A escola se constitui em agência de educação do novo homem comum para uma sociedade de trabalho científico e não empírico, prepara trabalhadores para três fases do saber: A pesquisa, o ensino e a tecnologia. Todos teriam tudo em comum, exceto o gosto diferenciado por uma das fases.
Se fizermos um paralelo com o séc. XXI, podemos fazer as seguintes perguntas: Em que medida a escola constitui uma agência de educação do homem comum e contemporâneo? Vivemos a era da informação e conectividade, o conhecimento científico está ao alcance das mãos, basta ter um computador conectado na internet. A educação do séc. XXI ministrada aos alunos contemporâneos é estimulante e atende as suas necessidades? Até que ponto os prepara para a realidade da vida? A sociedade estará preparada para dar as respostas certas para os desafios futuros?
Parece-me, que estamos no fim de uma era, a educação ministrada até momento presente sofrerá uma grande transformação, para lida com as novas realidades, tecnologias e possibilidades. Por exemplo, como iremos nos educar, quando pudermos fazer um implante cerebral de um chip de computador? Como iremos lidar com a nanotecnologia e a revolução biológica que teremos? Como iremos lida com a cibernética avançada? A cibernética é uma tentativa de compreender a comunicação e o controle de máquinas, seres vivos e grupos sociais através de analogias com as máquinas eletrônicas. Como o homem irá educar um Ciborgue, o homem máquina? Um Ciborgue é um organismo cibernético, isto é, um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial. Estes e mais outros são os desafios que estão a nossa frente, a pergunta é: O homem comum está sendo preparado para os desafios do futuro, que se apresentam no presente?
A educação deixou de ser a atividades de alguns para ser a atividades de todos. A escola é uma instituição que se transforma em uma agência de educação dos trabalhadores comuns, dos trabalhadores qualificados, dos trabalhadores especializados em técnicas de toda ordem e dos trabalhadores da ciência nos seus aspectos de pesquisa, teoria e tecnologia. Todas as escolas, do nível primário ao universitário, passaram a ser dominantemente escolas de ciências, já ensinando suas aplicações generalizadas, já as suas teorias especializadas, já o próprio trabalho de pesquisa, seja no campo teórico, seja no campo da aplicação.
É uma revolução educacional, a partir deste novo paradigma a sociedade educada passa a ser uma sociedade científica. Passa a valorizar tudo que tem uma utilidade prática conforme o uso da razão. O ensino se faz pelo trabalho e pela ação, e não somente pela palavra e pela exposição, como outrora, quando o conhecimento racional era de natureza especulativa, e destinado à pura contemplação do mundo.
Sendo este o modelo de escola adequado, até que ponto o sistema educacional brasileiro se aproxima deste modelo?
No Brasil há ilhas de excelência, não é o padrão do sistema de ensino brasileiro. Alguns cursos técnicos profissionalizantes, alguns cursos universitários se aproximam deste modelo vigente. Mas percebo que estamos diante de uma nova fronteira do conhecimento, a evolução tecnológica irá criar um novo modelo de educação. A informação estará disponível e será acessada automaticamente com a ajuda da robótica, e a questão será: O que faremos com a informação que viermos a conhecer? Este será um dilema filosófico e até ético, que têm por princípio fundamentar a conduta moral do homem. Que tipo de sociedade o homem irá construir? Uma sociedade da informação, do conhecimento e da ação fundamentada em princípios? O homem passará a ser educado para a ação? Pois o conhecimento já estará disponível e de fácil acesso? Olhando para frente, o futuro é a resposta a estas questões do presente, que são atuais e moldarão a vida humana.
No presente o modelo educacional brasileiro poderia ser muito bem empregado na Idade Média. Onde a atividade escolar consiste em “aulas”, que os alunos “ouvem”, algumas vezes tomando notas, e “exames” em que se verifica o que sabem, por meio de provas escritas e orais. Marcam-se alguns “trabalhos” para casa e na casa se supõe que o aluno “estuda”, o que corresponde a fixar de memória quando lhe tenha sido oralmente ensinado na aula. O modelo educacional brasileiro está obsoleto, não é capaz de atender as demandas do presente e nem projetar uma alternativa para o futuro. Está aprisionado em um sistema que precisa melhorar sofrer uma reforma pedagógica. Devemos voltar a fazer as seguintes perguntas: O que é ensinar? Oque é estudar? O que é aprender? E quando se está formado? Até que ponto o ensino brasileiro prepara para a vida?
A escola brasileira vive uma crise, são arcaicas nos seus métodos e ecléticas, se não enciclopédicas, nos currículos, não são de preparo verdadeiramente intelectual, não são práticas, não são técnico-profissionais, nem são de cultura geral, então: O que é a escola brasileira? Ser educado escolarmente significa, no Brasil, não ser operário, não ser membro da classe trabalhadora.
A educação de qualidade é um processo educativo seletivo, destinado a retirar da massa alguns privilegiados para uma vida melhor, se fará possível exatamente porque muitos ficarão na massa a serviço dos “bem educados”, e então o sistema funciona, exatamente por não educar bem a todos, mas somente uma parte. A educação de qualidade é um privilégio de poucos.
A ideia de escola comum ou pública, nascida com a Revolução Francesa, a maior invenção social de todos os tempos, que importa sobrepor-se ao conceito de classe e promover uma educação destinada a todos os indivíduos, sem a intenção ou o propósito de prepará-los para quaisquer das classes existentes é uma utopia no Brasil. A escola comum, a escola para todos, nunca chegou entre nós a se caracterizar, ou a ser de fato para todos. A escola de qualidade é para a chamada elite.
Mas este dualismo escolar entre os favorecidos ou privilegiados e os desfavorecidos ou desprivilegiados pode entrar em crise, com a formação de uma consciência comum de direitos em todo povo brasileiro, deparamo-nos com um sistema escolar de todo inadequado para lidar com o verdadeiro problema educativo de um povo uno e indiviso.
Há a necessidade de se fazer uma reforma na política educacional, é dever do governo, dever democrático, dever constitucional, dever imprescritível, que é oferecer ao brasileiro uma escola fundamental capaz de lhe dar a formação fundamental indispensável ao seu trabalho comum, uma escola média capaz de atender à variedade de suas aptidões e das ocupações diversificadas de nível médio, e uma escola superior capaz de lhe dar a mais alta cultura e ao mesmo tempo, a mais delicada especialização. As autoridades são responsáveis por propor uma reforma no sistema educacional brasileiro, tem que olhar para frente, procurar entender o impacto das novas tecnologias na educação brasileira, propor uma política educacional de vanguarda, que vislumbre o futuro, que possibilite a sociedade dar um salto e superar o abismo existente no sistema educacional brasileiro. Uma educação comum e igual para todos, é uma educação sem privilégios. É o maior objetivo a ser alcançado.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Mercados à beira do pânico com queda livre da Bolsa da China !

 
“Uma queda brusca e aparentemente sistêmica da Bolsa de Valores da China levou o Banco Central do país a intervir, suspendendo a negociações das ações de 1476 companhias, depois de chegar a operar em baixa de 8% e fechar em queda de 5.9%.
Para se ter uma idéia, as ações que tiveram negociação suspensa devido às quedas de valores formam, no total, um valor de US$ 2.6 trilhões (cerca de R$8.3 trilhões), o equivalente a 25% do PIB chinês ou pouco mais do que o PIB brasileiro num ano. Por conta do tamanho gigantesco de sua economia, uma queda violenta da bolsa chinesa espalha o terror ao redor do mundo pelo potencial de poder criar uma crise global. O país é o maior consumidor mundial de matérias-primas e produtos primários e uma crise severa em sua economia pode despencar mercados de inúmeros produtos e 'commodities' como minério de ferro e petróleo, por exemplo.
A queda da Bolsa depois de um pico em junho já fez com que as ações das empresas listadas em Xangai perdessem cerca de US$3 trilhões (R$9.5 trilhões). Para conter o pânico, além de uma injeção de cerca do equivalente a R$155 bilhões, também tomou medidas para que os maiores investidores chineses (as grandes redes de varejo) tirem seu capital da Bolsa.
Segundo o Financial Times, gigantes financeiros como o HSBC e a Goldman Sachs fizeram ligeiros rebaixamentos da avaliação dos títulos da China, mas a incerteza para os próximos dias permanece em alta.
As bolsas asiáticas fecharam em forte queda nesta quarta-feira, em meio a um temor generalizado dos investidores com o risco de uma bolha nos mercados, alimentado pela quebra de confiança na eficiência das medidas adotadas pelo governo chinês para estimular a economia do país.
Desde novembro do ano passado, a China tem adotado algumas medidas para reduzir os custos de financiamento e acelerar a economia. A taxa referencial de juros, por exemplo, foi reduzida quatro vezes, para 4,85%. Tais medidas levaram a Bolsa de Xangai a uma alta de mais de 100% entre novembro e junho. No entanto, como a economia real não reagiu com o mesmo entusiasmo, tornou-se crescente o temor de que o mercado acionário chinês esteja próximo de uma bolha.
Além disso, há preocupações de que as medidas cada vez mais "desesperadas" das autoridades para acalmar os investidores estão, na verdade, contribuindo para aumentar os riscos ao sistema financeiro do país.
"Inicialmente, a maior parte dos riscos dos mercados estava com as famílias, mas, com as tentativas de resgate da China, instituições sistematicamente importantes estão assumindo mais riscos", afirmam os economistas do banco Société Générale.
No fim de semana, o governo suspendeu o lançamento de algumas ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) e tornou mais fácil para os operadores pedir dinheiro emprestado para comprar ações. Em vez de um aumento nas compras, os investidores estão evitando investir no mercado de ações, que contém mais riscos, e migrando seus recursos para o mercado de títulos, considerado mais seguro. Como consequência disso, o juro do bônus de 10 anos do governo chinês caiu para 3,4% no pregão de hoje, de 3,6% no começo do mês.
No fechamento, o índice Xangai Composto caiu 5,9%, a 3.507,19, com queda acumulada de 32% desde meados de junho. Em Hong Kong, o índice Hang Seng teve recuo de 5,89%, a 23.516,56 pontos. Em Taiwan, o Taiex teve baixa de 2,96%, a 8.976,11 pontos. Na Coreia do Sul, a queda foi de 1,18%, a 2.016,21 pontos.
Na Oceania, a Bolsa de Sydney caiu 2,0% e levou o índice S&P/ASX 200 a 5.469,50 pontos, pressionado principalmente pela queda do preço do minério de ferro, de 4,4% no fechamento de ontem, para US$ 49,7 por tonelada, e com preocupações relacionadas ao impasse entre Grécia e credores internacionais. Em meio a isso, as mineradoras Rio Tinto e BHP Billiton tiveram baixas de 3,25% e 3,12%, respectivamente. Com informações da Dow Jones Newswires.”
Por: André Ítalo Rocha e Redação Yahoo Notícias | Estadão Conteúdo

O que estamos presenciando é mais uma contradição do capitalismo revestido do neoliberalismo vigente, que já não consegue obter retorno financeiro esperado sob o giro operacional das empresas, ou seja, as empresas são incapazes de gerar lucros operacionais que justifique o valor das ações ao nível que são negociadas nas bolsas de valores, e ainda mais, a distribuição de dividendos suficientes para justificar o investimento nas empresas.
Criação e geração de riqueza se faz na operação, com trabalho, produção, venda, e distribuição de riquezas sob a forma de dividendos e salários justos, capazes de constituir e consolidar a formação de uma classe média com poder de compra dos bens de consumo duráveis e não duráveis. Fora deste processo, o que existe é virtual e especulativo, movimento ampliado e disseminado pelo neoliberalismo. E para obter os retornos financeiros esperados pelos investidores, ocorreu ao longo das últimas décadas, uma busca incessante pela redução de custo, via a redução de salários do trabalhador, para tornar as empresas mais competitivas. Processo nocivo, que causou o desiquilíbrio econômico de muitos países, que apresentaram incapacidade de competir, pois existe uma brutal desindustrialização, empobrecimento, perda de empregos, renda e incapacidade de prosperar no comércio interno e externo.
Estamos diante de um impasse, até onde a sociedade vai caminhar nesta direção?
Não existe riqueza sustentável sem distribuição de renda e oportunidades para todos. A concentração excessiva de capital na mão de poucos não permite a edificação de uma sociedade justa, mas sim uma ditadura do capital sobre os ombros de uma maioria desfavorecida. Este talvez seja o paradigma a ser modificado pelas gerações futuras, o neoliberalismo do capitalismo vigente está demonstrando esgotamento e é incapaz de apresentar soluções sustentáveis de longo prazo.
A queda livre da Bolsa da China é um sinal, que demonstra o esgotamento do neoliberalismo vigente. E como a China tem um Estado forte, irá intervir até obter uma alternativa para a crise, que atenda em primeiro lugar seus próprios interesses, limitando a ação do livre mercado financeiro.
Talvez seja um momento de se colocar os pés no chão e passar a pisar em terreno firme, os investidores financistas terão que aprender a viver do lucro operacional das empresas, valorizar os trabalhadores e desenvolverem políticas salariais, capazes de criar e suportar a existência de uma classe média com poder de compra para sustentar as vendas e o lucro das empresas. Como não há cafezinho grátis, também não há consumo sem renda, para um modelo econômico ser sustentável é necessário que exista uma massa salarial capaz de movimentar a economia.
As políticas de austeridade implementadas pelos países, que têm desiquilíbrios fiscais, não apresentam qualquer alternativa sustentável para o emprego do trabalhador. Significa para o cidadão comum, desemprego, inflação, juros altos, diminuição da renda, queda do consumo e desaquecimento da economia, o caos... Quem paga a conta da especulação financeira é o trabalhador comum.
Para termos um planeta sustentável, a economia terá que ser sustentável, e necessitará da mão forte do Estado, capaz de fazer a intervenção necessária para a correção do desiquilíbrio, o livre mercado financeiro não é sustentável em longo prazo, e não é capaz de apresentar soluções sustentáveis para o trabalhador comum, para a sociedade.

“A liberdade responsável é a
liberdade sustentável.”
(Keller Reis Figueiredo)
 
 
 

terça-feira, 7 de julho de 2015

Grécia: o cenário é de luta de classe?


          Segundo Juan Domingo Sánchez Estop, ativista do Podemos espanhol e filósofo pela Universidade Complutense de Madrid. “Estamos ante um brutal cenário de luta de classe na Grécia. A coisa vai desde a sabotagem econômica em grande escala, com o fechamento forçado de bancos e a invalidação de cartões de crédito, até o terror social microfísico. Estamos ante um ambiente em que quem vem cortando brutalmente as aposentadorias e os salários diz abertamente que vai continuar a fazê-lo e ainda por cima acusa o governo grego de ser quem coloca em perigo os rendimentos dos cidadãos. Estamos ante um ambiente em que os grandes e pequenos patrões ameaçam te despedir se o “não” vence. Aqui, em Thasos, disseram a muita gente que trabalha no comércio, em postos de gasolina e noutros negócios que dependem do fornecimento contínuo de mercadorias que elas tirassem folga hoje e, se o “não” vencer, que não voltassem mais. Todos os capitalistas, dos maiores aos menores, estão em pé de guerra e exigem que se pague a dívida e se agrave a austeridade, para assim tornar o valor de mercado da força de trabalho ainda mais barato para eles próprios!
As grandes mídias mentem sem parar: dizem que amanhã não haverá mais nenhuma liquidez nos bancos, que a Grécia sairá do euro, da União Europeia e até do sistema solar. Dizem que haverá um corte em mais de 30% das contas de poupança com mais de 8.000 euros depositados, que não haverá nada nos supermercados, que amanhã não terá sequer pão, e que a Syriza quer instalar um regime latino-americano na Europa, quando na verdade os únicos que funcionam como uma oligarquia latino-americana antipática à democracia são os da troika interna e sua base social pitonisa: a burguesia vulgar, dependente e colonial. A direita grega, incluído aí o Partido Socialista (PASOK), agem como cobradores em nome de agiotas, ilegais e ilegítimos. São os vende-pátrias, como na Espanha ou Venezuela.
Apesar de tudo isso, a gente grega mantém o sangue frio. É o que mais chama a atenção. A concentração na Praça Syntagma anteontem foi histórica, colossal: um povo a defender um governo que se misturava com a multidão, com a gente. Varoufakis é o único ministro da economia na Europa que pode atravessar uma multidão recebendo mãos estendidas, beijos, abraços e palavras de encorajamento. Alexis Tsipras, entre a sua gente, a nossa gente, está como um peixe n´água. Há um grande orgulho neste povo, uma enorme dignidade. Ele merece ganhar das forças obscuras da chantagem e do poder oligárquico.
Aconteça o que acontecer, passada a alegria se o OXI (“não”) vencer, ou a tristeza se for o contrário, tudo será muito difícil amanhã para a maioria aqui. Será preciso seguir lutando na Grécia e no restante da Europa, porque se é verdade que o OXI salva o governo popular de Tsipras, amanhã os trabalhadores gregos seguirão tendo um governo, mas ainda sem o poder suficiente para mudar as coisas.
Ter um governo é importante, se com isso é possível mudar muitas coisas e ir transformando as leis a nosso favor, mas a gente da Grécia não precisa ter lido Walter Benjamin para saber que, enquanto os oprimidos não liquidarem a sua condição de oprimidos, eles viverão num estado de exceção permanente, em que governos legítimos e leis importam quase nada diante da realidade da ditadura de classe, das classes capitalistas. É essa ditadura que precisamos tirar de cima de nós se realmente quisermos democracia e liberdade.
O OXI grego pode ser um passo importante, mas precisamos também ganhar noutros países da Europa. Rogo por isso a todos os meus amigos e companheiros de Podemos e a todas as forças de resistência que deixem de apostar em velhos caciques e partidos e deem a palavra à gente, a ela que nutre uma necessidade vital de vencer e sair deste maldito estado de exceção com a cabeça erguida, como pessoas livres e cidadãos dignos, como nossos irmãos e irmãs da Grécia.”
Fonte: 07/07/2015  - Dom Total !
Estamos diante de um novo cenário econômico, o modelo neoliberal do capitalismo vigente demonstra não ser sustentável em longo prazo, pois não é capaz de proporcionar distribuição de renda e justiça social. O modelo de espoliação das classes menos favorecidas que sempre ocorreu nos países periféricos do globo terrestre, agora está presente nos países centrais do primeiro mundo. Ou seja, existem a criação de mais pobres no primeiro mundo.
O que podemos esperar de resultado a longo prazo?
Enquanto a sociedade não faz uma escolha de mudança de paradigma “econômico”, esta mesma sociedade continuará sofrendo as mazelas da dinâmica do neoliberalismo capitalista. Ou seja, a dor de se viver a cada dia tornará mais intensa e aguda. O exemplo do não da Grécia é um não a dor de viver a cada dia. É uma atitude reativa a esse cenário econômico que se materializou no país.
“O medo do desconhecido tornou-se menor
do que o medo do momento presente.”
(Kelmer Reis Figueiredo)
O problema é mais profundo, envolve uma estratégia geopolítica, que pode contagiar as formas de negociação dos desiquilíbrios fiscais na zona do euro por parte de outros países, como Portugal, Espanha e Itália.
Que o mundo não é perfeito todos nós sabemos, e que a injustiça econômica e social recai sobre os mais fracos, também todos nós sabemos. O desafio está em criar um modelo mais justo e sustentável, que aparentemente não é o neoliberalismo capitalista. O que está em crise não é a Grécia, mas o modelo econômico vigente, que privilegia o mercado financeiro, ao utilizar das economias países para salvar o neoliberalismo capitalista. Onde não respeita a soberania política existente em cada país. Hoje vemos o trator do mercado financeiro atropelando milhões de pessoas, ao estimular políticas de austeridade, que não são capazes de produzir um resultado efetivo para estas pessoas, ou seja, na sociedade. O que ocorre é um processo de acumulação financeira na mão de minorias, e um empobrecimento de uma maioria, o que em longo prazo irá gerar uma luta de classes, entre ricos e pobres.
Devemos perguntar:
O que o neoliberalismo capitalista está construindo?
Caminhamos para uma destruição, onde depois teremos margem, para a construção de uma nova lógica econômica. A questão é:
Quem sairá vivo desse processo perverso de desenvolvimento e crescimento?
A sociedade cientificamente evoluiu muito, mas ainda não encontramos uma resposta justa e sustentável para constituição de uma sociedade saudável.
Cabe a sociedade ter a coragem de buscar uma alternativa viável, mesmo que signifique a ruptura com o modelo econômico vigente.
“Quem vive temeroso nunca será livre.”
(Horácio)



sexta-feira, 26 de junho de 2015

Ex-astronauta da Nasa diz que alienígenas sabem que nós existimos !

 
“Existe vida inteligente fora da Terra? Essa é uma pergunta para a qual não temos resposta concreta. Mas os extraterrestres sabem que nós existimos. Pelo menos essa é a opinião de John Grunsfeld, ex-astronauta da Nasa, que confia muito na capacidade alienígena.
“Nós deixamos marcas na atmosfera terrestre que podem ser captadas por um telescópio gigante a 20 anos-luz e que poderia nos identificar com alguma facilidade”, afirma Grunsfeld durante palestra feita na Conferência de Ciência e Astrobiologia, que ocorreu em Chicago, nos Estados Unidos.
As declarações do ex-astronauta só corroboram com o fato de que a Nasa pode ter encontrado indícios fortes de vida extraterrestre. Em abril deste ano, Ellen Stofan, chefe de pesquisa da agência espacial, afirmou que dentro de 20 ou 30 anos os seres humanos deverão ter evidência de vida extraterrestre.
Os planos da Nasa envolvem agora o lançamento de um novo robô a Marte para procurar sinais de vida passada por lá. Nesta semana foi divulgada uma imagem que mostra uma suposta pirâmide.”

Por: Redação Yahoo! Brasil | Super Incrível

Se a potencial verdade relatada logo acima, for realmente verdadeira, qual é o nível de importância que podemos dar a esta informação?
Caso o Homem não deflagre um conflito nuclear, a vida no planeta terra terá uma dinâmica muito diferente a partir dos próximos 20 ou 30 anos.
Realmente será uma nova era, na qual a humanidade toda deverá questionar os direcionamentos, religiosos, filosóficos, políticos, sociais, econômicos, científicos, humanísticos, que até então construíram o mundo contemporâneo.
De ondo viemos? Para que vivemos? Para onde vamos?
São perguntas, que terão respostas a partir de novas perspectivas. E serão estas novas perspectivas que possibilitarão a construção de uma sociedade mais justa, sustentável, menos egoísta, centrada no Homem.
Até lá estarei idoso, mas torcendo pela transformação da humanidade, pois hoje o planeta terra atingiu o seu limite, não em população, mas na forma como vem sendo administrado os recursos da terra.
Vivemos uma crise, fruto de um modelo econômico, que em 350 anos foi capaz de destruir qualquer tipo de expectativa de médio e longo prazo para a população do planeta, não é sustentável, esta realidade terá um fim, e veremos nascer outro momento, outra possibilidade, mais justa e sustentável para todas as formas de vida do planeta terra.

“A mente é como um paraquedas:
Só funciona quando aberta.”
(Lorde Thomas Dewar)