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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Michel Foucault & Paulo Freire !

 
A partir de um deslocamento conceitual, podemos tomar o que Michel Foucault pensou em um em determinado campo e dialogar com as posições conceituais de Paulo Freire para construir uma verdade no campo educacional. Perceber o processo educacional como o sistema político de dominação que utiliza do poder disciplinar e torna o corpo uma força de trabalho. Fazendo da disciplina um tipo de organização do espaço. Uma técnica de distribuição dos indivíduos através de inserção dos corpos em um espaço individualizado, classificatório, combinatório. Cada cidadão é controlado por números, CI, CPF, Título de Eleitor, PIS, etc. Isola o corpo em um espaço fechado, esquadrinhado, hierarquizado, capaz de desempenhar funções diferentes segundo o objetivo específico que dele se exige. O controle do tempo, que estabelece uma sujeição do corpo ao tempo. Com o objetivo de produzir o máximo de rapidez e o máximo de eficácia. A vigilância contínua, perpétua, permanente; que não tem limites, e penetre nos lugares mais recônditos, presente em toda extensão do espaço. Finalmente um registro contínuo de conhecimento, que exerce um poder e produz um saber. Olha, observa, controla, extrai, anota e transfere as informações para o ponto mais alto da hierarquia do poder.
 
 

Atender ao maior objetivo do sistema de poder, tornar o homem útil e dócil. O indivíduo é uma produção do poder e do saber. A ação sobre o corpo, o adestramento do gesto, a regulação do comportamento, a normalização do prazer, a interpretação do discurso, com o objetivo de separar, comparar, distribuir, avaliar, hierarquizar, tudo isso faz com que apareça pela primeira vez na história esta figura singular, individualizada – o homem (o sujeito) – como produção do poder. Mas também, e ao mesmo tempo, como objeto de saber. Das técnicas disciplinares, que são técnicas de individualização, nasce um tipo específico de saber: as ciências humanas. Todo saber é político, tem sua gênese em relações de poder. Saber e poder se implicam mutuamente, não há relação de poder sem constituição de um campo de saber, como também, reciprocamente, todo saber constitui novas relações de poder. Por isso as instituições de ensino têm um papel importantíssimo, podem criar o novo, ou reproduzir o modelo vigente, legitimando o poder existente. Todo ponto de exercício do poder é, ao mesmo tempo, um lugar de formação de saber. É assim que o hospital não é apenas local de cura, “máquina de curar”, mas também instrumento de produção, acúmulo, e transmissão do saber. Do mesmo modo que a escola esta na origem da pedagogia, a prisão da criminologia, o hospício da psiquiatria. E, em contrapartida, todo saber assegura o exercício de um poder. É o saber enquanto tal que se encontra dotado, estatutariamente, institucionalmente, de determinado poder. O saber funciona na sociedade dotada de poder, e é enquanto é saber que tem poder.
Para Foucault poder produz saber, como os saberes produz novas relações de poder, que são usados para a manutenção das relações de poder. Muitas vezes são deixadas de lado práticas libertadoras na educação, o cuidar de si, o culto de si mesmo, o construir a sua personalidade. A educação tradicional é uma educação que tem um objeto externo ao sujeito, que é terminar o ensino fundamental, fazer o ensino médio, passar em um vestibular, concluir um curso superior e se inserir no mercado de trabalho. Há sempre um objetivo externo colocado para o processo educativo. Muitas raras vezes o processo educativo é pensado como um processo de construção do sujeito, em que o objetivo é cultivar-se, formar-se, fazer-se, construir-se em um processo de construção do sujeito, uma prática libertadora. Há duas formas de pensar a escola, uma, como um espaço do conhecimento e do ser, conforme modernamente foi pensada e está centrada no conhecimento e na transmissão do conhecimento, transmissão do saber. A outra forma está em aplicar o princípio do cuidado de si, a realidade educacional, o processo educativo passa a ser a formação do sujeito, e o sujeito constrói-se a si mesmo como uma obra de arte.
A escola tradicional educa e disciplina, é uma forma de conformar e fabricar o sujeito a partir de uma tecnologia de poder. O sujeito, cidadão comum é fabricado pelas tecnologias de poder disciplinar e no biopoder a educação moderna é o efeito das tecnologias de poder. O sujeito (aluno) é o efeito das construções das relações de poder. Contemporaneamente, se quisermos uma educação libertadora, libertária, comprometida com a construção autônoma do indivíduo, a instituição escolar deve buscar novos caminhos para a construção autônoma do sujeito (aluno). É o desafio do processo educacional para o século XXI.
 
 
 
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