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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Divina Misericórdia !

 
O que é Misericórdia ?

         Misericórdia é o sentimento de dor e solidariedade com alguém que sofre uma tragédia pessoal ou que caiu em desgraça, acompanhado do desejo de ajudar ou salvar esta pessoa, dó, compaixão, piedade, perdão, indulgência, graça, clemência, caridade.

Deus é misericordioso?

         Toda a Bíblia, do começo ao fim, mostra que Deus é um Deus de Misericórdia. “Deus compassivo, lento para a cólera e rico em bondade e fidelidade, que conserva a Misericórdia por mil gerações, que perdoa a iniquidade, transgressão e pecado”. (Ex. 34,7)

         Qual o desígnio de Deus para o homem?

         Deus infinitamente perfeito e misericordioso criou o homem Filho como Salvador dos homens caídos no pecado, para salvá-los por sua Misericórdia infinita.

         De que modo Deus se revela que é Misericórdia?

         Deus se revela a Israel como aquele que tem um amor e Misericórdia mais forte do que o de um pai ou mãe pelos seus filhos, ou de um esposo por sua esposa. Ele em si mesmo é Amor, que tanto amou o mundo que deu seu Filho único para que todo o que nele crer seja salvo por ele.

         E quem venera a Divina Misericórdia, se cumpre a promessa de Jesus, que disse: “As almas que veneram a minha insondável Misericórdia, Eu mesmo as defenderei durante a vida, especialmente na hora da morte, como minha glória. Amém (Diário, n. 1224-1225)

Caminho Existencial !

         
          Profetizado por uma tribo semita, escolhida para receber a revelação de um projeto divino. Para os Cristãos, em um momento da trajetória histórica da humanidade nasce um Homem que diz:

João 14, 5-7

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.”

         Este Homem morreu e foi denominado como:

João 19, 19-19

“Jesus Nazareu, o Rei dos judeus.”

         O Filho que veio trazer a misericórdia Divina para a justiça do Pai.

O que isso nos fala existencialmente?

         Que existe uma vida após a morte?

         Que existe um Deus de vivos e não de mortos?

Lucas 20, 36-38

“Pois nem mesmo podem morrer: são semelhantes aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição. Ora, que os mortos ressuscitam, também Moisés o indicou na passagem da sarça, quando diz: o Senhor Deus de Abrão, Deus de Isaac e Deus de Jacó. Ora, Ele não é Deus de mortos, mas sim de vivos; todos, com efeito vivem para Ele.”

         Esta talvez seja a promessa existencial para além da vida material, destinada ao Homem, a Vida Eterna, plena, abundante, justa, imersa no amor de Deus.

         Façamos uma reflexão existencial:

         Em que medida somos justos?

         Merecedores da transcendência imaterial?

         Caso nos sintamos frágeis, miseráveis, recorramos a Divina Misericórdia, capaz de tudo suportar e perdoar. Para conhecermos a verdade somos convidados a fazer uma peregrinação existencial, é uma busca.

         Está em nossas mãos fazer uma escolha existencial.

“Fazemos nossos caminhos e lhes chamamos destino.”

(Benjamin Disraeli)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O Que é o Mundo !

Que é o mundo? E que deve ele ser para o cristão? Duas questões bem interessantes para todos quantos desejam pertencer inteiramente a Deus e assegurar a salvação.

Que é o mundo?

É o inimigo de Jesus Cristo, o inimigo do Evangelho.

É esse conjunto de pessoas que, presas às coisas sensíveis, fazendo consistir nelas a felicidade, têm horror aos sofrimentos, à pobreza, as humilhações e consideram estas e aqueles, como verdadeiros males de que cumpre fugir e contra os quais de deve estar garantido, custe o que custar.

Que, em contraposição ligam o maior apreço aos prazeres, as riquezas e as honrarias; reputam umas e outras, verdadeiros bens; os desejam e buscam portanto, com ardor extremo e sem escolherem os meios; os disputam, invejam e arrebatam uns e outros; só se estima ou desprezam-se mutuamente, na medida em que os possuem; em suma, fundam na aquisição e no gozo desses bens todos os seus princípios toda a sua moral, todo o plano de sua conduta.

O espírito do mundo é, pois, evidentemente oposto ao espírito de Jesus Cristo e do Evangelho. Jesus Cristo, na oração por Seus eleitos, declara não orar pelo mundo; anuncia, aos Apóstolos e, nas pessoas destes, a todos os cristãos, que o mundo os há de odiar e perseguir, como a Ele próprio odiou e perseguiu. Quer que a seu turno façam eles contínua guerra ao mundo.

Nos primeiros séculos da Igreja, quando quase todos os cristãos eram santos e a parte restante da humanidade achava-se abismada na idolatria, fácil tornava-se discernir o mundo, conhecer a gente que se podia frequentar e a que se devia evitar.

O mundo, então desencadeado contra Jesus Cristo, distinguia-se por sinais inequívocos. Depois que nações inteiras abraçaram o Evangelho e o relaxamento se introduziu entre os cristãos, formou-se pouco a pouco no meio deles um mundo no qual reinam todos os vícios da idolatria, um mundo ávido de honras, prazeres e riquezas, um mundo cujas máximas combatem diretamente as máximas de Jesus Cristo.

Mas, como esse mundo professa exteriormente o cristianismo, hoje é mais difícil discerni-lo. A sua frequentação também se tornou mais perigosa porque ele disfarça sua má doutrina com mais habilidade, propaga-a com mais tento, emprega toda a sua sutileza para conciliá-la com a doutrina cristã e, nesse intuito, enfraquece, suaviza tanto quanto pode o santo rigor do Evangelho escondendo cuidadosamente, por outro lado, todo o veneno da sua moral.

Daí um perigo de sedução tanto maior porquanto não se percebe e contra ele não se está em guarda; daí certo espírito de transigência e adaptação, pelo qual se procura conciliar a severidade cristã com as máximas do século sobre a ambição, a cobiça, o gozo dos prazeres; acordo impossível, condescendências ou atenuações que tendem a lisonjear a natureza, alterar a santidade cristã e formar consciências falsas.

É incrível a que ponto chega o desconcerto, mesmo entre pessoas que se prezam de ser piedosas e devotas: desvario num sentido mais difícil de reprimir do que o resultante de uma conduta abertamente mundana e criminosa, porque não querem reconhecê-lo e a seu respeito se iludem.

Se quisermos viver nesta terra sem participar da corrupção do século, só temos um partido a tomar, o de rompermos absolutamente com o mundo pelo coração e entrarmos a sentir com São Paulo, quando exclamava: O mundo está crucificado para mim, e eu estou crucificado para o mundo.

Oh! que belas palavras, e quão profundo o sentido que encerram!

A cruz era outrora o suplício mais infame, o suplício dos escravos.

Dizendo o Apóstolo que o mundo está crucificado para ele, é como dissesse: Tenho pelo mundo o mesmo desprezo, a mesma aversão, o mesmo horror que por um vil escravo crucificado pelos seus crimes: não posso suportar lhe a vista, ele é para mim objeto de maldição, com o qual toda ligação em todo trato e toda relação me são interditos.

Nada de exagerado tem, ao invés, apenas justo e legítimo é esse sentimento de São Paulo, que deve ser o de todo cristão e a razão é evidente: o mundo crucificou Jesus Cristo, depois de havê-lo caluniado, insultado, ultrajado.

Crucifica-o ainda todos os dias: é, pois, justo que o mundo, por sua vez, esteja crucificado para o discípulo de Jesus Cristo; é justo ter o discípulo horror ao inimigo capital do Mestre, do seu Salvador, do seu Deus.

Assim a renúncia ao mundo é uma das promessas mais solenes do batismo, uma condição essencial, sem a qual a Igreja não nos teria admitido entre seus filhos.

Pensamos nessa promessa?

Pensamos nas obrigações que ela acarreta?

Examinamos até onde deve chegar a nossa renúncia?

A renúncia do cristão a respeito do mundo deve ir tão longe quanto à renúncia do mundo a respeito de Jesus Cristo.

Esta regra é clara e em face da sua precisão fora impossível nos enganarmos. Só nos resta aplicá-la em toda a extensão. O mundo tem o seu evangelho: só temos que tomá-lo numa das mãos e o Evangelho de Jesus Cristo na outra; só temos que comparar, sobre os mesmos objetos, a doutrina e os exemplos de um e de outro, só temos que opor Jesus Cristo na Cruz, no sofrimento, no opróbrio e na nudez, ao mundo cercado e embriagado de honras, riquezas e prazeres, e dizer a nós mesmos: A quem desejo pertencer?

Eis aí dois inimigos irreconciliáveis, fazendo-se reciprocamente a guerra mais cruel. A favor de qual deles desejo declarar-me? É-me impossível ficar neutro, ou tomar o partido de ambos. Se escolho Jesus Cristo e a Sua Cruz, o mundo me reprova; se me prendo ao mundo e às suas pompas, Jesus Cristo me rejeita e condena: poderei hesitar? É cristão aquele que hesita sequer um instante?

Mas, se uma vez nos alistamos sob o estandarte da Cruz, não é evidente que desde esse momento o mundo se torna inimigo com o qual não há mais a fazer pazes nem lhe dar tréguas?

Como isso vai longe, ainda uma vez! E como os cristãos seriam santos se da grandeza de seus compromissos bem se compenetrassem.

Não basta estar o mundo crucificado para nós, é preciso que consintamos estar também crucificados para o mundo, isto é, que o mundo nos crucifique como crucificou a Jesus Cristo; nos guerreie do mesmo modo que guerreou a Jesus Cristo; nos persiga, calunie e ultraje com igual furor; nos arrebate, finalmente, os bens, a honra, a própria vida.

É mister não só consentirmos em todos esses sacrifícios de preferência a renunciarmos à santidade cristã, mas também fazer disso motivo de alegria e triunfo.

O discípulo deve gloriar-se de ser tratado como o Mestre: Se eles me perseguiram, dizia Jesus Cristo a Seus Apóstolos, também vos perseguirão: é coisa infalível. O mundo não seria o que é, ou os cristãos não seriam o que devem ser, se escapassem à perseguição do mundo.

Procuramos muitas vezes certificar-nos do nosso estado; quiséramos saber se somos agradáveis a Deus, se Jesus Cristo nos reconhece como pertencentes a Ele. Eis um meio bem próprio para esclarecer-nos e dissipar todas as nossas inquietações: indaguemos se o mundo nos estima e considera, se fala bem de nós e nos procura.

Neste caso não pertencermos a Jesus Cristo. Pelo contrário, se ele nos censura e ridiculariza, se nos calunia foge de nós, nos despreza e odeia, oh! Que grande motivo de consolação, oh! Que poderosa razão para crermos que pertencemos a Jesus Cristo!

Vejamos, pois, seriamente diante de Deus, o que o mundo é para nós e o que somos para o mundo.

Sondemos as nossas disposições interiores, estudemos os sentimentos mais profundos do nosso coração: acharemos por certo, motivo para nossa confusão e humilhação; verificaremos haverem as máximas do mundo deixado profundos vestígios em nosso espírito e que em muitas circunstâncias delicadas os nossos juízos se aproximam ainda dos seus.

Verificaremos que somos ciosos de sua estima e temeremos seus desprezos; que gostamos de cultivar e entreter certas relações e veríamos com desprazer os outros afastarem-se de nós; que temos, em várias ocasiões, condescendências, atenções, respeitos humanos que nos incomodam peiam e conservam numa espécie de constrangimento e dissimulação.

Veremos, numa palavra, que não somos bem claramente a favor de Jesus Cristo e contra o mundo.

Mas não desanimemos: triunfar plenamente do mundo, afrontá-lo, desprezá-lo, achar bom que por sua vez ele nos afronte e despreze, não é obra de um momento.

Exerçamo-nos nas pequenas ocasiões que se apresentam: se Deus nos ama, jamais deixará de nos proporcionar e pelas pequenas vitórias reparemo-nos aos grandes combates. Lembremo-nos, sendo preciso, das palavras de Jesus Cristo: Tende confiança, eu venci o mundo.

Supliquemos-lhe que nos ajude a vencer, ou antes, que Ele mesmo vença em nós o mundo e destrua em nossos corações o reino deste para aí estabelecer o Seu.

Excerto retirado do Manual da Almas Interiores Compêndio de Opúsculos Inéditos Pe. Grou.

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O Magnificat !

 

(Evangelho de Lucas 1, 46-55)

 

Maria, então, disse:

“Minha alma engrandece o Senhor,

e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador,

porque olhou para a humilhação de sua serva.

Sim! Doravante as gerações todas

me chamarão de bem-aventurada,

pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor,

Seu nome é santo

e sua misericórdia perdura de geração em geração,

para aqueles que o temem.

Agiu com a força de seu braço,

dispersou os homens de coração orgulhoso.

Depôs poderosos de seus tronos,

e a humildes exaltou.

Cumulou de bens a famintos

e despediu ricos de mãos vazias.

Socorreu Israel, seu servo,

lembrado de sua misericórdia

- conforme prometera a nossos pais –

em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre!”

 

Para quem crê, podemos contar com uma mãe em tempos difíceis, e para quem não crê?

 

“Aquilo a que a lagarta chama fim do mundo,

o homem chama borboleta.”

(Richard Bach)

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Descrição do Juízo Final !


          “Quando, pois, vier o Filho do homem na sua majestade, e todos os anjos com ele, então se sentará sobre o trono da sua majestade; e serão todas as gentes congregadas diante dele, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
E porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda. Então o rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possui o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo; porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era peregrino e recolhestes-me; nu e me vestistes; enfermo, e me visitastes; estava no cárcere, e fostes visitar-me.
Então lhe responderão os justos: Senhor, quando é que nós te vimos faminto, e te demos de comer; sequioso, e te demos de beber? E quando te vimos peregrino e te recolhemos; nu e te vestimos? Ou quando te viemos enfermo, ou no cárcere, e fomos visitar-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: na verdade vos digo que todas às vezes que vós fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.
Então dirá também aos que estiverem à esquerda: apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e para os seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era peregrino e não me recolhestes; estava nu, e não me vestistes.
Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando é que nós te vimos faminto, ou sequioso, ou peregrino, ou nu, ou enfermo, ou no cárcere, e não te assistimos? Então lhes responderá, dizendo: Na verdade vos digo: todas as vezes que o não fizestes a um deste mais pequeninos, a mim o não fizestes. E estes irão para o suplício eterno; e os justos para a vida eterna.” (São Mateus, cap. 25, v. 31-45)
Comentários e observações:
A) Depois das parábolas sobre o fim do mundo, Nosso Senhor expõe o modo como o mundo será julgado. Devemos guardar isso bem fundo em nossa alma pois é o próprio Jesus Cristo quem o mostra do modo mais terrível e claro.
Não disse, como nas parábolas anteriores, ‘o reino do céus é semelhante’, mas manifestando-se e revelando sua própria pessoa ao dizer "quando vier o Filho do homem”.
Ele que, dois dias depois, haveria de celebrar a Páscoa e sofrer o escárnio dos homens e a morte de cruz, nessa ocasião promete o triunfo de sua ressurreição para, com a promessa do prêmio, compensar o sofrimento daqueles que iriam presenciar a sua Paixão. E é de se notar que quem há de ser visto com majestade é o Filho do homem!
B) Nosso Senhor será visto em forma humana, pois o verão os ímpios e os justos, porque no juízo aparecerá com a mesma forma que tomou de homem. Mas, depois, será visto na forma divina, aquela que  todos os fiéis (os justos) almejam. Voltará com glória para que seu corpo apareça transfigurado como o foi no monte.
C) Virá como os anjos, que convocou das alturas para celebrar o juízo. E todos concorrerão para dar testemunhos, eles mesmos, do ministério que exerceram por ordem de Deus para a salvação dos homens. Aliás, Nosso Senhor designou também de “anjos” certos homens que julgarão com Ele, pois, como os anjos, eles também pregaram aos homens a salvação.
D) Quando aparecer, será como um relâmpago, porque os maus não se conhecem, nem conhecem a Nosso Senhor Jesus Cristo, e os justos só o veem como num espelho ou por figura. Então não estarão separados os bons dos maus. Mas, quando, por aparição do Filho de Deus tomarem conhecimento de si mesmos, então o Salvador separará os bons dos maus, porquanto os pecadores conhecerão seus pecados, e os justos verão de maneira patente o fim ao qual os conduziram suas obras de justiça.
E) Designam-se ovelhas os que se salvam pela mansidão que aprenderam daquele que disse “aprendei de mim que sou manso” e porquanto estiveram dispostos até sofrer a morte imitando a Nosso Senhor Jesus Cristo que, como ovelha, foi conduzido à morte.
Os maus, pelo contrário, são designados de cabritos, porque eles sobem aos mais ásperos penhascos e caminham por seus precipícios.
A uns (os maus) se chama de cabritos, para demonstrar a inutilidade deles pois de nada aproveitaram. E aos outros (os bons), de ovelhas, porque é muito o fruto que das ovelhas se tira, como a lã, o leite e cordeirinhos que nascem. A Sagrada Escritura costuma designar a simplicidade e a inocência com o nome de ovelha. Belamente, pois, se indica aqui os eleitos com o nome de ‘ovelhas’. Já o cabrito é animal lascivo, que na lei antiga se oferecia para vítima dos pecados.
F) Os justos (aqueles que realizaram obras direitas), receberão como prêmio de suas obras a direita do Rei, na qual está o descanso e a glória. Mas os maus, por suas obras péssimas e sinistras, cairão à esquerda. Ou seja, na tristeza dos tormentos.
G) As palavras “tive fome e me destes de comer…” indicam os méritos pelos quais os justos recebem os bens do reino celestial. É de se notar que Nosso Senhor, aqui, faz menção às sete obras de misericórdia. Mas, num sentido místico, também cumpre as leis do verdadeiro amor aquele que, a que tem fome e sede de justiça, alimenta com o “pão da palavra” ou o refrigera com a “bebida da sabedoria” e também aquele que encaminha para a casa da Santa Igreja quem anda errante nas heresias ou nos pecados ou quem está enfermo na fé.
H) Convém notar que, para os justos, Nosso Senhor disse “benditos de meu Pai”, mas para os ímpios não disse “malditos de meu Pai”.  Isto porque quem dispensa a bendição é o Pai, ao passo que o autor da maldição é, para si mesmo, cada um dos que fizeram coisas próprias da maldição.
I) Os que se apartam de Nosso Senhor caem no fogo eterno. Não disse que o reino está preparado para os anjos, mas disse que o fogo eterno o está para o diabo e seus anjos. Porque Ele não criou o homem para que ele se perca, mas aqueles que pecam se unem, com isso, ao diabo. Então, dessa forma, os que se salvam são comparados aos anjos santos, e da mesma maneira são comparados aos anjos do diabo aqueles que se condenam.
J) Dessa passagem do Evangelho se colige que o fogo eterno é um só destinado ao suplício dos homens como ao suplício dos demônios. Ele causa dano ao tato corporal para que, por ele, sejam atormentados os corpos e serve também de pena para os espíritos malignos, contudo destituídos de corpos.
Porque os espíritos incorpóreos (os anjos) podem ser afligidos com a pena do fogo, assim como as almas dos homens (embora sendo inteiramente incorpóreas) podem ser encerradas nos membros corporais e também então ser sujeitos indissolúveis aos vínculos de seus corpos. Da mesma forma, os demônios (embora incorpóreos) aderem aos fogos corporais para serem atormentados, recebendo os sofrimentos, embora não dando vida aos fogos. Então, aquele fogo é corporal e atormentará os corpos dos homens juntamente com seus espíritos, mas aos demônios atormentará os espíritos sem corpos.
Fonte: Catena Áurea – São Tomás de Aquino – Buenos Aires – Cursos de Cultura Católica – 1946.

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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Vou te contar uma história...(1)

Bem antes de escrever

Venho me pego pensando

Em que sem motivo pensar

Como que em estado de encanto

Me pego falando de múltiplas coisas

Tempo de espanto em descobertas

Muito agudo até musical

Fazendo de mim

Contador de histórias

Fatos da vida

Coisas de cada dia

Pequenas grandes

De vários tamanhos

De todas as formas

Que estão por aí

E chegam a mim

Como a força

De atração de um ímã

Que retém aquilo que é seu

Complemento de força

E assim vai-se o tempo

De tão atarefado

Por não esperar

Nem nunca parar

Caminha ao meu lado

Pra relembrar-me

De que aqui não pertenço

Apenas estou

Porque me foi outorgado

O direito de vida

Que ainda estou por descobrir

O sentido de tal manifestação

Que parte de um início

Que julgo ser tão simples

Ao ponto de tudo fazer

Um único SER

De infinita amplitude

E em tudo estar

E é por isso que vou te contar

Uma história que parte de um início

Sem fim pra parar...

(1 – Continua...)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Ato Puro !

Argumento do ato puro é uma tentativa de provar a existência de Deus com o uso da lógica. Seu proponente foi Aristóteles e consiste no seguinte. Suponha-se que uma semente é um carvalho em estado de potência e que o carvalho é a mesma semente em estado de ato. O desenvolvimento de potência em ato é chamado de atualização. Entretanto, um carvalho não se atualiza sozinho, ele necessita de um carvalho anterior a ele, que gera a semente a se desenvolver no processo de atualização.

A vida humana surge como uma semente, que nasce, cresce e morre?

          Dessa forma, cada ser em potência necessita de um ser em ato anterior a ele para se atualizar. Cada carvalho necessita de um carvalho mais antigo de modo a se recuar numa série de seres em potência e ato, cada ser em ato gerando um novo ser em potência, que se atualiza e gera outro ser em potência. Essa regressão não pode ser infinita porque uma série de causas que se estende infinitamente nunca vai produzir um efeito, é impossível atravessar um tempo infinito entre a causa e o efeito.

         Qual ser em ato anterior deu potência ao “Homem”?

Então, para que o Universo faça sentido, deve haver um ser em estado de puro ato, aquele que não possui potência alguma, logo não precisa se atualizar e não depende de um ser preexistente. Esse ser, a quem se pode chamar Deus, sempre existiu porque nunca teve um estado de potência, não possui uma origem e um processo de desenvolvimento. Nessa condição, ele pode dar início a toda a cadeia de atualizações que culmina na semente proposta inicialmente.

A partir da existência de Deus a existência do “Homem” adquiriu sentido?
           O argumento se fundamenta na causalidade e na finitude do tempo, as mesmas premissas do argumento da causa primeira e, de fato, os dois argumentos estão intimamente ligados. A metafísica de Aristóteles foi apropriada por Santo Tomás de Aquino para justificar as crenças cristãs de um criador e de uma criação em certo tempo passado. Não é necessariamente a prova de Deus como este é visto pelos cristãos, nem se pode atribuir ao ato puro qualidades antropomórficas. Além disso, os objetivos de Aristóteles eram diferentes.

          Para a busca de respostas para as prováveis perguntas, recomenda-se aplicar a Lógica Dialética, e não aplicar a Lógica Matemática, pois a questão é ampla e imprecisa ao longo de um diálogo direcionado a compreensão e entendimento.

A vida a qual percebemos e visualizamos conforme nossa representação é a manifestação de algo que existe e é o princípio de tudo, capaz de atualizar o tempo e espaço a nossa volta.

Em que medida o “Homem” pode acreditar no Ato Puro?

“Se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo.”

(Voltaire)