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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Trabalhador sem renda justa, a economia não cresce !





         Estamos no Brasil, dia 1ª de Maio de 2019, data para se comemorar o dia do trabalhador, aquele que ajuda o patrão a gerar riqueza para o país. Em virtude da alta taxa de pessoas desempregados, há muito pouco o que se comemorar, mas há um alerta a fazer:
         A economia do Brasil só voltará a crescer se o trabalhador voltar a ter uma renda justa, que o possibilite consumir todo o tipo de produtos, pois nas condições atuais, o trabalhador tem uma renda insuficiente para viver dignamente.
Segundo o caderno de economia do UOL, de 06/02/2019 em São Paulo, em janeiro, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 3.928,73. A estimativa é do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos).
Esta é a realidade de vida do trabalhador brasileiro, como ele poderá ajudar a economia do país com sua baixa capacidade de consumo? Pois, o salário mínimo de 2019 é de R$ 998,00. Ou seja, as reformas virão, mas se não existir um programa para a recuperação da renda do trabalhador, a economia do Brasil continuará a patinar, investimentos serão feitos, mas não existirão consumidores. Um país rico com uma população pobre, ou melhor, miserável.
O sistema financeiro, que até então, se sente intocável, imune à crise, viverá o seu maior revés, o lucro contábil apresentado em seus balanços, não se realizarão, em virtude da elevada inadimplência das pessoas físicas, das pessoas jurídicas e do Estado. Todos nós estaremos inseridos dentro de um enorme círculo vicioso, onde todos perdem, pois até os investidores estrangeiros deixarão de investir no Brasil.
Juntamente com as reformas, tem que haver um programa de recuperação da renda do trabalhador, pois o trabalhador recebendo um salário justo, consome, as empresas vendem e têm lucro, os bancos recebem as parcelas dos empréstimos e realizam financeiramente o lucro contábil, o Estado passa a recolher mais impostos e supera o sistêmico déficit fiscal. O Brasil precisa olhar para cima e construir a roda da fortuna, tudo começa com a renda do trabalhador.
Então fica uma reflexão, como cidadãos brasileiros, queremos viver em um país de eterna injustiça econômica social ou iremos lutar para revertermos esta trajetória e construir um país justo, capaz de valorizar o dia do trabalhador e ter um motivo real para comemorar?
Uma economia forte é feita de trabalhadores fortes, pois todos são trabalhadores, mesmo os patrões.


domingo, 7 de abril de 2019

O que está acontecendo com a nossa casa ?


          Vivemos uma contínua aceleração das mudanças na humanidade e no planeta, e os objetivos desta mudança rápida e constante não estão necessariamente orientados para o bem comum e para um desenvolvimento humano sustentável e integral.
A – Poluição e mudanças climáticas
A poluição, resíduos e cultura do descarte: Existem formas de poluição que afetam diariamente as pessoas. A exposição aos poluentes atmosféricos produz uma vasta gama de efeitos sobre a saúde, particularmente dos mais pobres, e provocam milhões de mortes prematuras.
Na realidade, a tecnologia, que, ligada à finança, pretende ser a única solução dos problemas, é incapaz de ver o mistério das múltiplas relações que existem entre as coisas e, por isso, às vezes resolve um problema criando outros.
Devemos considerar também a poluição produzida pelos resíduos, incluindo os perigosos presentes em variados ambientes. Produzem-se anualmente centenas de milhões de toneladas de resíduos, muitos deles não biodegradáveis: resíduos domésticos e comerciais, detritos de demolições, resíduos clínicos, eletrônicos e industriais, resíduos altamente tóxicos e radioativos.
O sistema industrial, no final do ciclo de produção e consumo, não desenvolveu a capacidade de absorver e reutilizar resíduos e detritos.
          O que as futuras e atuais gerações podem fazer?
B – O clima como bem comum
O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos. Em nível global é um sistema complexo, que tem a ver com muitas condições essenciais para a vida humana.
Há um consenso científico muito consistente, indicando que estamos perante um preocupante aquecimento do sistema climático, embora não se possa atribuir uma causa cientificamente determinada a cada fenômeno climático em particular.
A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo, para combater esse aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam.
Numerosos estudos científicos indicam que a maior parte do aquecimento global das últimas décadas é devido à alta concentração de gases de efeito estufa emitidos, sobretudo, por causa da atividade humana.
A sua concentração na atmosfera impede que o calor dos raios solares refletidos pela terra si dilua no espaço. Isto é particularmente agravado pelo modelo de desenvolvimento baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis, o qual está no centro do sistema energético mundial. E incidiu também a prática crescente de mudar a utilização do solo, principalmente o desflorestamento para finalidade agrícola.
Como podemos mudar as nossas vidas?
Bibliografia:
PAPA FRANCISCO, Carta Encíclica – LAUDATO SI – Sobre o cuidado da casa comum. 1ªed. – 2015 – 2ª reimpressão – 2015. Paulinas. São Paulo – SP – 2015.









segunda-feira, 4 de março de 2019

A Luta de Ricos contra Pobres no Brasil !





         O novo governo brasileiro tem como visão de mundo a ideologia liberal, que possibilita a realização de políticas pública que venham a atender 10% da população mais rica do Brasil, que concentrava 43,3% da renda do país em 2017, diz IBGE. Segundo economia, uol de 11/04/2018. O problema do Brasil é a distribuição da renda e falta de oportunidades, sem resolver estas questões a economia não decola, as reformas liberais serão feitas mais não farão crescer a economia do Brasil.
         As reformas econômicas previstas pelo atual governo liberal só têm um compromisso: atender os interesses do mercado financeiro, que apenas 10% da população tem acesso, em função da renda.
A primeira reforma, a da previdência, que tem como objetivo economizar 1 trilhão de reais em 10 anos. Quem vai pagar a maior conta será 70% da população que tenha uma renda até 2 salários mínimos. A pergunta é: para quem? Os rentistas, os fundos de aplicadores em títulos do governo. Seria uma forma de garantir o pagamento dos juros das aplicações.
A segunda reforma, a tributária, que tem como objetivo diminuir a carga tributária no país e consequentemente menos dinheiro para educação, saúde e segurança.
A terceira reforma, a do Estado, que tem como objetivo diminuir o tamanho do Estado Brasileiro, em vez de tornar os serviços do Estado mais eficientes com a implantação de tecnologias, que racionalizem as operações e diminua os custos. Não pense que seja uma missão impossível, é só procurarmos avaliar como a Secretaria da Receita Federal opera. Os serviços podem ser comparados como serviços de primeiro mundo. Por que não podemos ter a mesma qualidade de serviços nas outras áreas do governo como por exemplo: Segurança pública, educação e saúde?
Uma sugestão, por que não se faz uma CPI (Lava Jato) da dívida pública? Como pode crescer a uma velocidade tão rápida, parece-me que há alguma falha na gestão da dívida pública. Quem são os maiores beneficiários, e a quem interessa um Estado brasileiro inviabilizado financeiramente?
O Brasil deve ser a 5ª maior economia do mundo em 2050, segundo pesquisa da PwC. O PIB per capita projetado para o País deve ser de US$ 7.540 em 2050, considerando dólares correntes, ante os US$ 3.135 do ano passado. Pelas projeções, o Brasil sai da sétima posição mundial, em 2016, recua para a oitava colocação em 2030 para, depois, subir para a quinta colocação em 2050. (NOVAREJO - https://portalnovarejo.com.br/2017/02/brasil-deve-ser-5a-maior-economia-do-mundo/)
O que o Brasil vive no momento presente? É a luta de ricos contra pobres (trabalhadores) pela renda nacional. Até quando a população deve se sujeitar a esta condição de vida? Está na hora do povo se organizar e mostrar o que espera de seus governantes em um Estado democrático de direito, tem que ser dado um basta, não é possível que 10% da população diga como tem que ser o destino e a vida de 90% da população.
Esta situação comprova que a população brasileira não vive um democracia, é uma falácia, pois uma minoria manda e uma maioria obedece, é a ditadura da elite econômica, que não tem qualquer compromisso com a segurança, saúde e educação da população. As reformas liberais só servem para um fim: ratificar os interesses da elite econômica brasileira, que de brasileira não tem nada, pois não está comprometida com o país e muito menos com a população. Nossos atuais líderes políticos são apenas empregados bem remunerados dessa perversa elite econômica brasileira.
Acorda povo brasileiro! Está na hora de fazer prevalecer os interesses de 90% da população brasileira e tornar de fato o Brasil um país dos brasileiros que trabalham todos os dias por um baixo salário, e com o risco de perder direitos trabalhistas que foram duramente conquistados ao longo de sua história. Vamos à luta, não deixemos que tirem tudo de nós, nossos sonhos, conquistas e até o futuro.



domingo, 27 de janeiro de 2019

A vida de quem prova que é possível mudarmos para melhor !



        O ser humano não é escravo de sua história, ele pode mudar o seu padrão autogênico, ou seja, o reordenamento interior, a ressignificação do vivido, a organização da sua malha intelectiva. Pois, os equilíbrios estabelecidos não são permanentes, as estruturas não são fixas, os hábitos não são rígidos e a própria relação entre os tópicos que formam a estrutura do pensamento podem variar. Nós somos livres, podemos superar os choques existenciais e os nós que amarram as nossas vidas. Tudo depende de uma tomada de decisão, o homem é livre, capaz de por suas escolhas realizar um caminho próprio ou projeto existencial. O destino do homem está em suas mãos e o que torna sua vida singular é resultado do que faz. A vida é uma construção, um projeto, tudo depende da busca, que tem a ver com a direção ou sentido que quer dar à vida.

         Baixos padrões autogênicos são caracterizados por emoções como: ódio, desespero, angústia, inveja, solidão, ansiedade, exclusão e outros, que podem provocar choques na Estrutura de Pensamento. É possível superar este estado de coisas, organizando de forma harmoniosa a Estrutura de Pensamento, selecionando atitudes, refazendo objetivos, mudando pensamentos, criando novas buscas, direção e sentido para a própria vida. E assim, elevar o padrão autogênico, passar a viver outras emoções, como: amor, amizade, generosidade, compaixão, perdão, autruísmo, a beleza do mundo e outras. Um exemplo prático é do Homem mais inteligente da história, Jesus.

         “Ao examinarmos a vida de Jesus relatada nos evangelhos, notamos que ele vai se modificando gradualmente. A existência do menino obediente, do jovem carpinteiro vai se tornando diferente à medida que ele aprofunda suas experiências religiosas e toma consciência de sua condição divina. Os fatos de sua vida mudam substancialmente então e ele se eleva para padrões autogênicos altíssimos e fica muito distante das pessoas comuns. Quando Jesus foi batizado por João Batista o processo de elevação autogênica chegou a esse patamar altíssimo. Ele sai das águas do Jordão modificado. Já não viverá ocupado com os trabalhos rotineiros de carpinteiro, provavelmente vagando pelas cidades da região à procura de trabalho, mas se dedicará a difusão de uma nova forma de vida. Jesus anunciará o reino de Deus presente no coração de cada homem. Ele espera que com o anúncio da boa nova cada pessoa se transforme intimamente para viver desde já com a cabeça em outro Reino. Jesus alcançou níveis atingiu uma nova vizinhança tópica: ensinou o perdão aos inimigos, a compaixão para com os que sofrem, a mudança de atitude em cada momento da vida, desejou que seus seguidores buscassem o Reino de Deus em primeiro lugar. Em resumo, ele renova todas as coisas e faz as coisas diferentemente do que os homens geralmente fazem quando a cabeça e as emoções estão com os pés neste mundo.”

         Esta busca é o que dá sentido a vida neste mundo, embora a elevação de padrão autogênico como a experimentada por Jesus de Nazaré não é algo fácil, poucos a vislumbram e quase ninguém a alcança. A elevação espiritual não é uma conquista fácil, é uma conversão constante, um processo, um projeto de vida, onde a pessoa precisa desenvolver elementos de sua personalidade para atingir níveis elevados. A figura dos Santos Cristãos Católicos é a prova de que todos nós podemos alcançar níveis de elevado padrão autogênico, somos convidados a uma jornada existencial que nos leve a santidade. Esta talvez seja a casa do Pai, a qual todos nós temos como morada final.

         Reflexão realizada a partir de fragmentos do livro:

         CARVALHO, José Maurício de Carvalho. Diálogos em filosofia clínica – São Paulo: FiloCzar, 2013.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

O que é o Mercado? Quem é o Mercado?



O mundo capitalista é formado pelo Mercado, onde se desenvolve as relações entre as pessoas, e estas relações são validadas pela troca de valores econômicos. A sociedade capitalista vive em função do Mercado, os fundamentos que definem a forma de ser são orientados conforme os interesses do Mercado, consolidando uma ética. O que afeta as regras que vão constituir uma moral. Adotar uma ética e uma moral diferente, que não esteja em consonância com o Mercado, é ter uma visão de mundo divergente, é ser um subversivo, que não aceita a ordem estabelecida no mundo capitalista.

Mas o que é o Mercado?

O Mercado se constitui a partir de um espaço geográfico, ocupado por pessoas que realizam trocas de bens e serviços por uma unidade monetária ou por outros bens e serviços. A Lei de Mercado é a lei de uma economia capitalista liberal, o equilíbrio se baseia na lei da oferta e da demanda, os preços são definidos pela quantidade de pessoas que querem os produtos versus a quantidade de produtos ofertados no Mercado.

Quem é o Mercado?

O Mercado é formado por pessoas, um grupo de vendedores de bens e serviços, e um grupo de compradores de bens e serviços, que fazem trocas conforme os valores econômicos, para satisfazerem suas necessidades de reprodução e sobrevivência. O que todos buscam é o bem estar e qualidade de vida, o que na medida em que se torna mais especializado, mais alto é o seu valor monetário, por ser mais escasso. Para o Mercado existir, é necessário que exista uma demanda por um tipo de bem ou serviço, e que também haja quem possa ofertar esse tipo de bem ou serviço.

Uma economia de livre Mercado tem como fim, permitir que a interação entre compradores e vendedores de bens e serviços ocorra de forma livre, sem qualquer interferência de qualquer agente externo. Os Direitos Civis de cada cidadão devem ser respeitados, como: os direitos fundamentais à vida, à liberdade, à propriedade privada e à igualdade perante a lei.

O Estado que adota um modelo econômico capitalista liberal é um Estado que aceita a ética e a moral do Livre Mercado, e tem como função primordial garantir os Direitos Civis de cada cidadão. Assim, devemos perguntar: Todos têm direitos fundamentais à vida? Existe uma liberdade entre todos, ou existe uma apartheid econômica velada na sociedade? Todos na sociedade têm uma propriedade privada, ou seja, uma casa para morar? Todos são iguais perante a lei?

A renda média salarial do trabalhador brasileiro é capaz de garantir os direitos básicos a sobrevivência? Como: saúde, educação e segurança. Podemos confiar no Mercado? E acreditar, que ele é capaz de solucionar os problemas da sociedade, e proporcionar um modelo de bem estar social?

As leis e as diretrizes econômicas são reguladas conforme os interesses do Mercado, mas quem é realmente o Mercado? Quem tem força para influenciar as decisões dos líderes políticos? Quem tem mais poder? E os meios para exercer o poder? Em um Mercado movido pelo capital, quem detém o capital é quem tem o poder, é quem manda, e quem não tem capital, é quem obedece. Então quem são os nossos reais líderes? São os capitalistas, detentores do capital e do poder, com meios para manipular a política do Mercado. Os trabalhadores são livres ou massa de manobra?

O Mercado, em um mundo capitalista liberal, é um projeto de poder dos capitalistas, os detentores do capital e os meios para exercer o poder, são antidemocráticos. O Estado existe para servir o Mercado e a que se serve do Mercado. A sociedade na sua maioria está aprisionada, escravizada por um modelo econômico, não há liberdade plena, mas uma liberdade relativa conforme a capacidade econômica de cada cidadão. É impossível existir um paraíso em uma sociedade capitalista liberal, todos estão sob o poder do capital e quem detém o capital, que cria o Mercado, que cria as leis, que define o ritmo da economia, que elege os líderes políticos, que define a ética, a moral e a política.

O mundo capitalista liberal não é justo, pois a relação de forças entre os cidadãos acontece de forma desigual, conforma a capacidade econômica de cada um. A questão está em que tipo de sociedade os cidadãos querem viver? Em uma sociedade fundamentada pelo cumprimento do dever, a partir de leis constituídas pelos detentores do poder, ou em uma sociedade justa e democrática, onde privilegia os desejos da maioria coletiva?

Para decifrarmos a direção das políticas públicas realizadas pelo Estado, devemos sempre questionar: O que é o Mercado? Quem é o Mercado? Quem tem poder? Quem tem os meios para exercer o poder? O Mercado está a serviço de quem?

Seja como for o Mercado, todos nós vivemos nele e existimos nele. Cabe à sociedade tomar o controle de suas ações e criar um Mercado justo e democrático, para assim poder ser mais feliz.


domingo, 16 de dezembro de 2018

Doutrina Social da Igreja Católica – 2004 – João Paulo Segundo !





A missão do sujeito, uma vez constituído como cidadão de um Estado Democrático de Direito, é ter uma vida justa voltada para o bem maior da coletividade e que a força do seu testemunho, contribuam para o progresso da humanidade.
A utopia de uma sociedade justa onde todos se realizam de forma plena se realiza na transcendência, mérito dos justos após a morte, mas abrange também este mundo nas realidades da economia e do trabalho, da sociedade e da política, da técnica e da comunicação, da comunidade internacional e das relações entre as culturas e os povos.
Os homens são capacitados a transformar as regras e a qualidade das relações, inclusive as estruturas sociais: são pessoas capazes de levar a paz onde há conflitos, de construir e cultivar relações fraternas onde há ódio, de buscar a justiça onde prevalece a exploração do homem pelo homem.
Tantos irmãos necessitados estão à espera de ajuda, tantos oprimidos esperam por justiça, tantos desempregados à espera de trabalho, tantos povos esperam por respeito: Como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa onde abrigar-se? E como ficar indiferentes diante das perspectivas dum desequilíbrio ecológico, que torna inabitáveis e hostis ao homem vastas áreas do planeta?
A humanidade compreende cada vez mais claramente estar ligada por um único destino que requer uma comum assunção de responsabilidades, inspirada em um humanismo integral e solidário: vê que esta unidade de destino é frequentemente condicionada e até mesmo imposta pela técnica ou pela economia e adverte a necessidade de uma maior consciência moral, que oriente o caminho comum. Estupefatos pelas multíplices inovações tecnológicas, os homens do nosso tempo desejam ardentemente que o progresso seja votado ao verdadeiro bem da humanidade de hoje e de amanhã.
O homem contemporâneo tem que ser capaz de interpretar a realidade de hoje e de procurar caminhos apropriados para a ação, sugerir um método orgânico na busca de soluções aos problemas, de sorte que o discernimento, o juízo e as opções sejam mais consentâneas com a realidade e a solidariedade e a esperança possam incidir com eficácia também nas complexas situações hodiernas. Assim, é possível saber o lugar do homem na natureza e na sociedade, afrontada pelas civilizações e culturas em que se manifesta a sabedoria da humanidade.
O Homem procura dar um sentido à existência e ao mistério que a envolve. Quem sou eu? Por que a presença da dor, do mal, da morte, malgrado todo o progresso? A que aproveitam tantas conquistas alcançadas se o seu preço não raro é insuportável? O que haverá após esta vida? Estas perguntas fundamentais caracterizam o percurso do viver humano.
O significado profundo do existir humano, com efeito, se revela na livre busca da verdade, capaz de oferecer direção e plenitude à vida, busca à qual tais questões solicitam incessantemente a inteligência e a vontade do homem.
A religiosidade representa a expressão mais elevada da pessoa humana, porque é o ápice da sua natureza racional. Brota da profunda aspiração do homem à verdade, e está na base da busca livre e pessoal que ele faz do divino.

          Uma reflexão sobre os fragmentos da Doutrina Social da Igreja Católica.



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Um contraponto à avassaladora força do capital financeiro !



        A sociedade contemporânea do século XXI está valorada pelo capital financeiro, todas as relações humanas são quantificadas e mensuradas pela sua eficiência e eficácia, ou seja, a capacidade de gerar um retorno financeiro sob certo capital investido. É uma realidade que reverbera nas instituições do Estado, tornando o exercício da cidadania um fardo, onde cada cidadão passa a ser um escravo de uma determinada lógica, formulada por uma ética liberal, ou melhor, neoliberal.

         Entende-se que a ética liberal, os liberais, na linha de Hobbes, defendem que a política está desprovida de significação moral, que o Estado não é mais do que um instrumento destinado a assegurar a coexistência pacífica dos indivíduos numa determinada sociedade contratualista. Os liberais defendem a prioridade do "justo sobre o bem", As teorias políticas liberais são inseparáveis do individualismo moderno ao valorizarem o indivíduo em relação ao grupo social e por se oporem às visões coletivistas da política que tendem a valorizar o grupo social e não o indivíduo. A sociedade liberal induz os membros da sua sociedade a uma atitude individualista, egocêntrica que tem efeitos desestruturastes sobre a identidade individual e do grupo.

         O individualismo tira força à vida em comunidade, fato que produz um desinteresse pelas questões do político e da liberdade. Preocupa-se cada vez menos com a participação pública e fica-se "em nossa casa" a desfrutar dos prazeres da vida privada, principalmente num tempo em que o Estado nos fornece os meios para o fazer.

         Segundo os Liberais, os indivíduos não são definidos pelas suas interdependências - económicas, sociais, éticas, sexuais, culturais, políticas ou religiosas. Os indivíduos são livres de colocar em questão e de rejeitar qualquer particulares. São livres de questionar as suas convicções, mesmo as mais profundas. forma de participação em grupos, instituições ou atividades. O ser humano como um ser desencarnado, um sujeito sem raízes, descomprometido, mas capaz de escolher soberanamente os fins e os valores que orientam a sua existência.

         Se o mundo continuar nesta direção histórica, movido pelo neoliberalismo com as suasr forças sociais, políticas e econômicas, teremos um futuro com grave desiquilíbrio frente a uma acentuada desigualdade social, o que já está materializado e pode ser potencializado, pela enorme concentração de renda e riqueza nas mãos de uma pequena parcela da sociedade. A pergunta a ser fazer é: Qual é a finalidade da existência humana ?

         Para evitar um mal maior, cabe à sociedade pensar e defender um modelo econômico eticamente justo, que transforme as relações sociais com base em outro paradigma, a sugestão é o Comunitarismo. Ao afirmarem que o individualismo é inseparável da socialização, os comunitaristas pretendem mostrar que o indivíduo livre da concepção liberal é ele mesmo produto duma forma específica de socialização.

         Tanto do lado dos liberais como dos comunitaristas a liberdade é elevada à classe de princípio essencial. Ambas as partes sentem que uma sociedade só é justa se os membros que a compõe aí vivem livremente e, se a finalidade da atividade política for realizar as condições nas quais essa liberdade é possível.

         O que difere o liberalismo do comunitarismo é a proposta de que o indivíduo seja considerado membro inserido numa comunidade política de iguais. E, para que exista um aperfeiçoamento da vida política na democracia, é exigido uma cooperação social, um empenho público e participação política, isto é, formas de comportamento que ajudem ao enobrecimento da vida comunitária. Consequentemente, o indivíduo tem obrigações éticas para com a finalidade social, deve viver para a sua comunidade organizada em torno de uma só ideia substantiva de bem comum.

         Os liberais defendem a prioridade do "justo sobre o bem" e os comunitaristas defendem a prioridade do "bem sobre o justo".   No comunitarismo há a afirmação do justo sobre o bem, onde traça a fronteira entre os pensamentos morais antigos e modernos: os antigos colocavam a questão de qual o bem, que sendo objeto do meu desejo me levaria à melhor forma de vida (eudaimonia). Os liberais os modernos preocupam-se com a questão do justo, isto é, como é que eu devo agir, já não em relação ao meu bem, à minha felicidade, mas em relação às condições que tornam possível a procura do bem, conduzida por cada indivíduo (dever).

         As forças do capital financeiro são movidas por pessoas que têm valores éticos que fundamentam o modo de ser, cabe fazermos a seguinte pergunta: Qual é a alternativa melhor, o bem ou o justo ? Qual valor ético devemos fundamentar as nossas ações ? Os valores voltados para o indivíduo, ou seja, o neoliberalismo, ou os valores voltados para a sociedade, ou seja, o comunitarismo. Esta é a escolha existencial que a sociedade terá que fazer para ter um futuro mais próspero e justo para todos.


         Fragmentos do artigo:


         COMUNITARISMO OU LIBERALISMO? - Gisela Gonçalves, Universidade da Beira Interior, Setembro 1998.